A inscrição em cada um dos cursos é feita no acto de inscrição no Mestrado Executivo. O custo de cada um é de 125,00€, um custo simbólico face ao seu preço de mercado e visando, somente, cobrir os custos operacionais de funcionamento." (http://indeg.iscte.pt/cursos/mestradosexecutivos/informacoes/calendario/). O mestrado já ronda os 5880€ (PREÇO PARA AMIGO...) e depois tem o valor simbólico da inscrição.
18.5.08
Preço simbólico
A inscrição em cada um dos cursos é feita no acto de inscrição no Mestrado Executivo. O custo de cada um é de 125,00€, um custo simbólico face ao seu preço de mercado e visando, somente, cobrir os custos operacionais de funcionamento." (http://indeg.iscte.pt/cursos/mestradosexecutivos/informacoes/calendario/). O mestrado já ronda os 5880€ (PREÇO PARA AMIGO...) e depois tem o valor simbólico da inscrição.
Entram os violinhos...
Hoje gozo um pouco do dia de "não fazer nada", completamente colada a um sofá, de portátil no colo.
Hoje passa o lendário Titanic na tv. O filme em que se brinda "faça com que cada dia conte". É um pensamento que tento não esquecer mesmo quando os momentos parecem banais. Os banais são alguns. Mas confundimo-los muitas vezes com os únicos e de valor.
Hoje recordo a cena do filme que considero perfeitamente possível de acontecer e talvez uma das mais chocantes: entram os violinos, primeiro para entreter as gentes, para ocultar o desastre, para adiar o inadiável, depois para manter quentes os homens que transportam o ritmo consigo.
Hoje o som dos violinos está mal distribuido pelo mundo. Em alguns sitios ouvem-se, gozam-se. Outros são tocados e não são notados, nem sentidos e nem valorizados. Noutros não existem, nem lhes é dedicado um espaço. Qual o equilíbrio nisto?
13.5.08
Gasóleo a 0.086€ o Litro
Isto não é publicidade enganosa. Estes preços existem. A foto provocatória foi captada há uma semana em Gibraltar. De carro são 8 horitas. Palavras para quê?! Há imagens que valem por 1000 palavras.
Sorry mãezinha, não consigo, é mais forte do que eu:
Cambada de COMILÕES! XULOS!!!... UFA!
(às vezes o meu mau feitio transcende-me, bem como a economia da energia da qual dependo e movimenta o país).
Mocos do meu bairro
Hoje escolho Mister Geldof.
Sem apresentações (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bob_Geldof), dou o passo seguinte: porquê falar desde homem?Simples. Decidiu optar por utilizar no seu todo a escala de um sonómetro para lembrar ao mundo aquele aspecto abafado entre vozes, aos olhos de todos, mas que é tabu: corrupção. De repente, toca-se no assunto e todos se levantam para falar. Pronto, deixa de ser assunto para "má logo", e passa a estar nos jornais. De repente, descansa-se o tema "Angola como país com maior taxa de crescimento" e passa-se para "Governo angolano criminoso". Temos passado ao lado desta realidade, mas são factos, existem. Não é preciso ser irlandês, músico ou activista para o saber.
Onde convivem algumas das maiores disparidades sociais? Luanda.
Algumas:
- chove: pessoas na rua tomam banho, trânsito descomunal
- carros montados a partir de peças de outros carros: bus com porta deslizante (nas toyotas) que são colocadas e retiradas a cada entrada/saída de passageiros
- a casa/palácio do Presidente de Angola precisa de mais espaço: extende-se o terreno para uma das ruas
- auto: circulam os carros mais caros, os modelos mais luxuosos, modelos que não vemos em Portugal
- ... e todo o terreno, é que as estradas têm mais buracos do que asfalto(!)
Mais havia.
5.5.08
valente carrossel
encontras-me à tua espera
estou sentado muito sereno
despreocupado com o tempo que impera
corremos apenas para chegar
à hora do abraçar
nesse valente carrossel
em que te levo a viajar
quando me cerco de ti
pouco fica por saber
perdemo-nos nas descobertas
dos caminhos do nosso ser
e poucas as palavras
que proferimos para trocar
mesmo sem de um nada saber
optámos acreditar
na empatia que partilhamos
no espaço que nos medeia
no poder que ganhamos
quando este desconhecido se ateia!
26.4.08
sem despedidas
aceito
há sensações que não explicamos
sei que é assim
não vale fugir do fim
encontrada a sensação boa
ainda com medo da não verdade
na correria que é Lisboa
surge a louca realidade
não sei
viver sem acreditar
não faz parte
ser diferente no andar
não faz sentido
sem isso respirar
sem acreditar não ando
cambaleio em dunas atormentadas pelo vento
sem acreditar não te deixaria entrar
ficar, respirar, chegar para aqui e ocupar o assento
na porta da minha vida
houve quem ficasse a espreitar
contigo viajo nas estrelas
aquelas que reacendeste e teimas fazer brilhar
se consegues ler os meus lábios
não leves de mim esses olhos
e no silêncio cúmplice do segredo
ambos de joelhos
plantar flores neste mundo
ver-te sorrir hoje e amanhã... esse rasgar eu mereço
mantém firme a segurança desse fundo
e resiste mais um pouco, eu aqueço
25.4.08
23.4.08
formas secas

o que te desencantou da vida?
ou será que nunca te molhaste?
os pingos terão inundado a tua pele envelhecida?
quando caminhas pelos passos acostumados
na pressa e no peso que trazes contigo
e nos pensamentos falados e atrapalhados
pergunto, costumas brincar além fronteira do teu umbigo?
com quem falas depois dos sustos, quem ouve a tua lamúria?
e se dizes sempre o que pensas, o que guardarás com tanta fúria?
se te secaram as emoções, o que deixaste por fazer?
se te afastas do mundo das mulheres, o que te faltará viver?
deves transportar sonhos ocultos dos demais
e por trás dessa máscara dura, também terás os teus cristais!
se depois dos teus anos vividos, já não te prendes pelos sinais,
então, porque sorris aos desconhecidos e te pintas todos os dias iguais?
será que ainda sorris a umas flores? ou as acharias banais?
o que fará secar uma mulher? o que nos afasta da vida com emoção?
o que nos deixará a reboque de um trabalho? porque deixamos de irrigar o coração?
Mulher, no tempo de cultivar, prende o teu rosto ao dia,
entrega-te à luz da madrugada, experimenta a tua harmonia.
deseja o brilho dos primeiros raios, não aceites a noite como tua única companhia.
e se um ombro te for oferecido sem ensaios,
colhe-o se sentires nele a vontade de te querer viva com alegria.
