10.4.08

Pé nu

O poder da comunicação é forte. A publicidade cria imagens. O marketing consegue criar estratégias para comprarmos a pasta de dentes mais banal do mundo ao preço mais caro. Mas qual é a alminha que acredita que a Diana Chaves usa aquela marca de calçado?
Vejamos se confere. Vou lançar os buzios!
1.Um dia fui à praia. E na praia a Diana Chaves vi.
Passeava com ténis de 20€ e levava na trela o BOBI!
Hum, trálálá, relançamento!
2.Manchete na Caras: "Diana Chaves faz furor com sapatos comprados no armazém de calçado na zona industrial de Alfragide".
As marcas vendem, mas há milagres que só acontecem na cabecita de certos criativos.
Junta-se a personagem à imagem e damos-lhe a notoriedade... propaganda. A marca passa a conhecida. Uma coisa é certa, todos despertámos para a marca. Porque os outdoors com o belo corpinho da ex nadadora não deixa ninguem indiferente, mas alguém reparou no que ela tem calçado?

Alegres Tontos

queixo caído, ombro encolhido
miudo franzido, torcido
tal qual personagens de contos
alegres tontos

olhares desviados, cercados, (des)concentrados
pensamentos (des)ordenados,
dois rostos amarrados,
(des)alinhados, amuados,
lábios cerrados

perder esse sorriso, custa
ganhar essa seriedade,
assusta

pestana cansada, isola as mentes, troca-nos as voltas,
bloqueia o que sentes, névoa no tacto distorce-nos as lentes

nos entretantos dorme-se, entrega-se paz ao momento
despertamos anestesiados, volta tudo ao pensamento

agorro na bola
dou-lhe uns xutos
marco um golo no dia
revejo estes sustos
reduzo-lhe os custos
e guardo a cena que vi(vi) de putos!

7.4.08

Donos do mundo

Há por aí muitos "donos". Donos do quê? Donos de cães. Falo de cães treinados para combater. Cães que são ameaças. As ameaças deixam de sê-lo quando saem à rua. Estes cães são armas.
Com a nova Lei podemos estar no caminho de encontrar uma solução. Devia ser justa, porque é uma Lei. Mas é justo circularem em público humanos armados em donos do mundo?
Ficamos com dó dos cães porque somos humanos. E, já agora, porque sou humana, porque penso e sinto, imagino muitos cães a desejar tanto esta Lei como metade de Portugal!
Se os cães falassem a PSP passava a receber resmas de denúncias como esta:
- Posto da PSP da Musgueira muito boa tarde, agente Silva, em que posso ser útil?
- Chamo-me Bobi Junior, o meu pai é o Bobi Herói da Musgueira de Cima, e vai combater hoje contra a Musgueira de Baixo. Ele ladra muito, mas não morde. SALVEM-NO!
Ok, os cães podem ser mentirosos, mas os humanos somos nós. Também imagino muita gente disfarçada de cão, estaria garantida a denúncia anónima.

6.4.08

mocos ambulantes

entre espelhos vivemos nós. entre paredes alguns vivem sós.
o que se passa lá fora para além do meu eu? o que absorvo em mim e guardo meu?
sou a minha companhia, na tristeza e na alegria, todo o dia, na realidade e na alegoria.
mando no que digo e no que faço. tenho efeito em outro alguém. para além do EU o TU existe. e eu não vivo sem!
tenho raizes que questiono, posso mudar o presente, escolher a direcção da minha acção, posso fazer diferente.
no mar grande em que vivo, nas ondas em que passeio, ponho sentimento em cada grão que piso, existe tanto para além de mim, sei-o.
respirar para viver, viver para cuidar, estar para dar, receber para deixar partilhar.
e nas voltas que damos, encontramos mocos ambulantes, perdidos no seu corpo, valorizam as suas certezas como diamantes.
livres são-no de escolher, viver apenas o seu ser ou abrir os braços às sensações, vivem no quase viver, vivem quase as emoções.
e porque não se ouvem? porque não param um momento? porque partem logo para o tribunal, porque preferem sempre o julgamento?
usam os olhos para condenar, as mãos para mandar, antecipam quem ouvem cantar, não se importam se vão derrubar.
não querem saber os motivos, verdades como clarão, adivinham tudo antes de o ser, os erros dos outros não merecem perdão.
se se ouvissem, viam-no. se se vissem, sentiam-no.
não se mancam que por viver na escuridão se encontram cobertos por uma tremenda ilusão?
raramente são uma mais valia
largam frases com gozo ao vento sem o seu valor importar
e com as horas a passar, é fácil adivinhar
um dia embrulham as pedras de quem as recebeu e, com dor, as teve de calar.

30.3.08

Sorrir e acenar

está em cada um escolher o percurso
se do lado da inveja ou um lado menos urso.

se não te podes defender, então ajuda saber:
corjas têm dias contados, sem dar corda aos sapatos
corações despedaçados, ardem sózinhos, morrem queimados e desolados
serão sempre mal tratados.
não acreditam,
apodrecem e definitivamente secam.

que tal arranjar uma vida? sarna para coçar?
ah! e nos entretantos escavem o cérebro
há minhocas por desenterrar.
liberdade não a sabem viver? então ultrapassem os fantasmas
e ponham-se a andar
longe para não vos ver,
ninguém gosta de se arrepender
se um dia vos cobri de escamas
hoje, larga-vos ao mar

e a tudo o mais ao qual não conseguirão escapar!
e, sem naufragar,
sorrir e acenar.

24.3.08

na flor d'olhar


simples somos, difíceis nos tornamos
as flores dos caminhos mais fáceis, são espinhos que cegamente abraçamos
no simples acredito e do complicado me afasto, que o tempo não me apresse, com tacto, quero tudo o que é
olftacto, olhos nos olhos, pé ante pé
sou grão, mero ser, com princípio e fim, tanto há que ainda hei-de saber, nada começa e termina em mim
de mim não escondo: actos são factos, não posso negar o que vivi, tudo o que gravamos no chão
amigos, guardamos bem fundo no coração
, não se compra a compaixão, nem a união, nem uma mão


na flor d'olhar
,
ante atribulada aflição, onde se podia ver impossível levantar, nasce tremenda força em simples atenção, sem medo de se lançar, de suar, de se juntar ao que ainda é vivo, sem precisar ser criativo
ganha-se do nosso ajeitar, ganha-se por sermos iguais a nós mesmos, no aceitar e estar lá, sem importar se já crescemos

as minhas palavras não são notícia, nas ossadas, até pesadas, deixo-me apenas sentir
se revelasse tudo o que vejo já ninguém me queria ouvir
falta-me jeito para explicar
assim olho a fita a rolar e vejo... muitas pessoas sem maldade na sua natureza, fechadas na sua pequenes que teimam em favorecer o mau da sua essência, que se arrastam e escolhem jorrar risos da cor da azeda
sinto... deixo-me apenas sentir...porque se esquecem de si? até quando resistem a viver sem fingir? como podem aceitar que alguém sinta, se nem conseguem sonhar? porque há pessoas que só vêm perdas? não houve nada para ganhar? curem-se as pessoas que se julgam com destinos marcados e se viciam em vitimas que hoje já não são
pendurados, agarrados aos cabides, não é preciso ter varinha de condão, nem chegar a carvão

desabafo só, não sei nada
não desespero, não me entrego, páro e se precisar espero, não aceito o papel envenenado
mas e apenas aquele a que sou fiel, contrário ao de condenado
o meu é meu, com o meu errar e as singelas loucuras
quero poder respirar, dormir a acreditar que os sonhos maus consigo transportar
e asseguro que dedico um lugar altivo às minhas doçuras.

