24.6.08

Do que me apercebo...

... em ti
viaja contigo
nas roupas que trazes
nos olhos que fazes
nos gestos que me desconcentram
o aroma daquele dia
que sentia lá distante
que dá alegria
de noite tranquiliza
que como o café tira o sono
me mantém de pé
e me sensibiliza.
... é teu esse saber
eu e tu num jardim
sem mais saber algum
ambos sabemos que é errado
mas é mais forte
não deixamos cerrado.
estarás lá agora
e depois
eu e tu
neste mundo que me surpreende
me atende.

22.6.08

why?



mesmo na noite mais quente este som arrepia
emociona-me, desacredito na democracia
não posso, não devo, porque temos de continuar a acreditar
aquelas pessoas nem força têm para falar
e não perdem a fé, vê-se no olhar

desprezo o poder dos que decidem a vida de quem não tem opção.

para o teu bem

lembro-me de sentir...
esse aperto bem cá dentro
fazer diferente do sentir
correr para conseguir viver
sorrir para fingir

são teias em que nos ajeitamos
defesas que criamos
para fugir de um abraço
o medo do fracasso!

hoje nas pausas que consigo
trago isso comigo
mas faço-o de outra maneira
delicadamente consigo
tento ouvir
escutar
guardar e reflectir
dar mais importância ao outro falar

não largues tudo ao acaso
não deixes a noite atormentar
não sejas mais a heroína
procura aceitar

não sei resolver tudo
não tenho a tua chave
mas se te dedicares a ti
encontras na tua cave

para o teu bem haverá a solução
que trará paz ao teu coração.

16.6.08

vida de contraste

limaste aquele cenário
cortaste-lhe o belo acto
juntaste-lhe o calcário
rompeste-lhe o sapato

depois sorriste para a foto
pegaste-lhe ao colo
abraçaste-o bem forte
aterraram redondos no solo

cruzaste Portugal
esticaste bem a mão
tocaste em muitos mundos
fechaste os olhos e o coração

no poder reside o último sim
que vem da emoção
este país dorme debaixo do Sol
pára tudo, até a produção,
o povo vai gozar o Verão

Soweto

SOWETO rima com gueto
Mais há para saber
Se pesquisares mais um pouco
O que irás conhecer?
Não é a beleza do mundo
Em azul ou prados verdejantes
Mais um caso do saco fundo
Em que mergulham histórias injustamente degradantes

Pári piri pári

Foto:Primavera no Alentejo:Alentejo:Jun2008


pári piri pári
é o som que inventei
na toca do teu sabor
onde toda me enrolei

pári pári piri
são horas de tocar
correr até ti
para te poder desafiar... abraçar

piri pári pári
descobrimos mais uma canção
tirámos da cartola um colibri
ganhou magia o Verão

decides o futuro

Foto:Calçada Portuguesa:Olhão:Jun2008


No momento em que decides, o futuro passa a outro.
Depois >> descobres que não sabes, quando terá sido que decidiste?
Ai estás - decidido, entretido, convencido. Acabaste com os porquês, segues detido. Apagaste a solidão. Podes estar a sós, mas sózinho, decidiste que não.
Quando fazes o rewind (porque de manhã... de manhã a luz abre-te a pestana) já estás no futuro.
Detestas analisar. Odeias procurar os porquês do que te acontece. Mas quando sobes as escadas e estão à tua espera, o que fazes com eles?
Podes voltar a decidir!
Chegas ao patamar (que até rima com pensar!) e decides para onde vais andar, se para ficar, se para continuar? Vais voltar?! Não faças isso.
Dás conta do degrau onde chegaste e isso... isso dá-te um certo orgulho. Já conquistaste. Estás em grande.
Saberás que a conquista é a busca e não o fim?
Homem, ensinaram-te a ser assim. Constróis os castelos na praia, abres as portas, sorris para ela não te perguntar o que estás a pensar... e mais?
Depois, o que pensas por ti? O que decides por ti? No momento em que decides, o que é que realmente sentes? Sabes que sentes? Não tens apenas a dor que falas, aquela que mostras ao mundo. Sabes, há mais ai dentro de ti no momento que decides.