14.4.08
Micro-ambientes

O ambiente em que crescemos irá condicionar quem e o que somos. Não é factor único, ou seja, não actua sózinho nem impera isolado. Mas determina muitos aspectos de cada um de nós.
As nossas famílias não são calculadas com base em aquariofilia. Não escolhemos o cenário ou as personagens que vão viver nela. Mas temos poder para criar uma melhor ou dar a nossa mais valia para melhorar/interferir/apoiar/olhar pela que temos.
No nosso caso, a minha familia teve um incremento recente: 5 peixinhos de água quente (gentilmente oferecidos por uma amiga).
A vida não mudou, mas não posso dizer que este ambiente seja indiferente às pessoas de quem gosto muito!
Boa noite mundo,
Figueirinha
10.4.08
Pé nu
Vejamos se confere. Vou lançar os buzios!
1.Um dia fui à praia. E na praia a Diana Chaves vi.
Passeava com ténis de 20€ e levava na trela o BOBI!
2.Manchete na Caras: "Diana Chaves faz furor com sapatos comprados no armazém de calçado na zona industrial de Alfragide".
Alegres Tontos
miudo franzido, torcido
alegres tontos
olhares desviados, cercados, (des)concentrados
pensamentos (des)ordenados,
dois rostos amarrados,
(des)alinhados, amuados,
lábios cerrados
perder esse sorriso, custa
ganhar essa seriedade, assusta
pestana cansada, isola as mentes, troca-nos as voltas,
bloqueia o que sentes, névoa no tacto distorce-nos as lentes
nos entretantos dorme-se, entrega-se paz ao momento
despertamos anestesiados, volta tudo ao pensamento
agorro na bola
dou-lhe uns xutos
marco um golo no dia
revejo estes sustos
reduzo-lhe os custos
e guardo a cena que vi(vi) de putos!
7.4.08
Donos do mundo
6.4.08
mocos ambulantes
o que se passa lá fora para além do meu eu? o que absorvo em mim e guardo meu?
sou a minha companhia, na tristeza e na alegria, todo o dia, na realidade e na alegoria.
mando no que digo e no que faço. tenho efeito em outro alguém. para além do EU o TU existe. e eu não vivo sem!
tenho raizes que questiono, posso mudar o presente, escolher a direcção da minha acção, posso fazer diferente.
no mar grande em que vivo, nas ondas em que passeio, ponho sentimento em cada grão que piso, existe tanto para além de mim, sei-o.
respirar para viver, viver para cuidar, estar para dar, receber para deixar partilhar.
e nas voltas que damos, encontramos mocos ambulantes, perdidos no seu corpo, valorizam as suas certezas como diamantes.
livres são-no de escolher, viver apenas o seu ser ou abrir os braços às sensações, vivem no quase viver, vivem quase as emoções.
e porque não se ouvem? porque não param um momento? porque partem logo para o tribunal, porque preferem sempre o julgamento?
usam os olhos para condenar, as mãos para mandar, antecipam quem ouvem cantar, não se importam se vão derrubar.
não querem saber os motivos, verdades como clarão, adivinham tudo antes de o ser, os erros dos outros não merecem perdão.
se se ouvissem, viam-no. se se vissem, sentiam-no.
não se mancam que por viver na escuridão se encontram cobertos por uma tremenda ilusão?
raramente são uma mais valia
largam frases com gozo ao vento sem o seu valor importar
e com as horas a passar, é fácil adivinhar
um dia embrulham as pedras de quem as recebeu e, com dor, as teve de calar.
30.3.08
Sorrir e acenar
se do lado da inveja ou um lado menos urso.
se não te podes defender, então ajuda saber:
corjas têm dias contados, sem dar corda aos sapatos
corações despedaçados, ardem sózinhos, morrem queimados e desolados
serão sempre mal tratados.
não acreditam,
apodrecem e definitivamente secam.
que tal arranjar uma vida? sarna para coçar?
ah! e nos entretantos escavem o cérebro
há minhocas por desenterrar.
liberdade não a sabem viver? então ultrapassem os fantasmas
e ponham-se a andar
longe para não vos ver,
ninguém gosta de se arrepender
se um dia vos cobri de escamas
hoje, larga-vos ao mar
e a tudo o mais ao qual não conseguirão escapar!
24.3.08
na flor d'olhar

as flores dos caminhos mais fáceis, são espinhos que cegamente abraçamos
no simples acredito e do complicado me afasto, que o tempo não me apresse, com tacto, quero tudo o que é
olftacto, olhos nos olhos, pé ante pé
sou grão, mero ser, com princípio e fim, tanto há que ainda hei-de saber, nada começa e termina em mim
de mim não escondo: actos são factos, não posso negar o que vivi, tudo o que gravamos no chão
amigos, guardamos bem fundo no coração, não se compra a compaixão, nem a união, nem uma mão
na flor d'olhar, ante atribulada aflição, onde se podia ver impossível levantar, nasce tremenda força em simples atenção, sem medo de se lançar, de suar, de se juntar ao que ainda é vivo, sem precisar ser criativo
ganha-se do nosso ajeitar, ganha-se por sermos iguais a nós mesmos, no aceitar e estar lá, sem importar se já crescemos
as minhas palavras não são notícia, nas ossadas, até pesadas, deixo-me apenas sentir
se revelasse tudo o que vejo já ninguém me queria ouvir
falta-me jeito para explicar
assim olho a fita a rolar e vejo... muitas pessoas sem maldade na sua natureza, fechadas na sua pequenes que teimam em favorecer o mau da sua essência, que se arrastam e escolhem jorrar risos da cor da azeda
sinto... deixo-me apenas sentir...porque se esquecem de si? até quando resistem a viver sem fingir? como podem aceitar que alguém sinta, se nem conseguem sonhar? porque há pessoas que só vêm perdas? não houve nada para ganhar? curem-se as pessoas que se julgam com destinos marcados e se viciam em vitimas que hoje já não são
pendurados, agarrados aos cabides, não é preciso ter varinha de condão, nem chegar a carvão
desabafo só, não sei nada
não desespero, não me entrego, páro e se precisar espero, não aceito o papel envenenado
mas e apenas aquele a que sou fiel, contrário ao de condenado
o meu é meu, com o meu errar e as singelas loucuras
quero poder respirar, dormir a acreditar que os sonhos maus consigo transportar
e asseguro que dedico um lugar altivo às minhas doçuras.