22.3.08

Deixar ser ao outro

Pessoas e momentos para serem de valor costumam ser tidos como únicos.
Somos as mesmas pessoas perante pessoas e momentos diferentes, mas nunca conhecemos as nossas reacções a elas. Nunca sabemos totalmente quais são os nossos limites, porque uma parte do que fazemos não controlamos totalmente. Porque não somos totalmente racionais, lógicos e prevísíveis.
Há ocasiões que salientam em nós uma parte do que somos e outras há que despelotam outros EUs (tudo na mesma pessoa). Não sei se é por isso que, por umas temos mais empatia do que por outras, ou se é por isso que nos prendemos mais a umas pessoas do que a outras. Num mundo com tantas opções, alguns motivos hão-de ajudar a perceber a teoria da atracção, o que atrai umas pessoas a outras.
Uma coisa parece saber-se, é que há pessoas que permitem ao EU (que conhecemos) dar o seu melhor. Enquanto outras evidenciam os nossos traços que tentamos ocultar até de nós mesmos. Mas como temos poder sobre algumas coisas, as pessoas a quem dedicamos tempo podem ser uma escolha nossa.
Hoje passei aqui só porque me pareceu que muitas pessoas se esquecem de que têm opção.
Acabo de assistir ao filme Perfume de Mulher. Há pessoas no mundo com capacidade para nos fazerem sentir incrivelmente vivos!

21.3.08

"Hey you, come here. / Who, me?"

Gato Preto, Gato Branco, adoro este filme. Se querem rir, este faz-nos soltar belas gargalhadas. Só a banda sonora é um milagre, depois há toda uma cultura espelhada nestas cenas que é delirante. Ver para crer. Ou rever.


Maior certeza do que esta?

Já sentiram isto?
Mesmo que dê por mim perdida, que tente fugir de mim, assim do nada tropeço na minha vida e encontro-a sempre que é preciso!

teoria das palavras

sigo as lidas em muitos lábios, mas não me lembro da primeira
não sei quantas já usei, de quantas abusei?
nem por isso são de borla
algumas caras, outras desnecessárias e se se pudesse, algumas seriam apagadas
depois de proferidas jamais extintas
perduram nos versos, no que falamos e na distância
se tivessem tamanho real, onde caberia todo o legado?
todas as já ditas, as pensadas, as caladas, as espalhadas ao vento, as criadas ao ritmo das marés?
belisquem-me até à zona sub cutânea para ver se acordo da dimensão desta questão dura como velha côdea
oh brincalhões da troca, oh escritores e oradores! se as palavras se gastassem, que seria de nós, comuns pensadores?
compravamos, gravavamos, poupavamos, r-o-u-b-a-v-a-m-o-s
arquivavamos, ecoavamos as preferidas num túnel sem fim aparente
corremos o risco de as perder? de que se socorria nesse dia a nossa mente?
se perto de se esgotarem, alguém me ajudava nessa caçada?
eu enlouquecia pela falta só de privada de libertar a minha alma enevoada
cantem-se, calem-se, soltem-se, repitam-se, escrevam-se, risquem-se, corrijam-se
pintem-se, GRITEM-SE

não acabe o que se inventou para dar voz
à constante nascente que nos faz humanos,
que veste a ideia e a tudo o que sentimos em nós.

Páscoa

Páscoa Feliz : )

17.3.08

preenche a todos e a ninguém

se quisermos apenas acreditar naquilo que já sentimos
esbarramos em coisas estranhas, nunca as ouvimos e não as vimos
arrumamos o que não gostamos num quarto do mundo, seguimos mais fundo e de ombros encolhidos, de olhares desviados, andamos sempre fugidos e vestidos

fortalezas as nossas casas, tristezas as nossas carapaças
em cada pedra que mandamos fora, desperdiçamos energia, nem isso faz parar o relógio da vida, nem mesmo um único dia

se no meio de tanta gente não encontramos um espelho, será porque está tudo de costas ou refugiado em lugar alheio?
se nos dedicarmos a captar no olhar a verdade de cada mundo, de certo veremos muitas experiências sem precisar de ir muito profundo
não sei qual a melhor e a pior, nem sei se para estar vivo é preciso sabê-lo, sei que a solidão bate a muitas portas e o estado SÓ todos temem vivê-lo
também não sei se é preciso experimentar tão grande tristeza, a que preenche pessoas em todo o lado, mas em nenhum lado encontram mais do que essa cruel certeza
pelas praias, pelos autocarros, pelos centros de saúde (ou de encontro), anda tanta gente viva a sobreviver às pedras, sem sininho, no silêncio, no escuro, na velhice, na pena de quem viu antes um jovem, e agora apenas um corpo no caminho
a solidão é como a areia, cobre tudo!

chega aos mais infímos recantos, amarga, arrepia, derrama, e afasta os sonhos dos seus 1000 encantos
se basta a força do vento para mover moinhos, porque será que a vida humana não basta aos mais sózinhos?

mais um corpo que passa, mais uma vida que passou
a solidão preenche a todos, mas ainda ninguém a roubou

13.3.08

borboletas a voar

se fosse verdade
o desejo real
namorar esses dedos
cobertos de sal

vaguear pelos verdes
que iluminam a aventura
perguntar-te com atrevimento
doce ou travessura?

memoriza esses passos
no futuro irás precisar
mas agora que floresce
descontrai, há borboletas a voar

agora!
fecha os olhos
é o melhor
ficar no escuro
não digas nada
porque é agora que absorvemos o sabor

cruzámos muitas águas
até chegar a este porto
e se desta vez a corrente aumentar
sem medo,
o direito precisa do torto

mostra-me essas mãos
elas não mentem
deixa-me flutuar
quero ser nuvem...

mais que um cartão

pego em ti, simples cartão
um pouco amarrotado
poderias ter mais cor
mas aceito-te mesmo desgraçado

pego-te pelas orelhas
que corpo tem este pedaço
domino-te as dobras duras
e colo-te ao meu regaço

o calor que emanas
preciso em dias de Inverno
proteges-me do frio
e tudo o que me separa do inferno

se os raios forem fortes
segues-me até à sombra de uma arcada
sento-me em ti a beber os que passam
os seus corpos e a vida emporeirada

se o dia é de chuva... então és como a lágrima
por onde passa amolece
nem preciso de te rasgar
ficas encolhido e tudo te entristece!

pego em ti gentil cartão
dás-me que sobra quando estou comigo
enrolo-te mais um pouco
fumo-te e relaxo o mais que consigo

ora, fizeram-te belos recortes!
agora estás todo pimpão,
deram-te formas redondas
e és um postal em forma de coração!