12.6.08

Viva o Sto Antº...

...Viva o S. João!
Este ano não saí para viver a menina e moça com perfume a sardinha assada, andar e andar por Lx. Não fui ver as marchas. Este ano a marcha ruma a Sul e tem pronúncia!
Adoro a época dos Santos populares. Há um ano foi diferente!

Postal do Luxemburgo

chegada a casa
depois dum dia de trabalho
sentei-me a descansar
apetecia-me mandar o mundo para... um atalho!

heis senão que num momento
daqueles únicos por sinal
recebo umas palavras com amizade
de uma amiga sem igual

a emoção chegou-me à vista
fiquei com a lágrima no canto do olho
abracei a minha Fabião
parecia um belo sonho

não duvides minha amiga
que mesmo fora do alcance do meu abraço
estás sempre cá dentro
e guardo convictamente o nosso laço

mando um beijo muito grande
e um xi-coração
quando chegares dou-te mais
prepara-te para o abanão : )

Grata por ti amiga
@--;--

11.6.08

Espaço

nos dias que correm
que nadam e galopam
traçamos o futuro das vidas
das veias que palpitam

daquelas que nos vão fazer correr
tratar, cuidar, querer bem
traçadas pelos genes
que até aos 30 parecem tão além

nos dias que correram
nadaram e galoparam
trazemos a herança
das horas que não pararam

do descanso não tido
das águas que não flutuámos
do património que não cuidámos
enfim, do futuro que sonhámos!

...guardo espaço para vós, que sempre estiveste comigo,
mesmo naquele sentido figurado, do apoio de um amigo.

porque depois vêm os antes
do que podia ter sido
e vem a tristeza prevista
sempre a chorar do não conseguido

temos agora o palco
e não actuamos para nós
fugimos para a plateia
para não estarmos sós


... estou aonde afinal, no início ou no terminal?
levantada ou sentada? estarei voltada para a estrada sonhada?...

reza quem vai deixar passar
a cena da sua vida
e acreditar que se ajoelhar
tem o perdão pela compaixão sentida

mas não muda nada
nada há que fará voltar
às noites perdidas na bancada
a ver os outros a lutar

10.6.08

olhos postos no céu

já questionei o mundo algumas vezes
sobre onde mora a diferença,
entre o banal do que se vive
e a base de toda a crença?

escassos momentos havia
em que sentia o que é
mas não verbalizava
até entranhar o valor da fé

ser para estar, ser para fazer, ser para dar, ser para valer

o agora do presente
sem limite a antever
do seguro mesmo na incerteza
sem o medo do que pode acontecer

é a crença
que veste de força o poder

nasce com toda a criança
e em adultos muitos há que a deixam morrer

é a liberdade para matar o medo de sonhar
para não aceitar o que não nos é bom
é a certeza do bem no pouco
onde o querer consciente ganha até tom

entrego o pensamento ao coração
ganho na mente o desejo de seguir
e sem importar o dia, creio ser a emoção que,
de olhos postos no céu, me deixa ver o Sol altivo sempre a sorrir!

5.6.08

Lugar da Moda

Olá caros visitantes do Sem Naufragar. Alguém ai gosta de moda? Convido-vos a visitar o site Vestearte e a deixarem as vossas opiniões! Apareçam ; )
Porque nem só de trabalho vive o homem, entreguemos à arte um lugar de destaque.