22.3.08
Deixar ser ao outro
Somos as mesmas pessoas perante pessoas e momentos diferentes, mas nunca conhecemos as nossas reacções a elas. Nunca sabemos totalmente quais são os nossos limites, porque uma parte do que fazemos não controlamos totalmente. Porque não somos totalmente racionais, lógicos e prevísíveis.
Há ocasiões que salientam em nós uma parte do que somos e outras há que despelotam outros EUs (tudo na mesma pessoa). Não sei se é por isso que, por umas temos mais empatia do que por outras, ou se é por isso que nos prendemos mais a umas pessoas do que a outras. Num mundo com tantas opções, alguns motivos hão-de ajudar a perceber a teoria da atracção, o que atrai umas pessoas a outras.
Uma coisa parece saber-se, é que há pessoas que permitem ao EU (que conhecemos) dar o seu melhor. Enquanto outras evidenciam os nossos traços que tentamos ocultar até de nós mesmos. Mas como temos poder sobre algumas coisas, as pessoas a quem dedicamos tempo podem ser uma escolha nossa.
21.3.08
"Hey you, come here. / Who, me?"
Maior certeza do que esta?
Mesmo que dê por mim perdida, que tente fugir de mim, assim do nada tropeço na minha vida e encontro-a sempre que é preciso!
teoria das palavras
não sei quantas já usei, de quantas abusei?
nem por isso são de borla
algumas caras, outras desnecessárias e se se pudesse, algumas seriam apagadas
depois de proferidas jamais extintas
perduram nos versos, no que falamos e na distância
se tivessem tamanho real, onde caberia todo o legado?
todas as já ditas, as pensadas, as caladas, as espalhadas ao vento, as criadas ao ritmo das marés?
belisquem-me até à zona sub cutânea para ver se acordo da dimensão desta questão dura como velha côdea
oh brincalhões da troca, oh escritores e oradores! se as palavras se gastassem, que seria de nós, comuns pensadores?
compravamos, gravavamos, poupavamos, r-o-u-b-a-v-a-m-o-s
arquivavamos, ecoavamos as preferidas num túnel sem fim aparente
corremos o risco de as perder? de que se socorria nesse dia a nossa mente?
se perto de se esgotarem, alguém me ajudava nessa caçada?
eu enlouquecia pela falta só de privada de libertar a minha alma enevoada
cantem-se, calem-se, soltem-se, repitam-se, escrevam-se, risquem-se, corrijam-se
pintem-se, GRITEM-SE
não acabe o que se inventou para dar voz
à constante nascente que nos faz humanos,
que veste a ideia e a tudo o que sentimos em nós.
17.3.08
preenche a todos e a ninguém
esbarramos em coisas estranhas, nunca as ouvimos e não as vimos
arrumamos o que não gostamos num quarto do mundo, seguimos mais fundo e de ombros encolhidos, de olhares desviados, andamos sempre fugidos e vestidos
fortalezas as nossas casas, tristezas as nossas carapaças
em cada pedra que mandamos fora, desperdiçamos energia, nem isso faz parar o relógio da vida, nem mesmo um único dia
se no meio de tanta gente não encontramos um espelho, será porque está tudo de costas ou refugiado em lugar alheio?
se nos dedicarmos a captar no olhar a verdade de cada mundo, de certo veremos muitas experiências sem precisar de ir muito profundo
não sei qual a melhor e a pior, nem sei se para estar vivo é preciso sabê-lo, sei que a solidão bate a muitas portas e o estado SÓ todos temem vivê-lo
também não sei se é preciso experimentar tão grande tristeza, a que preenche pessoas em todo o lado, mas em nenhum lado encontram mais do que essa cruel certeza
pelas praias, pelos autocarros, pelos centros de saúde (ou de encontro), anda tanta gente viva a sobreviver às pedras, sem sininho, no silêncio, no escuro, na velhice, na pena de quem viu antes um jovem, e agora apenas um corpo no caminho
a solidão é como a areia, cobre tudo!
chega aos mais infímos recantos, amarga, arrepia, derrama, e afasta os sonhos dos seus 1000 encantos
se basta a força do vento para mover moinhos, porque será que a vida humana não basta aos mais sózinhos?
mais um corpo que passa, mais uma vida que passou
a solidão preenche a todos, mas ainda ninguém a roubou
13.3.08
borboletas a voar
o desejo real
namorar esses dedos
cobertos de sal
vaguear pelos verdes
que iluminam a aventura
perguntar-te com atrevimento
doce ou travessura?
memoriza esses passos
no futuro irás precisar
mas agora que floresce
descontrai, há borboletas a voar
agora!
fecha os olhos
é o melhor
ficar no escuro
não digas nada
porque é agora que absorvemos o sabor
cruzámos muitas águas
até chegar a este porto
e se desta vez a corrente aumentar
sem medo,
o direito precisa do torto
mostra-me essas mãos
elas não mentem
deixa-me flutuar
quero ser nuvem...
mais que um cartão
um pouco amarrotado
poderias ter mais cor
mas aceito-te mesmo desgraçado
pego-te pelas orelhas
que corpo tem este pedaço
domino-te as dobras duras
e colo-te ao meu regaço
o calor que emanas
preciso em dias de Inverno
proteges-me do frio
e tudo o que me separa do inferno
se os raios forem fortes
segues-me até à sombra de uma arcada
sento-me em ti a beber os que passam
os seus corpos e a vida emporeirada
se o dia é de chuva... então és como a lágrima
por onde passa amolece
nem preciso de te rasgar
ficas encolhido e tudo te entristece!
pego em ti gentil cartão
dás-me que sobra quando estou comigo
enrolo-te mais um pouco
fumo-te e relaxo o mais que consigo
ora, fizeram-te belos recortes!
agora estás todo pimpão,
deram-te formas redondas
e és um postal em forma de coração!
9.3.08
Festival da Canção dos Coitadinhos
8.3.08
fórmula do meu ser
para te salvar do escuro e dessas penas que te cobrem
podia ter ficado e abraçar-te para sempre
mas alguns de nós descobrem a tempo que nada nem ninguém tem esse poder
dependeria de mim não chover naquele dia?
estaria ao meu alcance esperar por ti, para te veres?
faria sentido acordar só por ti e para ti se queres continuar a ter pena de ti?
para quê continuar a vida num contínuo desnecessário e penoso?
não preciso de saber o que pensas, não mais!
quero saber a que sabe a chuva de um qualquer dia
não quero saber como o Sol queima a tua pele
realmente prefiro ser fiel a mim mesma
manter o respeito por mim mesma a perseguir-te como a um sonho
e se lá longe te encontrar depois do adeus
não escolho odiar-te
ainda assim, com motivos para te apagar
sorrirei porque um dia te abracei
1laranja + 1laranja = amor

Começo este post talvez pelo seu fim.