9.3.08

Festival da Canção dos Coitadinhos

"Opá, pois concerteza fico chateada!" - estilo à Gato Fedorento. Nada tenho contra a bela da Vânia Fernandes, nem à Sra do Mar, a música também é bonita! Mas quando, pergunto outra vez QUANDO? Quando vamos abandonar as votações nos coitadinhos, quando vamos deixar de mandar os nossos representantes pelas votações dos amigos e das amigas, neste caso, de um arquipélago inteiro?
Sim, estou arreliada. Então e uma música alegre? Alguém tem visto os vencedores dos últimos festivais?! Porquê não optar pelo entusiasmo, alegria (!) ao invés do simples drama em que mergulham os portugueses?
Raios... não foi desta. Vou dormir com a convicção de que, mais uma vez, não se fará história na nossa adormecida participação no Festival da Canção.
Simone, canta lá a Desfolhada! Lembra-lhes lá a força. E os ABBA!!!!!!!!!!!!!!
PS: Mãezinha, dorme mais um pouco que não perdeste nem pitada. Já se sabia.

8.3.08

fórmula do meu ser

podia aniquiliar a fórmula do meu ser
para te salvar do escuro e dessas penas que te cobrem
podia ter ficado e abraçar-te para sempre
mas alguns de nós descobrem a tempo que nada nem ninguém tem esse poder

dependeria de mim não chover naquele dia?
estaria ao meu alcance esperar por ti, para te veres?
faria sentido acordar só por ti e para ti se queres continuar a ter pena de ti?
para quê continuar a vida num contínuo desnecessário e penoso?

não preciso de saber o que pensas, não mais!
quero saber a que sabe a chuva de um qualquer dia
não quero saber como o Sol queima a tua pele
realmente prefiro ser fiel a mim mesma
manter o respeito por mim mesma a perseguir-te como a um sonho

e se lá longe te encontrar depois do adeus
não escolho odiar-te
ainda assim, com motivos para te apagar
sorrirei porque um dia te abracei

1laranja + 1laranja = amor


Referi-o aqui diversas vezes e não me canso de o defender: a vida não é banal.
Começo este post talvez pelo seu fim.
Vou ao Google e busco. Vou ao hi5 e pesquiso. Vou ao mar e pesco. Respiro e inspiro ar. Caio e encontro o chão. Salto e elevo o corpo. Falo de sentimentos e toco os motivos porque vivemos. Sinto e sou. Não procuro ser. Muitas vezes encontro-me! Dou-me e sinto. Não procuro dar-me.
Amo e estou na casa do amor. Não busco amor. O amor vive-se, experimenta-se, partilha-se, dá-se, recebe-se, cultiva-se, cresce, desgasta-se.
Aos 28 anos é ponto assente: o amor encontra-se, constrói-se, não se procura.
Crescemos e logo aumentam as nossas histórias, mudam as nossas referências, ganhamos defesas, desfazemos preconceitos e evoluímos. Não evoluímos todos no mesmo sentido (é como a economia: evolução positiva, negativa ou estagnação). Não temos os mesmos quereres, vontades, nem a mesma noção do sentido da vida, da importância de cada dia, do valor das pessoas, dos momentos, do valor único de cada um.
Não acho que existam diferentes formas de amar. Mas ao mudar o objecto que amamos (pai, companheiro, amigo), muda a forma como vivemos o amor, como este se traduz. Praticamos o amor na forma como o sentimos. Não sentimos atracção física por todas as pessoas que amamos.
O modo de sentir também evolui, não na intensidade, mas aquilo que lhe associamos: as expectativas, os valores positivos e negativos.
Posso já ter achado que faria sentido que a pessoa para a vida devesse ter o que eu não tenho, o que eu não sou, porque associava isso à plenitude, harmonia, à felicidade encontrada em partilhar o que sou com uma pessoa assim. Hoje rio-me disso! Olho à volta e procuro entender se isso faz sentido nas relações que tenho ou que tive. Hum... Não faz. Nas pessoas com quem me rio, não faz. Com quem passo os meus dias, também não! Então porque faria sentido entregar a alguém o lugar da minha metade? Para garantir o quê? Para receber o quê, a metade?
Somos o que somos. Alguém é o que é. E é por ser quem sou que alguém se interessa, se apaixona e pretende que a sua vida passe pela minha. Não porque sou lutadora e essa pessoa é menos do que eu. Ou porque eu gosto de fado e essa pessoa gosta de música disco. Ou porque sou romântica e a outra pessoa é mais terra-a-terra.
Isso seria entender que a nossa felicidade em comunhão com alguém dependeria única e exclusivamente de como a outra pessoa é e do que eu não sou. Bem, seria fácil, básico! O amor seria algo totalmente racional, previsível, controlado... TRETAS. E ignoramos o que sentimos? O poder que temos? O valor das nossas acções?
O amor faz-se a 2. Não se faz com duas metades. O amor não são 2 metades de uma laranja, mas 2 laranjas. Cada uma no seu todo, com as suas características intrínsecas, com os seus travos amargos e doces. Cabe-nos encontrar alguém com que nos sintamos bem, que nos respeite, mereça o nosso respeito, as nossas lutas diárias e nos aceite como e pelo que somos, que aprecie/valorize a nossa companhia e também tudo o mais que faz parte de nós, defeitos + virtudes. Que nos ache extraordinários e mesmo assim esteja ao nosso lado quando caímos, falhamos e deixamos de ter força para acreditar. Lá está, extraordinário o ser que decide estar ao lado de outro ser para o que der e vier e, nos momentos menos bons, recorde a outra pessoa da sua força e lhe mostre os motivos pelos quais vale a pena escolher viver uma vida que não é banal.
Já agora, o amor não se basta, o amor precisa de espaço, liberdade e um lugar importante: o do elo invisível que suporta a vida.
Jamais aceitar que as pessoas se juntam umas às outras porque a sociedade impele a que a vida seja vivida a dois, mas e somente pelo sentido que isso faz na vida de cada um.