3.6.08

Evolução do Roubo

Autor desconhecido, mas reconhece-se o bom gosto : )

2.6.08

Filmes: ao vivo e a cores

Let's look at the trailer...
1ª sessão: Os Intocáveis
Chegada aos Pastéis de Belém, avisto 2 putos (miudo e miuda, talvez com 12 e 13 anos) de fisga na mão a gozar o prato: acertar nas pessoas da paragem, mas com aquele ar de gozo de quem está a ser visto e é intocável! Durou alguns minutos, até que um dos rapazes da paragem decide ir atrás deles. Começa o filme, fogem pela rua logo lateral aos famosos Pastéis e, tcham, magia!!! Os putos desaparecem e, heis senão que, em menos de nada, aparece a família dos miudos. Talvez 5 ou 7 pessoas, logo, ao molho em cima do rapaz "o que é que tu queres, fizeram-te mal ?!&%$#, parto-te a boca toda %&#&*$...". Yah, grande ciganada ali mesmo à mão de semear. Regra geral têm o mesmo modo operandus: 1º batem, depois perguntam o que foi, depois se respirares, tens sorte. Os intocáveis!
2ª Sessão: Clube de Combate
Há muito que oiço "espertos são os cães, as pessoas são inteligentes". Entrada na A5 pela saída de Porto Salvo. Fim do dia. Condutor canaliza toda a sua fúria para o volante, reclama por tudo e por nada, decide insultar o condutor que lhe passa à frente, que por natureza da via (portagens), passa de 4 a uma!! O outro não vai de modas, encosta ali mesmo (leia-se: "ali mesmo"), sai do carro (tipo câmera lenta, à filme), tipo galo abana a pena toda, evidencia os musculos, debruça-se sobre o carro do furioso e, tal qual o galo, estica o pescoço e com aquele tique (quem está de fora percebe logo...) "o que é que tu disseste?". Amigos, o Tarzan Taborda era da Fonte da Telha!

28.5.08

Portista viajante

Dois gajos do Porto discutem sobre férias, e diz o primeiro:
- Este ano num bou seguir os teus cunseilhos
- Atão e porquê?
- Atão, em nobenta e oito sujeriste-me o Habay. Eu fui e a Maria engrabidoue!
Em nobenta e nóbe sujeriste-me a Republica Dóminicâna. Eu fui e a Maria engrabidoue!
Em dois mil mandaste-me pró Brazil. Eu fui e a Maria engrabidoue! Arre porra, não cunfio mais em ti, carago!
- Deixa-te de coisas! Este ano bai mas é às Ilhas Seixales, mas tens que tomar um cuidado !
- Cuidado! Que cuidado?
- Desta bez leba a Maria cuntigo, carago!!

22.5.08

mãos de aves

tocados... decorados com as mãos
leves, unidos e quentes
torneados... esgotados os cantos fresquinhos
largam-se finalmente nas correntes!

abertos por sonhos...

sobem às copas... aos ninhos de paixões
genuinas aves, longe das mentes
a naturalidade abre as asas
abandonam o mundo tangível das serpentes

consegues receber da floresta tudo o que sentes?

deitadas de costas as presas na casca
coladas aos troncos pela resina pingada
pele marcada da força e que leve
cobertas de penas e água salgada

abertos pelo espaço...

de olhos brilhantes
bicadas de sabores azulados
lançados no voo do profundo celeste
céu atravessado por crentes apaixonados

consegues agora saber para que lado é o leste?

18.5.08

Caneca para Alvalade

O FCP queria a dobradinha. Confere, o resultado foi o dobro.
CANECA para Alvalade! Hoje Lisboa é verde! Parabéns às Leoas e Leões deste país.
Aos Dragões, deixo aqui os parabéns pelo campeonato.
Saudações Sportinguistas