Vou ao Google e busco. Vou ao hi5 e pesquiso. Vou ao mar e pesco. Respiro e inspiro ar. Caio e encontro o chão. Salto e elevo o corpo. Falo de sentimentos e toco os motivos porque vivemos. Sinto e sou. Não procuro ser. Muitas vezes encontro-me! Dou-me e sinto. Não procuro dar-me.
Amo e estou na casa do amor. Não busco amor. O amor vive-se, experimenta-se, partilha-se, dá-se, recebe-se, cultiva-se, cresce, desgasta-se.
Aos 28 anos é ponto assente: o amor encontra-se, constrói-se, não se procura.
Crescemos e logo aumentam as nossas histórias, mudam as nossas referências, ganhamos defesas, desfazemos preconceitos e evoluímos. Não evoluímos todos no mesmo sentido (é como a economia: evolução positiva, negativa ou estagnação). Não temos os mesmos quereres, vontades, nem a mesma noção do sentido da vida, da importância de cada dia, do valor das pessoas, dos momentos, do valor único de cada um.
Não acho que existam diferentes formas de amar. Mas ao mudar o objecto que amamos (pai, companheiro, amigo), muda a forma como vivemos o amor, como este se traduz. Praticamos o amor na forma como o sentimos. Não sentimos atracção física por todas as pessoas que amamos.
O modo de sentir também evolui, não na intensidade, mas aquilo que lhe associamos: as expectativas, os valores positivos e negativos.
Posso já ter achado que faria sentido que a pessoa para a vida devesse ter o que eu não tenho, o que eu não sou, porque associava isso à plenitude, harmonia, à felicidade encontrada em partilhar o que sou com uma pessoa assim. Hoje rio-me disso! Olho à volta e procuro entender se isso faz sentido nas relações que tenho ou que tive. Hum... Não faz. Nas pessoas com quem me rio, não faz. Com quem passo os meus dias, também não! Então porque faria sentido entregar a alguém o lugar da minha metade? Para garantir o quê? Para receber o quê, a metade?
Somos o que somos. Alguém é o que é. E é por ser quem sou que alguém se interessa, se apaixona e pretende que a sua vida passe pela minha. Não porque sou lutadora e essa pessoa é menos do que eu. Ou porque eu gosto de fado e essa pessoa gosta de música disco. Ou porque sou romântica e a outra pessoa é mais terra-a-terra.
Isso seria entender que a nossa felicidade em comunhão com alguém dependeria única e exclusivamente de como a outra pessoa é e do que eu não sou. Bem, seria fácil, básico! O amor seria algo totalmente racional, previsível, controlado... TRETAS. E ignoramos o que sentimos? O poder que temos? O valor das nossas acções?
O amor faz-se a 2. Não se faz com duas metades. O amor não são 2 metades de uma laranja, mas 2 laranjas. Cada uma no seu todo, com as suas características intrínsecas, com os seus travos amargos e doces. Cabe-nos encontrar alguém com que nos sintamos bem, que nos respeite, mereça o nosso respeito, as nossas lutas diárias e nos aceite como e pelo que somos, que aprecie/valorize a nossa companhia e também tudo o mais que faz parte de nós, defeitos + virtudes. Que nos ache extraordinários e mesmo assim esteja ao nosso lado quando caímos, falhamos e deixamos de ter força para acreditar. Lá está, extraordinário o ser que decide estar ao lado de outro ser para o que der e vier e, nos momentos menos bons, recorde a outra pessoa da sua força e lhe mostre os motivos pelos quais vale a pena escolher viver uma vida que não é banal.
Já agora, o amor não se basta, o amor precisa de espaço, liberdade e um lugar importante: o do elo invisível que suporta a vida.
Jamais aceitar que as pessoas se juntam umas às outras porque a sociedade impele a que a vida seja vivida a dois, mas e somente pelo sentido que isso faz na vida de cada um.
2.3.08
Jardineiros Amadores
Se me pusesse aqui a falar das primeiras impressões, dava convosco voltas ao mundo e juntávamos milhares de opiniões! Não sendo as mais certeiras, são as que prevalecem.
Tantas vezes damos por nós a dizer "e eu que te julguei assim". Ou então "tens essa cara de anjo, mas depois...". Ou ainda: "quando te conheci não fui nada com a tua cara". As primeiras impressões enganam-nos e mesmo assim temos uma forte tendência para nos guiarmos por elas.
Na vida o que acontece certo à primeira? Tiramos a carta e engatamos bem o carro à primeira. Hum... conseguimos fazer bem um passo de dança à primeira. Pronunciamos bem uma palavra estrangeira à primeira. Sei lá, muitas coisas podem sair bem à primeira. Normalmente chamamos-lhe "sorte de principiante".
À segunda.
O amor à primeira vista é daquelas crenças que não tenho. Continuo irremediavelmente romântica. Isso está em mim, sou-o. Bem, então podia lá voltar uma segunda vez, podia ser que à segunda lá passasse e fosse amor. Mas nestas coisas a sorte não é predominante, não no amor.
Há dez anos, estava no Bairro Alto quando um adulto me revelou a seguinte crença "o amor é atenção". Claro, eu tinha 18 anos, ouvi, aceitei, mas pareceu-me assim um dado adquirido que eu não queria adquirir!
Anda tanta gente a falar de amor. Aqui, ai e ali. Na TV, na rádio, nas músicas, nos livros, no cinema, no teatro, nos cafés, nas revistas, na internet... Não passaram já tantos anos para se saber do que se trata então? Todos queremos saber. Humano complica, não é? Quem é que ainda não se perguntou: "será amor?"
Mudará com a época? De geração para geração? Tem cores diferentes?
O amor mais longo que conheço é o que vivo na minha casa. Tenho, dou, partilho amor há 28 anos. É diferente daquele amor que as músicas falam? Não chamo amorzinho, ou honey à minha mãe, nem lhe digo que é o meu Sol, mas lá por isso não deixa de sê-lo.
O que me faz amar as pessoas com que vivo durante estes anos? Entendimento, atenção, cuidado, carinho, comunicação, preocupação, admiração, respeito, amizade, agradecimento, e tantas coisas mais.