2.3.08

Jardineiros Amadores

Foto:Jardineiro Amador:Samarra:Março2008

À primeira.
Se me pusesse aqui a falar das primeiras impressões, dava convosco voltas ao mundo e juntávamos milhares de opiniões! Não sendo as mais certeiras, são as que prevalecem.
Tantas vezes damos por nós a dizer "e eu que te julguei assim". Ou então "tens essa cara de anjo, mas depois...". Ou ainda: "quando te conheci não fui nada com a tua cara". As primeiras impressões enganam-nos e mesmo assim temos uma forte tendência para nos guiarmos por elas.
Na vida o que acontece certo à primeira? Tiramos a carta e engatamos bem o carro à primeira. Hum... conseguimos fazer bem um passo de dança à primeira. Pronunciamos bem uma palavra estrangeira à primeira. Sei lá, muitas coisas podem sair bem à primeira. Normalmente chamamos-lhe "sorte de principiante".
À segunda.
O amor à primeira vista é daquelas crenças que não tenho. Continuo irremediavelmente romântica. Isso está em mim, sou-o. Bem, então podia lá voltar uma segunda vez, podia ser que à segunda lá passasse e fosse amor. Mas nestas coisas a sorte não é predominante, não no amor.
Há dez anos, estava no Bairro Alto quando um adulto me revelou a seguinte crença "o amor é atenção". Claro, eu tinha 18 anos, ouvi, aceitei, mas pareceu-me assim um dado adquirido que eu não queria adquirir!
Anda tanta gente a falar de amor. Aqui, ai e ali. Na TV, na rádio, nas músicas, nos livros, no cinema, no teatro, nos cafés, nas revistas, na internet... Não passaram já tantos anos para se saber do que se trata então? Todos queremos saber. Humano complica, não é? Quem é que ainda não se perguntou: "será amor?"
Mudará com a época? De geração para geração? Tem cores diferentes?
O amor mais longo que conheço é o que vivo na minha casa. Tenho, dou, partilho amor há 28 anos. É diferente daquele amor que as músicas falam? Não chamo amorzinho, ou honey à minha mãe, nem lhe digo que é o meu Sol, mas lá por isso não deixa de sê-lo.
O que me faz amar as pessoas com que vivo durante estes anos? Entendimento, atenção, cuidado, carinho, comunicação, preocupação, admiração, respeito, amizade, agradecimento, e tantas coisas mais.
Dizem os brasileiros uma expressão engraçada "familia a gente não escolhe". Pois é, nascemos numa familia. Mas escolhemos com quem queremos juntar à nossa ou para construir a nossa-nossa família. É aqui que c-o-m-p-l-i-c-a-m-o-s.
Obviamente que não vou casar com eles. Faço apenas este aparte para entender o que faz com que as pessoas se amem pela vida, se desejem numa vida, sintam falta na ausência dos dias não partilhados lado-a-lado, dias que são tudo menos banais.
À terceira... diz o português que é de vez!
O amor não nasce num encontro, numa troca de olhares, nuns roçanços quentes, no encantamento por um decote, na atracção por um corpo esculpido, numas pernas musculadas, num perfume tcham, num sorriso encantador.
Acerca da paixão já acredito em algo diferente. A paixão nasce assim. A paixão é selvagem. Não precisa de ser semeada ou regada. À primeira, a paixão pega. Sustentada por uma luz forte e doce, uma água caida do céu e com cores sonhadas.
O amor precisa de ser naturalmente cuidado, naturalmente regado, luz natural q.b., ciclos, épocas como a Primavera e também o Inverno. Tem de ser naturalmente bem-vindo para resistir aos tufões, deve ser naturalmente genuíno. Não deve ser preso ou vedado, mas deve ser abraçado.
As flores campestres são as minhas preferidas. Posso tê-las em canteiros, mas não será a mesma coisa que vê-las num passeio pelo campo.
O amor precisa de ar, liberdade, admiração, amizade, música, chuva, Sol, Lua... de momentos partilhados, de zangas superadas, de discórdia e, consequentemente, de crescimento.
Diria por fim que, quem conhece e concebe o amor é um autêntico jardineiro amador! Amador porque não precisa de tirar um curso, de se formar em jardinagem. Precisa sim, de ser atento ao seu jardim, e cuidar, e fazer crescer, e cuidar, e suster, e cuidar, e acarinhar, e cuidar, e resmungar, e cuidar, e amparar, e cuidar, e admirar, e cuidar, e agradecer, e cuidar, e receber, e saber ter, e saber partilhar o que tem com outras pessoas, e cuidar : )
Amamos a quem damos atenção e/ou damos atenção a quem amamos, de quem cuidamos. Não poderei hoje deixar de aceitar algo tão simples (mesmo que incompleto): amor é atenção.

26.2.08

o silêncio não me incomoda

conto algumas situações
quando tudo parece voar
dou por mim meio perdida
longe a duvidar

se falo tudo é um abuso
se me guardo é monotonia
sei que nada sei
numa charmosa companhia

podia dizer logo o que penso
dizer se sinto o mundo assim ou assado
mas de que vale antecipar
uma visita ao meu passado?
depois sei que pareço indiferente
curta nas mensagens
concentrada nesses passos
distraida nas viagens

tenho de dizer o que sinto
o silêncio não me incomoda
ouve bem, que não minto
aprendo e aproveito para respirar
não é deconfortável
dá espaço à sintonia com o par

não é que me esconda
gosto do que sou
mas parece que ando esquecida
sem saber coisa alguma e ao que vou

como nem tudo o que parece é
volto a confirmar, apenas só sei que nada sei
nos mistérios de duas cadeiras
começo a ser natural
e pelo meu pé
descolo-me de caminhos onde andei
já me divirto nas brincadeiras
e a vencer com garra ao medo do mal

24.2.08

dançar apenas

entediada pelo ruído do dia
desejo ser silenciada
dançar apenas
uma música compassada

entusiasma-me ser surpreendida
por um fim de dia diferente
nem demais nem de menos,
nem frio, nem quente

tirar a capa
soltar o franzido da testa
fechar os olhos para ouvir
ajeitar o pé ao sabor da festa

num movimento suave
em instantes combinados
esquecer o mundo sério e...
deslizar sobre tacos envernizados

não importa se é perfeito
isso não é preocupação
aproveito o momento
ali é lugar para emoção

nem é preciso ser super
basta deixar levar
com jeitinho chegar a vibrar
nuns braços atentos a guiar

custa pouco para ser bem
tenta lá sentir
o dj também está ao nível
podes só descontrair?
hum... espero ser credível
a bailar ficamos bem melhor a sorrir

21.2.08

surdo charmoso

nos movimentos em que mostras belezas
são momentos replectos de delicadezas

ai! o som do pé ritmado
prende-me nesses dedos e solta-me o cabelo maniado

mas não me ouves?
não és o meu estilo
falo curdo?
se vês o futuro,
raios! não me leves à certa!
está bem, escrevemos um livro puro
prometes sigilo?
prometo ser mudo

nos jeitos desse corpo, nessa pele de belos trilhos
tens culpa nesse charme
ui, e nesses peculiares brilhos

levanta lá o teu queixo
esse olhar não é de timido!
nem tentes ser dissimulado
nem ocupar o lugar de desentendido
está bem, eu peço, não me deixes aterrar
prometo que se falhares, agarro-te e não deixo
vá...
empenha-te no meu lado bandido

17.2.08

Endeusamento

Não sabia que tinha nome. A nossa cultura linguística é vasta, rica e para mim revelou-se surpreendente.
Acontece por vezes estarmos tão apaixonados por alguém que todos os comportamentos e atitudes são desculpáveis, simplesmente porque foram desencadeados por alguém perfeito aos nossos olhos.
Voltando à velha máxima "ninguém é perfeito" se conclui rapidamente que aquele pressuposto nos conduz a uma tremenda ilusão. E como "nada dura para sempre", mais tarde ou mais cedo percebemos que o homem é como todos de carne e osso, tem alma e esqueleto como o comum dos mortais. Será tendência natural "considerar alguém perfeito até prova em contrário"?
As primeiras impressões podem manter-nos cegos por anos em relação a alguém. Sabemos que são ditadoras, mas claro, são falíveis. E, tantas voltas dá a nossa vida que, demore o tempo que for preciso, as pestanas abrem-se. Julgo não precisar de me alongar mais para explicar do que falo e, acho eu, aquilo que tantas pessoas já viveram.
Tive conhecimento que nos Açores se utiliza a expressão "endeusamento" para mencionar esse estado, tornamos alguém Deus aos nossos olhos. Mas deuses, ui, até hoje não me cruzei com nenhum. Por isso, valerá sonhar com alguém que habita apenas os nossos sonhos e só nos visita de noite?
Aqui enalteço a importância dos amigos, pessoas que gostam de nós e que nos lembram disto tudo que a nossa mente ignora. Através das lentes dos amigos, podemos perceber as imagens que chegam ao nosso cérebro tremendamente adocicadas devido à passagem pelo coração!
Já conhecemos tantas pessoas e não encontramos nelas, nem mesmo a pontinha de um cabelo, algo que as torne perfeitas. Fantásticas sim, extraordinárias também, mas com alma, quentes e frias, com temperamento, com personalidade e com sexo.
Durma-se com os anjos, reze-se aos santos, acredite-se nos deuses, mas viva-se todos os dias num mundo de pessoas, se possível, fantásticas!