Preço simbólico

Bem, a expressão "preço simbólico" tem-se cruzado comigo ultimamente e... deixa-me sempre com aquela minha atitude histérica: "XULOS"!
Juntamente com umas colegas estudavamos a hipótese do Holmes Place de Oeiras. Depois da típica volta ao edifício, o Sr Comercial começou a tentar vender o seu produto. Lá viu 3 moçoilas novitas e deve ter-nos tomado por parolas. Ora, reparem na atitude comercial.
Falha 1. Fez-nos o habitual inquérito: "praticam alguma actividade fisica?". Na altura, frequentava o VivaFit. Prontifiou-se a tirar conclusões precipitadas "então uma das razões porque aqui está, é que se fartou daquele exercício repetitivo?". Talvez lhe tivesse ficado melhor a atitude de: "compreendo, então valoriza a prática de exercíco físico!"
Falha 2. Depois, tentou vender o seu mais que tudo. Na descrição referiu a existência de 2 consultas de acompanhamento que actualmente tinham um valor simbólico de 30€ cada. Bem, esbarramos aqui. Como raparigas atentas (às vezes confundido com "parolas"), perguntámos a obrigatoriedade das dita cujas e a importância: têm o objectivo de motivar os atletas e, como antes eram oferecidas e não lhes davam o devido valor, decidiram dar-lhe um preço simbólico, somando 60€ anuais. Portanto, o que poupávamos pelo descontro resultante do acordo com a entidade empregadora, pagávamos em consultas de motivação. YAH!
Mas não fiquemos por aqui. Hoje pesquisava mestrados e encontro esta frase também com um certo grau de incongruência: "Programa de Desenvolvimento Pessoal e Curso de Análise e Comunicação de Informação de Gestão
A inscrição em cada um dos cursos é feita no acto de inscrição no Mestrado Executivo. O custo de cada um é de 125,00€, um custo simbólico face ao seu preço de mercado e visando, somente, cobrir os custos operacionais de funcionamento." (
http://indeg.iscte.pt/cursos/mestradosexecutivos/informacoes/calendario/).
O mestrado já ronda os 5880€ (PREÇO PARA AMIGO...) e depois tem o valor simbólico da inscrição.
Diria que, em termos de argumentos comerciais estamos para lá de Bagdah!

Entram os violinhos...

Hoje é Domingo e controla-me uma preguiça que vai de Lisboa à Suiça.
Hoje gozo um pouco do dia de "não fazer nada", completamente colada a um sofá, de portátil no colo.
Hoje passa o lendário Titanic na tv. O filme em que se brinda "faça com que cada dia conte". É um pensamento que tento não esquecer mesmo quando os momentos parecem banais. Os banais são alguns. Mas confundimo-los muitas vezes com os únicos e de valor.
Hoje recordo a cena do filme que considero perfeitamente possível de acontecer e talvez uma das mais chocantes: entram os violinos, primeiro para entreter as gentes, para ocultar o desastre, para adiar o inadiável, depois para manter quentes os homens que transportam o ritmo consigo.
Hoje o som dos violinos está mal distribuido pelo mundo. Em alguns sitios ouvem-se, gozam-se. Outros são tocados e não são notados, nem sentidos e nem valorizados. Noutros não existem, nem lhes é dedicado um espaço. Qual o equilíbrio nisto?
Do mesmo modo que para se dançar um tango são precisos 2, para haver "música" é preciso alguém que a sinta, que a viva. O mundo andará esquecido da importância de pequenas coisas e da beleza nelas contida? (http://machineeye.blogspot.com/2008/05/pormenores.html) Em tempos acreditei que era eu que tinha tempo para pensar nestas coisas. Hoje considero-as de extrema importância, capazes de justificar o motivo pelo qual respiramos.

13.5.08

Gasóleo a 0.086€ o Litro


Isto não é publicidade enganosa. Estes preços existem. A foto provocatória foi captada há uma semana em Gibraltar. De carro são 8 horitas. Palavras para quê?! Há imagens que valem por 1000 palavras.

Sorry mãezinha, não consigo, é mais forte do que eu:
Cambada de COMILÕES! XULOS!!!... UFA!
(às vezes o meu mau feitio transcende-me, bem como a economia da energia da qual dependo e movimenta o país).