Dizem os brasileiros uma expressão engraçada "familia a gente não escolhe". Pois é, nascemos numa familia. Mas escolhemos com quem queremos juntar à nossa ou para construir a nossa-nossa família. É aqui que c-o-m-p-l-i-c-a-m-o-s.
Obviamente que não vou casar com eles. Faço apenas este aparte para entender o que faz com que as pessoas se amem pela vida, se desejem numa vida, sintam falta na ausência dos dias não partilhados lado-a-lado, dias que são tudo menos banais.
À terceira... diz o português que é de vez!
O amor não nasce num encontro, numa troca de olhares, nuns roçanços quentes, no encantamento por um decote, na atracção por um corpo esculpido, numas pernas musculadas, num perfume tcham, num sorriso encantador.
Acerca da paixão já acredito em algo diferente. A paixão nasce assim. A paixão é selvagem. Não precisa de ser semeada ou regada. À primeira, a paixão pega. Sustentada por uma luz forte e doce, uma água caida do céu e com cores sonhadas.
O amor precisa de ser naturalmente cuidado, naturalmente regado, luz natural q.b., ciclos, épocas como a Primavera e também o Inverno. Tem de ser naturalmente bem-vindo para resistir aos tufões, deve ser naturalmente genuíno. Não deve ser preso ou vedado, mas deve ser abraçado.
As flores campestres são as minhas preferidas. Posso tê-las em canteiros, mas não será a mesma coisa que vê-las num passeio pelo campo.
O amor precisa de ar, liberdade, admiração, amizade, música, chuva, Sol, Lua... de momentos partilhados, de zangas superadas, de discórdia e, consequentemente, de crescimento.
Diria por fim que, quem conhece e concebe o amor é um autêntico jardineiro amador! Amador porque não precisa de tirar um curso, de se formar em jardinagem. Precisa sim, de ser atento ao seu jardim, e cuidar, e fazer crescer, e cuidar, e suster, e cuidar, e acarinhar, e cuidar, e resmungar, e cuidar, e amparar, e cuidar, e admirar, e cuidar, e agradecer, e cuidar, e receber, e saber ter, e saber partilhar o que tem com outras pessoas, e cuidar : )
26.2.08
o silêncio não me incomoda
quando tudo parece voar
dou por mim meio perdida
longe a duvidar
se falo tudo é um abuso
se me guardo é monotonia
sei que nada sei
numa charmosa companhia
podia dizer logo o que penso
dizer se sinto o mundo assim ou assado
mas de que vale antecipar
uma visita ao meu passado?
depois sei que pareço indiferente
curta nas mensagens
concentrada nesses passos
distraida nas viagens
tenho de dizer o que sinto
o silêncio não me incomoda
ouve bem, que não minto
aprendo e aproveito para respirar
não é deconfortável
dá espaço à sintonia com o par
não é que me esconda
gosto do que sou
mas parece que ando esquecida
sem saber coisa alguma e ao que vou
como nem tudo o que parece é
volto a confirmar, apenas só sei que nada sei
nos mistérios de duas cadeiras
começo a ser natural
e pelo meu pé
descolo-me de caminhos onde andei
já me divirto nas brincadeiras
e a vencer com garra ao medo do mal
24.2.08
dançar apenas
desejo ser silenciada
dançar apenas
uma música compassada
entusiasma-me ser surpreendida
por um fim de dia diferente
nem demais nem de menos,
nem frio, nem quente
tirar a capa
soltar o franzido da testa
fechar os olhos para ouvir
ajeitar o pé ao sabor da festa
num movimento suave
em instantes combinados
esquecer o mundo sério e...
deslizar sobre tacos envernizados
não importa se é perfeito
isso não é preocupação
aproveito o momento
ali é lugar para emoção
nem é preciso ser super
basta deixar levar
com jeitinho chegar a vibrar
nuns braços atentos a guiar
custa pouco para ser bem
tenta lá sentir
o dj também está ao nível
podes só descontrair?
hum... espero ser credível
a bailar ficamos bem melhor a sorrir
21.2.08
surdo charmoso
são momentos replectos de delicadezas
ai! o som do pé ritmado
prende-me nesses dedos e solta-me o cabelo maniado
mas não me ouves?
não és o meu estilo
falo curdo?
se vês o futuro,
raios! não me leves à certa!
está bem, escrevemos um livro puro
prometes sigilo?
prometo ser mudo
nos jeitos desse corpo, nessa pele de belos trilhos
tens culpa nesse charme
ui, e nesses peculiares brilhos
levanta lá o teu queixo
esse olhar não é de timido!
nem tentes ser dissimulado
nem ocupar o lugar de desentendido
está bem, eu peço, não me deixes aterrar
prometo que se falhares, agarro-te e não deixo
vá...
empenha-te no meu lado bandido
17.2.08
Endeusamento
12.2.08
vozes e momentos
nesta grande cidade, com mãos livres
travo o tempo
oiço os que partem para o regresso e vejo neles o desejo de agora começar
tão perto de nós está esse lugar, cada vez mais longe
precisam ver-se, estar com eles
partilhar
entre vozes e momentos
neste pequeno espaço no mundo, de olhos postos no céu
páro os pensamentos
vejo as luzes a acender, o Sol a apagar e oiço os sons do dia a acabar
tão longe essa voz perto, cada vez mais próxima
quero sentir-me, estar comigo
curtir-me
neste grande casarão, com estradas e atalhos
mais fácil é comunicar, mais difícil é estar
dicotomia de prioridades, crescidas com as cidades
o homem é económico, é social e é emotivo
nem só acelerador e produtor, é também criativo e sonhador
somos castrados logo na nossa pele, privada de ser tocada pelo ar e colorida pelo Sol
gozar a amizade e a tranquilidade, não serão também direitos da Liberdade?
no fim, quando me escuto a mim,
restam apenas vozes e momentos,
e quando volto ao princípio,
novamente, busco as vozes e os momentos...
11.2.08
7.2.08
You make my day
começou o silêncio
sigo-te por um fio
que leve e que brio!
passou-me todo o frio
alguém me viu?
a curiosidade que me cobriu
eu não sei...
choveu? voámos?
you make my day!
o que te deu?
falámos?
era tango?
nah, era corridinho
agora em pares, torna a virar!
agora contigo, será que consigo?
mãos para cima, troca o pézinho
tens de saber, dei por mim a despertar.
leve o teu ser
onde guardas as asas?
vem para o vento
anda ver o show nocturno fora das casas
está tudo em movimento!