12.2.08

vozes e momentos

no silêncio e num dado momento
nesta grande cidade, com mãos livres
travo o tempo

oiço os que partem para o regresso e vejo neles o desejo de agora começar

tão perto de nós está esse lugar, cada vez mais longe
precisam ver-se, estar com eles
partilhar

entre vozes e momentos
neste pequeno espaço no mundo, de olhos postos no céu
páro os pensamentos

vejo as luzes a acender, o Sol a apagar e oiço os sons do dia a acabar

tão longe essa voz perto, cada vez mais próxima
quero sentir-me, estar comigo
curtir-me

neste grande casarão, com estradas e atalhos
mais fácil é comunicar, mais difícil é estar
dicotomia de prioridades, crescidas com as cidades

o homem é económico, é social e é emotivo
nem só acelerador e produtor, é também criativo e sonhador
somos castrados logo na nossa pele, privada de ser tocada pelo ar e colorida pelo Sol
gozar a amizade e a tranquilidade, não serão também direitos da Liberdade?

no fim, quando me escuto a mim,
restam apenas vozes e momentos,
e quando volto ao princípio,
novamente, busco as vozes e os momentos...

11.2.08

seeqpod

Seeqpod, mais um site que aqui deixo como referência. Podemos entrar, procurar música, criar playlists e a partir de qualquer pc com ligação à net entrar na nossa conta e ouvir a nossa selecção. Explorem!

7.2.08

You make my day

a porta abriu
começou o silêncio
sigo-te por um fio
que leve e que brio!
passou-me todo o frio
alguém me viu?
a curiosidade que me cobriu

eu não sei...
choveu? voámos?
you make my day!
o que te deu?
falámos?

era tango?
nah, era corridinho
agora em pares, torna a virar!
agora contigo, será que consigo?
mãos para cima, troca o pézinho
tens de saber, dei por mim a despertar.

leve o teu ser
onde guardas as asas?
vem para o vento
anda ver o show nocturno fora das casas
está tudo em movimento!

é rara
essa forma como te dás
seduzes pelo estar cativante
já agora, olha e pára
é só o tempo de te captar com o flash, zás trás!
apanhei-te, estás sorridente!...

fragmentos de momentos em mim
ante a esperança d'um dia te confessar
mantém-te sempre assim
a rir, a bailar, a estar
não se apague nunca esse farol
e se te encontrares tristonho, sem força para levantar,
torço para que todas as tuas lágrimas sejam secas pelo SOL
e tornes a dançar e a contagiar!

5.2.08

E se eu fosse...

Até uma idade todos nos perguntam o que queremos ser: Meninos, agora vão fazer uma composição que começa assim E se eu fosse... Depois nasciam mundos fantásticos: o dentista, a professora, o veterinário e o astronauta. E lá vamos nós com a nossa bela ambição pela ponta do lápis!
Mais tarde somos confrontados com a seguinte pergunta: O que gostarias de ter sido?
Quando miudos podemos mudar de planos as vezes que quisermos e ouvimos o dilema do adulto: Então, mas tu estás a dizer-me que queres curar pessoas? Mas ianda ontem querias ser cabeleireira!? Pois, mas é que provavemente ontem a pequena viu uma super-mega-hiper-cabeleireira, que usava a tesoura como ninguém, sorria com os olhos, tinha um belo cabelo preto, cortava cada cabeleira como queria e olhava-se ao espelho sem medo da verdade. Lá vamos nós a sonhar outra vez: Quando for grande quero ser cabeleireira, usar aquela mini-saia, ter as unhas sempre bem arranjadas, um sorriso lindo e ainda poder cortar o cabelo das amigas, da mãe, da mana, da vizinha, do pritiquito da vizinha...
Agora é mais ou menos assim: Então, mas tiraste esse curso e estás a trabalhar nisso? Ou então Epá, deve ser um bocado triste, tantos anos a estudar e depois acabas numa secretária e sob ordens de um chefe sem coração.
Ainda rematamos: Afinal, também quem é que faz aquilo que gosta? Depois surgem os motivos: independência financeira, estado do mercado de trabalho, segurança, realização pessoal, etc. A tal conjectura de factores.
Ligamos a TV e assistimos ao Critiano Ronaldo a ganhar uma pipa de massa, a relacionar a felicidade com o dinheiro, e a rematar com algo do tipo O futebol é a minha vida. O homem é bom naquilo que faz. Será que o Cristiano queria ser futebolista? Lá está, quiça uma conjectura de factores!
Mais interessante é talvez pensar como nos víamos há 10 anos e reparar naquilo em que nos tornamos. Tem piada, aos 18 imaginava que aos 28 anos estava casadíssima, com pelo menos 1 filho e um homem que gostasse tanto da minha familia quanto eu. Não tenho qualquer compromisso, não tenho filhos e já não acredito em principes encantados. Mas é lindo fazer rewind, dá para produzir valentes gargalhadas!!!
Muda o modo de sermos, o modo de nos vermos, o modo de pensar a vida e de estar na vida. No entanto, e tal como já foi assunto em posts anteriores, não devíamos nunca perder a capacidade de sonhar, de nos libertarmos dos cais onde vivemos e visitarmos lugares distantes com pessoas fantásticas. Pessoas fantásticas há, lugares distantes também, mas o ritmo urbano priva-nos constantemente da nossa capacidade infinita de sonhar. Para quando um Dec-Lei que obrigue as pessoas a sonhar pelo menos uma vez por dia?
No fim das contas acho que íamos perceber que, embora não pudéssemos mudar de trabalho sempre que nos apetecesse, talvez melhorasse a nossa auto-motivação e percebessemos melhor quem somos, para onde queremos remar o nosso barco e onde queremos estar nos próximos 10 anos.


PS: Aqui entre nós... tinha poucos anitos quando a minha mãe me perguntou o que é que eu queria ser quando fosse grande. Ao que lhe respondi prontamente: eu só quero ser filha da mãe! Ainda hoje prevalece esse desejo!!! Mãe sofre...

3.2.08

Amor e Vinho

Acabo de ler um artigo - Quando a vida amorosa desiquilibra a vida profissional - que julgo merecedor de reflexão. Começa com esta frase “Amor é como vinho, e como o vinho, a uns reconforta e a outros abate”, de Stefan Zweig.
E tanto que a nossa educação, história de vida, amores, e outras coisas mais, dizem acerca de nós.

31.1.08

1 vela

Primeiro aniversário.
O farol na imagem do Sem Naufragar é o do Carvoeiro. Aquela gaivota captei-a em Peniche (made my day!). E aquele pedaço de praia é na Terra Estreita, um dos meus refúgios na Ilha de Tavira, em que me perco entre grãos de areia, sou invadida pelo horizonte e bebo os sais, autênticos cristais de boas energias. Respirar ali será sempre uma das melhores sensações que já experimentei.
Se a vida são pessoas, se as pessoas proporcionam os momentos, se os momentos juntamente com as pessoas fazem os lugares, o Sem Naufragar tem sido um espaço de visita e um porto para alguns cibernautas. Segue um farol atento e em movimento, orientado a Norte, com histórias de palavras, imagens e sons.
Grata por poder escrever livremente e ser absorvida aqui e aí. Acontece naufragar... ora estamos na mó de cima, ora nem por isso... Mas, haja o que houver, tenhamos força para seguir, contagiar outros e nos permitirmos embalar pelos sonhos.
Nos sonhos vale tudo, até nos sentirmos como Reis do Céu
if i could fly, like the king of the sky :)
Não esqueço o que nos disse Pessoa: "O homem é do tamanho do seu sonho".
Sem Naufragar, sejam sonhadores!