Mocos do meu bairro

Do you know Bob? Marley, Dylan, Geldof?
Hoje escolho Mister Geldof.
Sem apresentações (
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bob_Geldof), dou o passo seguinte: porquê falar desde homem?Simples. Decidiu optar por utilizar no seu todo a escala de um sonómetro para lembrar ao mundo aquele aspecto abafado entre vozes, aos olhos de todos, mas que é tabu: corrupção. De repente, toca-se no assunto e todos se levantam para falar. Pronto, deixa de ser assunto para "má logo", e passa a estar nos jornais. De repente, descansa-se o tema "Angola como país com maior taxa de crescimento" e passa-se para "Governo angolano criminoso". Temos passado ao lado desta realidade, mas são factos, existem. Não é preciso ser irlandês, músico ou activista para o saber.
Onde convivem algumas das maiores disparidades sociais? Luanda.
Algumas:
- chove: pessoas na rua tomam banho, trânsito descomunal
- carros montados a partir de peças de outros carros: bus com porta deslizante (nas toyotas) que são colocadas e retiradas a cada entrada/saída de passageiros
- a casa/palácio do Presidente de Angola precisa de mais espaço: extende-se o terreno para uma das ruas
- auto: circulam os carros mais caros, os modelos mais luxuosos, modelos que não vemos em Portugal
- ... e todo o terreno, é que as estradas têm mais buracos do que asfalto(!)
Mais havia.
Aos mocos do meu bairro, deste mundo, aprendam com a história.

5.5.08

valente carrossel

quando te largas pelos sonhos
encontras-me à tua espera
estou sentado muito sereno
despreocupado com o tempo que impera

corremos apenas para chegar
à hora do abraçar
nesse valente carrossel
em que te levo a viajar

quando me cerco de ti
pouco fica por saber
perdemo-nos nas descobertas
dos caminhos do nosso ser

e poucas as palavras
que proferimos para trocar
mesmo sem de um nada saber
optámos acreditar

na empatia que partilhamos
no espaço que nos medeia
no poder que ganhamos
quando este desconhecido se ateia!

26.4.08

sem despedidas

há coisas que não sabemos
aceito
há sensações que não explicamos
sei que é assim
não vale fugir do fim
nem de mim

encontrada a sensação boa
ainda com medo da não verdade
na correria que é Lisboa
surge a louca realidade

não sei
viver sem acreditar

não faz parte
ser diferente no andar
não faz sentido
sem isso respirar

sem acreditar não ando
cambaleio em dunas atormentadas pelo vento
sem acreditar não te deixaria entrar
ficar, respirar, chegar para aqui e ocupar o assento

na porta da minha vida
houve quem ficasse a espreitar
contigo viajo nas estrelas
aquelas que reacendeste e teimas fazer brilhar

se consegues ler os meus lábios
não leves de mim esses olhos
e no silêncio cúmplice do segredo
ambos de joelhos
plantar flores neste mundo
ver-te sorrir hoje e amanhã... esse rasgar eu mereço
mantém firme a segurança desse fundo
e resiste mais um pouco, eu aqueço

25.4.08

com liberdade

hoje fala-se de Liberdade. viajo.
e, porque não, posso pintar o céu de estrelas?

23.4.08

formas secas


quando a chuva cai, fugirás dela?
o que te desencantou da vida?
ou será que nunca te molhaste?
os pingos terão inundado a tua pele envelhecida?

quando caminhas pelos passos acostumados
na pressa e no peso que trazes contigo
e nos pensamentos falados e atrapalhados
pergunto, costumas brincar além fronteira do teu umbigo?

com quem falas depois dos sustos, quem ouve a tua lamúria?
e se dizes sempre o que pensas, o que guardarás com tanta fúria?
se te secaram as emoções, o que deixaste por fazer?
se te afastas do mundo das mulheres, o que te faltará viver?

deves transportar sonhos ocultos dos demais
e por trás dessa máscara dura, também terás os teus cristais!
se depois dos teus anos vividos, já não te prendes pelos sinais,
então, porque sorris aos desconhecidos e te pintas todos os dias iguais?
será que ainda sorris a umas flores? ou as acharias banais?

o que fará secar uma mulher? o que nos afasta da vida com emoção?
o que nos deixará a reboque de um trabalho? porque deixamos de irrigar o coração?