é rara
essa forma como te dás
seduzes pelo estar cativante
já agora, olha e pára
é só o tempo de te captar com o flash, zás trás!
apanhei-te, estás sorridente!...
fragmentos de momentos em mim
ante a esperança d'um dia te confessar
mantém-te sempre assim
a rir, a bailar, a estar
não se apague nunca esse farol
e se te encontrares tristonho, sem força para levantar,
torço para que todas as tuas lágrimas sejam secas pelo SOL
e tornes a dançar e a contagiar!
5.2.08
E se eu fosse...
Mais tarde somos confrontados com a seguinte pergunta: O que gostarias de ter sido?
Quando miudos podemos mudar de planos as vezes que quisermos e ouvimos o dilema do adulto: Então, mas tu estás a dizer-me que queres curar pessoas? Mas ianda ontem querias ser cabeleireira!? Pois, mas é que provavemente ontem a pequena viu uma super-mega-hiper-cabeleireira, que usava a tesoura como ninguém, sorria com os olhos, tinha um belo cabelo preto, cortava cada cabeleira como queria e olhava-se ao espelho sem medo da verdade. Lá vamos nós a sonhar outra vez: Quando for grande quero ser cabeleireira, usar aquela mini-saia, ter as unhas sempre bem arranjadas, um sorriso lindo e ainda poder cortar o cabelo das amigas, da mãe, da mana, da vizinha, do pritiquito da vizinha...
Agora é mais ou menos assim: Então, mas tiraste esse curso e estás a trabalhar nisso? Ou então Epá, deve ser um bocado triste, tantos anos a estudar e depois acabas numa secretária e sob ordens de um chefe sem coração.
Ainda rematamos: Afinal, também quem é que faz aquilo que gosta? Depois surgem os motivos: independência financeira, estado do mercado de trabalho, segurança, realização pessoal, etc. A tal conjectura de factores.
Ligamos a TV e assistimos ao Critiano Ronaldo a ganhar uma pipa de massa, a relacionar a felicidade com o dinheiro, e a rematar com algo do tipo O futebol é a minha vida. O homem é bom naquilo que faz. Será que o Cristiano queria ser futebolista? Lá está, quiça uma conjectura de factores!
Mais interessante é talvez pensar como nos víamos há 10 anos e reparar naquilo em que nos tornamos. Tem piada, aos 18 imaginava que aos 28 anos estava casadíssima, com pelo menos 1 filho e um homem que gostasse tanto da minha familia quanto eu. Não tenho qualquer compromisso, não tenho filhos e já não acredito em principes encantados. Mas é lindo fazer rewind, dá para produzir valentes gargalhadas!!!
Muda o modo de sermos, o modo de nos vermos, o modo de pensar a vida e de estar na vida. No entanto, e tal como já foi assunto em posts anteriores, não devíamos nunca perder a capacidade de sonhar, de nos libertarmos dos cais onde vivemos e visitarmos lugares distantes com pessoas fantásticas. Pessoas fantásticas há, lugares distantes também, mas o ritmo urbano priva-nos constantemente da nossa capacidade infinita de sonhar. Para quando um Dec-Lei que obrigue as pessoas a sonhar pelo menos uma vez por dia?
No fim das contas acho que íamos perceber que, embora não pudéssemos mudar de trabalho sempre que nos apetecesse, talvez melhorasse a nossa auto-motivação e percebessemos melhor quem somos, para onde queremos remar o nosso barco e onde queremos estar nos próximos 10 anos.
PS: Aqui entre nós... tinha poucos anitos quando a minha mãe me perguntou o que é que eu queria ser quando fosse grande. Ao que lhe respondi prontamente: eu só quero ser filha da mãe! Ainda hoje prevalece esse desejo!!! Mãe sofre...
3.2.08
Amor e Vinho
E tanto que a nossa educação, história de vida, amores, e outras coisas mais, dizem acerca de nós.
31.1.08
1 vela
O farol na imagem do Sem Naufragar é o do Carvoeiro. Aquela gaivota captei-a em Peniche (made my day!). E aquele pedaço de praia é na Terra Estreita, um dos meus refúgios na Ilha de Tavira, em que me perco entre grãos de areia, sou invadida pelo horizonte e bebo os sais, autênticos cristais de boas energias. Respirar ali será sempre uma das melhores sensações que já experimentei.
Se a vida são pessoas, se as pessoas proporcionam os momentos, se os momentos juntamente com as pessoas fazem os lugares, o Sem Naufragar tem sido um espaço de visita e um porto para alguns cibernautas. Segue um farol atento e em movimento, orientado a Norte, com histórias de palavras, imagens e sons.
Grata por poder escrever livremente e ser absorvida aqui e aí. Acontece naufragar... ora estamos na mó de cima, ora nem por isso... Mas, haja o que houver, tenhamos força para seguir, contagiar outros e nos permitirmos embalar pelos sonhos.
Nos sonhos vale tudo, até nos sentirmos como Reis do Céu if i could fly, like the king of the sky :)
Espreitem...
Vale bem a pena. Coloquem os phones nos ouvidos e deixem-se levar. Enjoy it! http://www.gmoura.com/blog/2007/05/vai-um-corte-de-cabelo.html
@braços
30.1.08
imperial sobre o mar
recordo-te assimimperial sobre o mar
força sem igual
trago-te em mim
um pedaço sem par
com valor sem fim
e desejava o teu alto
levada por esses ventos
sobrevoar os muros de basalto
misturar-me nesses tormentos
mesmo quando te pões em salto
e tremes por momentos
ambiente provinciano
terra solta e dura
se soubesse tocar piano
contagiava-te com doçura
juntava-lhe as vozes contidas
mais as paixões por ilhéus
o fogo que te deu as vidas
e criou as histórias lançadas aos céus!
Pico
que agreste é a tua paisagem
as tuas gentes enchem-te de luz
num Atlântico em constante viragem
o teu abraço agradeço
e tudo o que os meus olhos tocaram
mais os sorrisos esboçados
no meu coração nasceu mais um laço
guardo-te cá dentro com todos os cuidados
vais viver nos meus sonhos encantados.