Espreitem...

Vale bem a pena. Coloquem os phones nos ouvidos e deixem-se levar. Enjoy it! http://www.gmoura.com/blog/2007/05/vai-um-corte-de-cabelo.html

@braços

30.1.08

imperial sobre o mar

recordo-te assim
imperial sobre o mar
força sem igual
trago-te em mim
um pedaço sem par
com valor sem fim

e desejava o teu alto
levada por esses ventos
sobrevoar os muros de basalto
misturar-me nesses tormentos
mesmo quando te pões em salto
e tremes por momentos

ambiente provinciano
terra solta e dura
se soubesse tocar piano
contagiava-te com doçura
juntava-lhe as vozes contidas
mais as paixões por ilhéus
o fogo que te deu as vidas
e criou as histórias lançadas aos céus!

Pico
que agreste é a tua paisagem
as tuas gentes enchem-te de luz
num Atlântico em constante viragem

o teu abraço agradeço
e tudo o que os meus olhos tocaram
mais os sorrisos esboçados
no meu coração nasceu mais um laço
guardo-te cá dentro com todos os cuidados
vais viver nos meus sonhos encantados.

25.1.08

alma nua

há estranhas nas entranhas
dificeis de traduzir
dimensões tamanhas
fortes no sentir

controlar
essa vela que teima
aroma doce
será que nunca queima?

a raiva contida
num cheiro a baunilha
em música que quero esquecida
fumada em comum cigarrilha

solta-me na corrida
sai pelos poros
farta de ser mordida
quando ardem esses toros?

sinto pressão
sobre a mente
a raiva é como veneno
torna o cérebro em serpente

cega pela cor dessa rocha
vou parti-la pedaço a pedaço
acender uma tocha
cinza desaparece pelo espaço

escolho os melhores para guardar
tantos que não cabem
nesta história que quero libertar
para seguir só e com o bem a que sabem

emociona-me ouvir estes sons
vagueio pelo passado ensombrada
mas no ar há cristais que respiro
e hoje sei, fui abençoada

de par em par
posso estalar os dedos para o céu?
apetece-me fazer magia
e entregar a minha alma nua
destapá-la deste véu
abrir o coração
e deixar de ser tua.

24.1.08

Teoria sobre o Elogio

Olá,
Hoje na rádio noticiaram que dia 24Jan é o Dia Internacional do Elogio. Alguém soube?
Segundo a Wikipédia o elogio é o enaltecimento de uma qualidade ou virtude de algo ou de alguém. Uma oração funerária, dada em tributo a uma pessoa ou a pessoas que recentemente morreram, pode ser considerada um elogio. Pode também louvar, entretanto, uma pessoa que ainda está viva em ocasiões especiais, como aniversários, etc. "Elogio" deriva de duas palavras da língua grega ευ - que significa "bom" ou "bem" - e λογος - que significa palavra, frase, fala, etc.
Por partes. O elogio é o enaltecimento ou o reconhecimento? Se é uma qualidade, vai enaltecer, mas o primeiro objectivo é (acho) reconhecer algo bom em alguém.
Uma oração funerária, c-r-e-d-o(!) esta parte é um bocado macabra! Cada caso é um caso, mas mal daquele que recebe elogios depois de definitivamente moco para o resto do mundo!
Pode ainda louvar alguém em ocasiões especiais. Hum, vago! Vejamos, por esta ordem de ideias "ocasiões especiais" são funerais e/ou aniversários. Ou seja, uma vez por ano e/ou uma vez na vida. Excepto, claro, casos como o ocorrido recentemente: homem chileno de 81 anos ressuscita no seu próprio velório.
Se bem que o significado grego me deixa mais satisfeita (talvez por ser o ADN desta palavrita), definitivamente não concordo com a definição encontrada na Wikipédia.
O elogio é positivo. Excepto o irónico (dispensado!). Pode juntar-se ao Sr Cinismo, casar e elogiem-se um ao outro. Pronto, só se estraga uma casa.
O elogio não paga taxa, por isso, pode ser expressado sempre que houver a bela da oportunidade, a pessoa não precisa estar com os pés para a cova ou fazer anos.
Nem todos têm a capacidade de elogiar. E nem todos sabem recebê-lo e/ou aceitá-lo. Nem todos têm coragem para o expressar e, julgo que, muitos não a têm por medo de não saber como fazê-lo. Verdades ou desculpas para não praticar o verbo elogiar?
Se o elogio fosse dado através de um abraço ao invés de expressado por palavras, como seria? E por desenhos? Ou como no Hi5 por símbolos?! Toma lá um pin: "és um bom amigo".
Não sei como era há 30 anos, mas no nosso dia-a-dia parece-me que dedicamos pouco tempo a dar estímulos positivos a pessoas que efectivamente podem ser reconhecidas pelo seu mérito, esforço. Se o tempo que lhe dedicamos for proporcional à importância atribuída, então não parece importante no mundo actual. Como diria o Prof. Marcelo: "Podemos elogiar? Podemos. Fazemos isso? Não. Pode fazê-lo, mas não é habitual."
Ocorre-me então a primeira hipótese da minha teoria, hipótese 1: proferir um elogio aumenta a probabilidade de aparecerem aftas na boca.
Não será tão importante uma crítica negativa sobre um mau resultado causado por nós, como um elogio a algo bom que conseguimos ou proporcionamos? Então porque é que habitualmente é mais fácil desconstruir do que construir alguém? Afinal, somos humanos, precisamos de estímulos, motivações, reconhecimento, atenção. O elogio só pode ser expressado por alguém que nos conheça, ou seja, alguém que investiu tempo em nos conhecer, ou a conhecer o que fazemos. Quantas pessoas conhecemos, quantas elogiamos?
Se aplicarmos este pensamento ao mundo do trabalho, descobrimos mais uma Doença Profisscional. Pois, mas aqui compreende-se. Avancemos para a hipótese 2: proferir elogios aumenta a probabilidade de surgirem distensões nos músculos faciais. Pode ser que um destes dias apareça um mecenas a financiar o estudo para testar estas belas hipóteses :D (a isto chamo: auto-elogio!)
Vejam o exemplo de um elogio moderno antes de fugir do Sem Naufragar.
O marido olha-se no espelho e diz para sua mulher:
- Estou tão feio, gordo, careca... acabado! Preciso de um elogio...
E a mulher prontamente responde:
- A sua visão está óptima meu amor!!

PS: um elogio por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!!

22.1.08

Apetece respirar

respiraram?
hoje o Sol brilhou
em grande
Janeiro arrebatou
fez esquecer o frio que passou
a Primavera brotou

enche os corações
a intensidade da luz
aviva as amoções
a densidade do ar
venham mais 10 destes dias
apetece respirar
cheira a alegrias!