25.1.08
alma nua
dificeis de traduzir
dimensões tamanhas
fortes no sentir
controlar
essa vela que teima
aroma doce
será que nunca queima?
a raiva contida
num cheiro a baunilha
em música que quero esquecida
fumada em comum cigarrilha
solta-me na corrida
sai pelos poros
farta de ser mordida
quando ardem esses toros?
sinto pressão
sobre a mente
a raiva é como veneno
torna o cérebro em serpente
cega pela cor dessa rocha
vou parti-la pedaço a pedaço
acender uma tocha
cinza desaparece pelo espaço
escolho os melhores para guardar
tantos que não cabem
nesta história que quero libertar
para seguir só e com o bem a que sabem
emociona-me ouvir estes sons
vagueio pelo passado ensombrada
mas no ar há cristais que respiro
e hoje sei, fui abençoada
de par em par
posso estalar os dedos para o céu?
apetece-me fazer magia
e entregar a minha alma nua
destapá-la deste véu
abrir o coração
e deixar de ser tua.
24.1.08
Teoria sobre o Elogio
Segundo a Wikipédia o elogio é o enaltecimento de uma qualidade ou virtude de algo ou de alguém. Uma oração funerária, dada em tributo a uma pessoa ou a pessoas que recentemente morreram, pode ser considerada um elogio. Pode também louvar, entretanto, uma pessoa que ainda está viva em ocasiões especiais, como aniversários, etc. "Elogio" deriva de duas palavras da língua grega ευ - que significa "bom" ou "bem" - e λογος - que significa palavra, frase, fala, etc.
Por partes. O elogio é o enaltecimento ou o reconhecimento? Se é uma qualidade, vai enaltecer, mas o primeiro objectivo é (acho) reconhecer algo bom em alguém.
Uma oração funerária, c-r-e-d-o(!) esta parte é um bocado macabra! Cada caso é um caso, mas mal daquele que recebe elogios depois de definitivamente moco para o resto do mundo!
Pode ainda louvar alguém em ocasiões especiais. Hum, vago! Vejamos, por esta ordem de ideias "ocasiões especiais" são funerais e/ou aniversários. Ou seja, uma vez por ano e/ou uma vez na vida. Excepto, claro, casos como o ocorrido recentemente: homem chileno de 81 anos ressuscita no seu próprio velório.
Se bem que o significado grego me deixa mais satisfeita (talvez por ser o ADN desta palavrita), definitivamente não concordo com a definição encontrada na Wikipédia.
O elogio é positivo. Excepto o irónico (dispensado!). Pode juntar-se ao Sr Cinismo, casar e elogiem-se um ao outro. Pronto, só se estraga uma casa.
O elogio não paga taxa, por isso, pode ser expressado sempre que houver a bela da oportunidade, a pessoa não precisa estar com os pés para a cova ou fazer anos.
Nem todos têm a capacidade de elogiar. E nem todos sabem recebê-lo e/ou aceitá-lo. Nem todos têm coragem para o expressar e, julgo que, muitos não a têm por medo de não saber como fazê-lo. Verdades ou desculpas para não praticar o verbo elogiar?
Se o elogio fosse dado através de um abraço ao invés de expressado por palavras, como seria? E por desenhos? Ou como no Hi5 por símbolos?! Toma lá um pin: "és um bom amigo".
Não sei como era há 30 anos, mas no nosso dia-a-dia parece-me que dedicamos pouco tempo a dar estímulos positivos a pessoas que efectivamente podem ser reconhecidas pelo seu mérito, esforço. Se o tempo que lhe dedicamos for proporcional à importância atribuída, então não parece importante no mundo actual. Como diria o Prof. Marcelo: "Podemos elogiar? Podemos. Fazemos isso? Não. Pode fazê-lo, mas não é habitual."
Ocorre-me então a primeira hipótese da minha teoria, hipótese 1: proferir um elogio aumenta a probabilidade de aparecerem aftas na boca.
Não será tão importante uma crítica negativa sobre um mau resultado causado por nós, como um elogio a algo bom que conseguimos ou proporcionamos? Então porque é que habitualmente é mais fácil desconstruir do que construir alguém? Afinal, somos humanos, precisamos de estímulos, motivações, reconhecimento, atenção. O elogio só pode ser expressado por alguém que nos conheça, ou seja, alguém que investiu tempo em nos conhecer, ou a conhecer o que fazemos. Quantas pessoas conhecemos, quantas elogiamos?
Se aplicarmos este pensamento ao mundo do trabalho, descobrimos mais uma Doença Profisscional. Pois, mas aqui compreende-se. Avancemos para a hipótese 2: proferir elogios aumenta a probabilidade de surgirem distensões nos músculos faciais. Pode ser que um destes dias apareça um mecenas a financiar o estudo para testar estas belas hipóteses :D (a isto chamo: auto-elogio!)
Vejam o exemplo de um elogio moderno antes de fugir do Sem Naufragar.
O marido olha-se no espelho e diz para sua mulher:
- Estou tão feio, gordo, careca... acabado! Preciso de um elogio...
E a mulher prontamente responde:
- A sua visão está óptima meu amor!!
PS: um elogio por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!!
22.1.08
Apetece respirar
hoje o Sol brilhou
em grande
fez esquecer o frio que passou
a Primavera brotou
enche os corações
a intensidade da luz
aviva as amoções
a densidade do ar
venham mais 10 destes dias
apetece respirar
cheira a alegrias!
ânimo nesses olhos
nada de pingar
levantem a cabeça
e façam favor d'aproveitar!
até o silêncio é diferente
o som prolonga-se
repararam?
hoje esteve quente :)
Cheirinho a Maricotinha
Tenho o DVD de Maricotinha, muito bom do início ao fim. Fica aqui um cheirinho.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
(...)
Baste, sim baste!
Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio!
20.1.08
L'amour
Ainda hoje na Sic Mulher se falava no amor à distância. Há quem lute por ele, há quem o cante. E, com força, há quem acredite e o viva.
Hey There Delilah - Plain White
Hey There Delilah, don't you worry about the distance
I'm right there if you get lonely
Give this song another listen
Close your eyes
Listen to my voice
It's my disguise
I'm by your side
A este som é impossível ficar indiferente, mesmo o navegante menos romântico. Deixa-nos tristinhos, mas é uma nostalgia com sabor a vontade de cuidar, dar atenção, amor!...
E por falar em amor, deixo aqui o trailler de um filme que vi em 2007 e adorei, Paris Je T'aime. As várias formas de amar! Uma cena diferente em cada bairro parisiense sobre cada forma de amor. Achei-o: curioso, mimoso... c'est super!
19.1.08
MErecer
17.1.08
Colou-se
Não podia ser diferente? Corar em frente de toda a gente?
Recordo aquele momento em que já não me ouvia, de uma rouquidão percebida...
Pensava já não saber como era, que já não existias mais. E estar num sitio conhecido e sentir coisas dos demais.