ânimo nesses olhos
nada de pingar
levantem a cabeça
e façam favor d'aproveitar!

até o silêncio é diferente
o som prolonga-se
repararam?
hoje esteve quente :)

Cheirinho a Maricotinha

Vi pela 1ª vez Maria Bethânia na Expo98. Já lá vão uns anitos. Hoje vibro quando a oiço a fazer o que ela faz como ninguém. A entoação, o movimento, a voz, a encenação, a força com que ela pronuncia as palavras, é um conjunto perfeito que me emociona.
Tenho o DVD de Maricotinha, muito bom do início ao fim. Fica aqui um cheirinho.
Esta começa com o poema "Eu sou" de Álvaro Campos, Fernando Pessoa:
(...)
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
(...)
Baste, sim baste!
Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio!

É uma combinação assim a tender para o p-e-r-f-e-i-t-o! Alma&Corpo.

20.1.08

L'amour

Ainda hoje na Sic Mulher se falava no amor à distância. Há quem lute por ele, há quem o cante. E, com força, há quem acredite e o viva.

Hey There Delilah - Plain White
Hey There Delilah, d
on't you worry about the distance
I'm right there if you get lonely
Give this song another listen
Close your eyes
Listen to my voice
It's my disguise
I'm by your side

A este som é impossível ficar indiferente, mesmo o navegante menos romântico. Deixa-nos tristinhos, mas é uma nostalgia com sabor a vontade de cuidar, dar atenção, amor!...

E por falar em amor, deixo aqui o trailler de um filme que vi em 2007 e adorei, Paris Je T'aime. As várias formas de amar! Uma cena diferente em cada bairro parisiense sobre cada forma de amor. Achei-o: curioso, mimoso... c'est super!


19.1.08

MErecer

Este verbo sobre o qual já tive tantas dúvidas. Merecer... o quê? "Não mereces isso" ou "essa pessoa estava a merecê-las". E lá estamos nós no tribunal, vestidos de juíz, o belo do julgamento!! Pouco sei, é verdade. Não conheço o "copo de medida do Merecimento".
No entanto, dá bem estar esta resolução: não aceitar menos do merecido.
Nem que para isso seja preciso quebrar com algo que parecia dar segurança
Mesmo que a ansiedade seja enorme (difícil de controlar, mas não impossível).
Até que seja necessário ir para o escuro (sem saber como vamos ficar, mesmo que tenhamos medo que seja pior).
E valorizar o que sentimos (o bem estar com origem em sentir respeito por mim).
Não aceites menos do que mereces, mesmo que receies a dor trazida por uma possível quebra.

17.1.08

Colou-se

...preso no meu rosto, sorriso parvo o que a mim se colou. Desde o dia em que descobri, a cor desta vida que em mim brotou!
Não podia ser diferente? Corar em frente de toda a gente?
Recordo aquele momento em que já não me ouvia, de uma rouquidão percebida...
Tontice, falar de tudo e de nada, esperar por uma palavra, assim na feira de olhares... conversa observada! Tontice maior!! Deixei de ver, ouvir, pensar, voltei a ser uma menina perdida e com vergonha de errar na hora marcada.
Pensava já não saber como era, que já não existias mais. E estar num sitio conhecido e sentir coisas dos demais.
E que sonhar que nos faz, que ilusão nos transporta, ficar com ele estampado, voltar a sentir a bela personagem: a perfeita idiota! Alguém que me acorde?!
Dá para rir, voltar a desejar ficar a falar, sem o tempo a esperar e sentir um olhar maroto a perscrutar ideias por desvendar.
E a Primavera tão mais perto num vai e vém de dias a correr, de filas a percorrer, de números a crescer, de vidas a conhecer.
Colaram-se a mim estas cores, sou um jardim ambulante, a entregar em cada abraço mil flores, e a voz essa, mantém o charme intrigante...

13.1.08

Ilha

a relatividade
do simples ao complexo
quando cansados
o mundo não aparenta nexo

cremos ser uma ilha
não preciso de ninguém
basta-me o meu poder
sinto-me alguém

reduzimos a necessiade
inabaláveis a um furacão
implacáveis como rochas
zás, valente trambulhão!

já de joelhos
desejamos ter companhia
partilhar o que pensamos
dar sentido a cada dia

pedidos para esquecer
palavras e momentos
querer andar para a frente juntos
valorizamos a bondade dos sentimentos

precisamos sempre de alguém
para saber que existimos
que nos lembre de respirar
e encontrarmos o que sentimos

sentimos, logo somos!
agrupem-se aos molhos!
o mundo gira com sentido
abram-se a tempo os nossos olhos.

5.1.08

New Year's Resolutions

1. Acerca de ti... Sai das muralhas das tuas memórias e constrói outras novas e bem melhores! Não te esqueças dos factos, do que te fez decidir. Para o caso de precisares de ajuda não te sintas mal por isso! Somos humanos e estamos sempre a aprender. Assim, nos momentos de fragilidade se recorrermos a alguém demonstra inteligência e bom senso.
2. Acerca da partilha... Em todas as relações há motivos para a separação. Mas a chave pode ser encontrar motivos para o casamento!
3. Ir ou ficar? Diz-se que, dos fracos não reza a história. Se arriscas a tua pele, que se dane, mas não te conformes, não estagnes até saberes o que precisas para poderes seguir.
4. Confuso?Também precisamos de parar. Às vezes é o melhor. Não mexer! Senta-te. Observa e bebe energia. Organiza-te. Talvez depois consigas perceber para onde é o Norte!
5. Medo? Há sempre portas por abrir, janelas para espreitar. Não tem mal ir lá ver. Isso é dar um passo ou dois! E, mais importante, perceber que há alternativas e outras realidades para além da nossa.Por fim, mas não menos importante. Não te esqueças que estás vivo e tens poder sobre o modo como vives.

Voltei a mim

quanto quis e amei esse momento
ser um rio a caminhar para o mar

sou eu mesma, nas manhãs apressadas, nas noites frias
sou mais do que o desejo que quiseste, mais do que uma cabeça a rolar
e do que as minhas conhecidas histórias
onde queres uma mulher, onde queres uma amiga, uma louca, sou eu ali
a pedir-te que fiques para me revelar

querer ser essa pessoa: fizeste-me
buscaste ternura, fui heroína
quiseste saltos, fui campeã
conquistaste um coração aberto, escancarei-o
acertaste-me, atingiste-me
fechei-o

não contive, estava triste, perdida, cansada,
o que te encantou nessa conquista? desejo exposto em toque num caracol meu!
confusa, fraca, desgastada
gostei desse teu modo de sedução, e tu negas esse teu eu?

ainda dou por mim a pensar se terá sido isso,
o instante perdido
hei, volto a mim!
sou eu mesma, nos gestos de um pastor

passou o tempo, trouxe tudo comigo
o tambor de batidas dentro de um coração
estou mais eu ainda, não sei como consigo!
sou dona de um dom que tenho e não sei onde fui buscar
mesmo que às vezes me esqueça disso,
adivinho que depois essa certeza vai lá estar
é profundo

é isso que me liberta: a felicidade de instantes perdidos… pareces
presa à vida e dentro de mim
ainda me tornas grande, ainda me adormeces
quero ser sim
quero voar assim
no espaço livre longe dos teus beijos, roubados num acaso
e devias sabê-lo
voltei a mim

custa-me ver-te chegado a esse posto,
pareces dar milho, encenas peças estudadas no meio desses ais
alimentas o circo que um dia pode pegar fogo
a Terra é antiga, o milho é para os pardais!
já o o amor é para quem sabe, acredita e segue a lutar
até quando fugirás de ti?
és filho de pássaro e ave sabe voar

belo é a pedra que rolou e apanhámos
belo os dias anteriores a isso, depois zás!
os factos que agora lembro, essas certezas que sabia tê-las
e deixaste-me acreditar, para depois rolares para trás

se puder não volto jamais
sozinho sabes fazer correr a vida, prender-me
ao meu lado desvias-te e escondes-te
conquistaste para nunca mais quereres ver-me

ainda que tenha acreditado nisso e ainda me perca
ainda seja nós dois
quando o Sol brilha noutras paragens e o dia se desfaz
lembro-me da luz que acendias
depois… foste apagando, sem dares por nada
não admites esse veneno, a mim que acreditei
que mesmo assim estive lá,
mesmo depois
alcanço isso hoje
esse furacão não és tu, mas deixo que acredites se te dá Paz
nunca te esqueças que a vida é um casarão e vivemos todos cá!