E que sonhar que nos faz, que ilusão nos transporta, ficar com ele estampado, voltar a sentir a bela personagem: a perfeita idiota! Alguém que me acorde?!
Colaram-se a mim estas cores, sou um jardim ambulante, a entregar em cada abraço mil flores, e a voz essa, mantém o charme intrigante...
13.1.08
Ilha
do simples ao complexo
quando cansados
o mundo não aparenta nexo
cremos ser uma ilha
não preciso de ninguém
basta-me o meu poder
sinto-me alguém
reduzimos a necessiade
inabaláveis a um furacão
implacáveis como rochas
zás, valente trambulhão!
já de joelhos
desejamos ter companhia
partilhar o que pensamos
dar sentido a cada dia
pedidos para esquecer
palavras e momentos
querer andar para a frente juntos
valorizamos a bondade dos sentimentos
precisamos sempre de alguém
para saber que existimos
que nos lembre de respirar
e encontrarmos o que sentimos
sentimos, logo somos!
agrupem-se aos molhos!
o mundo gira com sentido
abram-se a tempo os nossos olhos.
5.1.08
New Year's Resolutions
2. Acerca da partilha... Em todas as relações há motivos para a separação. Mas a chave pode ser encontrar motivos para o casamento!
3. Ir ou ficar? Diz-se que, dos fracos não reza a história. Se arriscas a tua pele, que se dane, mas não te conformes, não estagnes até saberes o que precisas para poderes seguir.
4. Confuso?Também precisamos de parar. Às vezes é o melhor. Não mexer! Senta-te. Observa e bebe energia. Organiza-te. Talvez depois consigas perceber para onde é o Norte!
5. Medo? Há sempre portas por abrir, janelas para espreitar. Não tem mal ir lá ver. Isso é dar um passo ou dois! E, mais importante, perceber que há alternativas e outras realidades para além da nossa.Por fim, mas não menos importante. Não te esqueças que estás vivo e tens poder sobre o modo como vives.
Voltei a mim
ser um rio a caminhar para o mar
sou eu mesma, nas manhãs apressadas, nas noites frias
sou mais do que o desejo que quiseste, mais do que uma cabeça a rolar
e do que as minhas conhecidas histórias
onde queres uma mulher, onde queres uma amiga, uma louca, sou eu ali
a pedir-te que fiques para me revelar
querer ser essa pessoa: fizeste-me
buscaste ternura, fui heroína
quiseste saltos, fui campeã
conquistaste um coração aberto, escancarei-o
acertaste-me, atingiste-me
fechei-o
não contive, estava triste, perdida, cansada,
o que te encantou nessa conquista? desejo exposto em toque num caracol meu!
confusa, fraca, desgastada
gostei desse teu modo de sedução, e tu negas esse teu eu?
ainda dou por mim a pensar se terá sido isso,
o instante perdido
hei, volto a mim!
sou eu mesma, nos gestos de um pastor
passou o tempo, trouxe tudo comigo
o tambor de batidas dentro de um coração
estou mais eu ainda, não sei como consigo!
sou dona de um dom que tenho e não sei onde fui buscar
mesmo que às vezes me esqueça disso,
adivinho que depois essa certeza vai lá estar
é profundo
é isso que me liberta: a felicidade de instantes perdidos… pareces
presa à vida e dentro de mim
ainda me tornas grande, ainda me adormeces
quero ser sim
quero voar assim
no espaço livre longe dos teus beijos, roubados num acaso
e devias sabê-lo
voltei a mim
custa-me ver-te chegado a esse posto,
pareces dar milho, encenas peças estudadas no meio desses ais
alimentas o circo que um dia pode pegar fogo
a Terra é antiga, o milho é para os pardais!
já o o amor é para quem sabe, acredita e segue a lutar
até quando fugirás de ti?
és filho de pássaro e ave sabe voar
belo é a pedra que rolou e apanhámos
belo os dias anteriores a isso, depois zás!
os factos que agora lembro, essas certezas que sabia tê-las
e deixaste-me acreditar, para depois rolares para trás
se puder não volto jamais
sozinho sabes fazer correr a vida, prender-me
ao meu lado desvias-te e escondes-te
conquistaste para nunca mais quereres ver-me
ainda que tenha acreditado nisso e ainda me perca
ainda seja nós dois
quando o Sol brilha noutras paragens e o dia se desfaz
lembro-me da luz que acendias
depois… foste apagando, sem dares por nada
não admites esse veneno, a mim que acreditei
que mesmo assim estive lá,
mesmo depois
alcanço isso hoje
esse furacão não és tu, mas deixo que acredites se te dá Paz
nunca te esqueças que a vida é um casarão e vivemos todos cá!
2.1.08
Cambada de COMILÕES!
Polémica em torno do membro da ASAE: puxou pela bela da cigarrilha no 1º dia do ano. É tema com dimensão internacional? COMO?! Na minha terra chamo a isto h-i-p-o-c-r-i-s-i-a:
.Quénia - 50 pessoas queimadas vivas numa igreja (hum, em 2008?)
.Paquistão - adiadas as eleições (quantas páginas?)
.Portugal - preço do pão sobre aproximadamente 9% (em 2008... sério?) O Sr Crude tem as costas largas, e aqui vamos nós para mais um ano... mas disto tudo, o que é que afecta o mundo? Deve ser, claro (!) o que dá mais "cliques" nos belos dos jornais online.
*Novo acordo ortográfico? "Ótimo, que belo ato para todos o adotarmos"!
Eu sei, a resistência à mudança é um comportamento provável, não tivesse estudado Psicologia Social: "se escrevo assim há 28 anos, porque é que agora tenho de o fazer de forma diferente?". Pontos positivos:
.Português é a 5ª língua mais falada no mundo. Somos 210 milhões a ter de nos adatar. Ufa, mais descansada.
.Vamos ter mais 3 letras: K, Y e w! Passamos de 23 para 26 letras.
Espero não ter naufragado. Ou então, pareço o outro, "falam, falam, falam, falam, mas ainda não os vi a fazer nada! Quem é que faz quilómetros?"
Como dizia um Cliente no outro dia numa loja de uma grande operadora móvel: CAMBADA DE COMILÕES!!
Com mais palavras e sem o novo acordo ortográfico, dizia Pessoa acerca de Portugal:
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro
Bem, mas agora que já fugiram, falemos de futebol. Sabem o que é um café à Benfiquista? É um café fraquinho.
Arre que até sobre bola te esticas!!
E com a ventania que hoje brindou a 2ª noite de 2008 me vou. Fui!