2.1.08

Cambada de COMILÕES!

*Fumar
Polémica em torno do membro da ASAE: puxou pela bela da cigarrilha no 1º dia do ano. É tema com dimensão internacional? COMO?! Na minha terra chamo a isto h-i-p-o-c-r-i-s-i-a:
.Quénia - 50 pessoas queimadas vivas numa igreja (hum, em 2008?)
.Paquistão - adiadas as eleições (quantas páginas?)
.Portugal - preço do pão sobre aproximadamente 9% (em 2008... sério?) O Sr Crude tem as costas largas, e aqui vamos nós para mais um ano... mas disto tudo, o que é que afecta o mundo? Deve ser, claro (!) o que dá mais "cliques" nos belos dos jornais online.
*Novo acordo ortográfico? "Ótimo, que belo ato para todos o adotarmos"!
Eu sei, a resistência à mudança é um comportamento provável, não tivesse estudado Psicologia Social: "se escrevo assim há 28 anos, porque é que agora tenho de o fazer de forma diferente?". Pontos positivos:
.Português é a 5ª língua mais falada no mundo. Somos 210 milhões a ter de nos adatar. Ufa, mais descansada.
.Vamos ter mais 3 letras: K, Y e w! Passamos de 23 para 26 letras.

Espero não ter naufragado. Ou então, pareço o outro, "falam, falam, falam, falam, mas ainda não os vi a fazer nada! Quem é que faz quilómetros?"
Como dizia um Cliente no outro dia numa loja de uma grande operadora móvel: CAMBADA DE COMILÕES!!

Com mais palavras e sem o novo acordo ortográfico, dizia Pessoa acerca de Portugal:
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro


Bem, mas agora que já fugiram, falemos de futebol. Sabem o que é um café à Benfiquista? É um café fraquinho.
Arre que até sobre bola te esticas!!

E com a ventania que hoje brindou a 2ª noite de 2008 me vou. Fui!

28.12.07

Vem aí mais tempo!

contar a vida aos anos é ir para fora de pé
pensar que se parte para uma nova fase sem ter de nutrir o corpo e a fé agrava a culpa,
dá à vida um aspecto fútil
e os anos são unica e meramente um bem útil!
o calendário das horas não se reparte de 300 em 300 e tal dias
partilha-se em instantes, fragmentos do que cada um é e...
o que se sente nas melodias.
tenho uma forma estranha de dizer que a vida é tudo menos gerir a idade
basta de julgar a vida com futilidade!
está ai para ser vivida
chore-se, grite-se, deixe-se o medo
deseja a vida para sentir o corpo, os abraços... sofrer, amar
e, de preferência, acordar para quem somos o mais cedo
fazer rir outro, dar de beber a alguém
receber nos braços o quente, no colo aquele momento
respirar o perfume misturado com alguém
e aproveitar o grão de areia de cada sentimento
bebe as gotas doces, sente o Sol, deixa que o mar te lamba a pele,
faz babuseiras, trapalhadas se não sabes viver de outra forma
mas aprende com o tempo, com as marcas, com as vozes, tua e de outros
e entrega-te a ti, acredita que de tudo há uma retoma!
o que nos deram não tem manual
não nos disseram como seria ou os truques para saborear
quero apenas por palavras vos lembrar
passou algum tempo, vem aí mais
e com jeitinho, tempo de valor a que vamos dar cheiro e podemos pintar!

25.12.07

Escangalhar a Rir

Imaginam como se pode ser apanhado enquanto se usa um WC público no Japão?
Imaginam o calibre de reportagens no Norte de Portugal?!

Uma bela risada no dia 27 de Dez de 2007 para todos!

19.12.07

Natal bem humorado

Este Natal aproveitem também para RIR!



17.12.07

sonho que o Sol nunca parte


quando passo por ali de carro
penso se estarás a ouvir-me
se escutas a rádio naquele momento
estás ali ao lado, apercebo-me

e se o tempo se distrair
se os sonhos passarem porém
mais uma vez desaparecer
e não mais sentir essa paz mais além?

se por não saber o que sei
se por perder o que tenho
se viver destes ses
sem saber ao que venho?

tranquilo!

algum dia
em alguma parte
em nenhum momento
caminharei sem essa arte
porque cada vez que sinto
que sei que posso
levanto-me para respirar
o meu amor que é de aço

Genial!

É tempo de Natal, de momentos intensos, arrepiantes, calorosos, fraternos e geniais! Aqui está um achado. Ver e ouvir para crer!
Bem hajam
Isa

10.12.07

Apologize - Timbaland

Há nesta época meio mundo a correr atrás dos seus perdões. Há tempo para cultivar, tempo para colher. Há tempo para errar e reconhecer os erros. Esta deve ser mais uma das razões pelas quais o Natal é quando um homem quer. Nunca é tarde para reconhecer um erro, ainda mais perante nós mesmos. A vida tem-me ensinado... Ensina-nos a seguir! Abrir o coração leva-nos para perto da PAZ.

8.12.07

Encorajar os bons momentos

Hoje é Dezembro. As emoções começam a estar ao rubro. Talvez fique mais sensível... Não sei. Um qualquer astrólogo poderia explicá-lo. Ou não... Ou sim... Que importa o motivo quando não o conhecemos?
Às vezes perdemos tanto tempo em busca de um motivo e pode ser uma "conjectura de factores".
Na vida é importante não esquecer os factos que nos levaram a tomar determinadas decisões. Assim o acho, para n
ão deperciçarmos tempo - esse bem tão precioso - a cometer os mesmos erros.
E quando não os conhecemos? A vida tem-me mostrado que, mesmo que não os saibamos, um dia esbarramos neles.
Detesto ser tão racional, mas nos momentos emotivos ajuda a não perder o Norte. E a vida são momentos.

3.12.07

Memórias que te agradeço

dessas cordas esticadas/que miro com atenção
saem tacadas/direitas à emoção

parece que me despem/não sei se te diga se te conte...
levam-me para uma margem/e cega atravesso a ponte

deslizo e toco nessas curvas bem tratadas/descobertas nas noites ousadas
pelas sagradas formas desenhadas/durante horas entrançadas

estas memórias que te agradeço/acompanham-me até ser pó
colam como melaço/e evaporam a sensação de só

Foto:Formas Entrançadas:Sintra:Ago2007