Mulher, no tempo de cultivar, prende o teu rosto ao dia,
entrega-te à luz da madrugada, experimenta a tua harmonia.
deseja o brilho dos primeiros raios, não aceites a noite como tua única companhia.
e se um ombro te for oferecido sem ensaios,
colhe-o se sentires nele a vontade de te querer viva com alegria.

14.4.08

Micro-ambientes



Cada aquário tem o seu ambiente. Podemos criar um ambiente quente ou frio, mais ou menos selvagem, mais ou menos próximo do que existe no habitat natural dos animais.
O ambiente em que crescemos irá condicionar quem e o que somos. Não é factor único, ou seja, não actua sózinho nem impera isolado. Mas determina muitos aspectos de cada um de nós.
As nossas famílias não são calculadas com base em aquariofilia. Não escolhemos o cenário ou as personagens que vão viver nela. Mas temos poder para criar uma melhor ou dar a nossa mais valia para melhorar/interferir/apoiar/olhar pela que temos.
No nosso caso, a minha familia teve um incremento recente: 5 peixinhos de água quente (gentilmente oferecidos por uma amiga).
A vida não mudou, mas não posso dizer que este ambiente seja indiferente às pessoas de quem gosto muito!
Boa noite mundo,
Figueirinha

10.4.08

Pé nu

O poder da comunicação é forte. A publicidade cria imagens. O marketing consegue criar estratégias para comprarmos a pasta de dentes mais banal do mundo ao preço mais caro. Mas qual é a alminha que acredita que a Diana Chaves usa aquela marca de calçado?
Vejamos se confere. Vou lançar os buzios!
1.Um dia fui à praia. E na praia a Diana Chaves vi.
Passeava com ténis de 20€ e levava na trela o BOBI!
Hum, trálálá, relançamento!
2.Manchete na Caras: "Diana Chaves faz furor com sapatos comprados no armazém de calçado na zona industrial de Alfragide".
As marcas vendem, mas há milagres que só acontecem na cabecita de certos criativos.
Junta-se a personagem à imagem e damos-lhe a notoriedade... propaganda. A marca passa a conhecida. Uma coisa é certa, todos despertámos para a marca. Porque os outdoors com o belo corpinho da ex nadadora não deixa ninguem indiferente, mas alguém reparou no que ela tem calçado?

Alegres Tontos

queixo caído, ombro encolhido
miudo franzido, torcido
tal qual personagens de contos
alegres tontos

olhares desviados, cercados, (des)concentrados
pensamentos (des)ordenados,
dois rostos amarrados,
(des)alinhados, amuados,
lábios cerrados

perder esse sorriso, custa
ganhar essa seriedade,
assusta

pestana cansada, isola as mentes, troca-nos as voltas,
bloqueia o que sentes, névoa no tacto distorce-nos as lentes

nos entretantos dorme-se, entrega-se paz ao momento
despertamos anestesiados, volta tudo ao pensamento

agorro na bola
dou-lhe uns xutos
marco um golo no dia
revejo estes sustos
reduzo-lhe os custos
e guardo a cena que vi(vi) de putos!

7.4.08

Donos do mundo

Há por aí muitos "donos". Donos do quê? Donos de cães. Falo de cães treinados para combater. Cães que são ameaças. As ameaças deixam de sê-lo quando saem à rua. Estes cães são armas.
Com a nova Lei podemos estar no caminho de encontrar uma solução. Devia ser justa, porque é uma Lei. Mas é justo circularem em público humanos armados em donos do mundo?
Ficamos com dó dos cães porque somos humanos. E, já agora, porque sou humana, porque penso e sinto, imagino muitos cães a desejar tanto esta Lei como metade de Portugal!
Se os cães falassem a PSP passava a receber resmas de denúncias como esta:
- Posto da PSP da Musgueira muito boa tarde, agente Silva, em que posso ser útil?
- Chamo-me Bobi Junior, o meu pai é o Bobi Herói da Musgueira de Cima, e vai combater hoje contra a Musgueira de Baixo. Ele ladra muito, mas não morde. SALVEM-NO!
Ok, os cães podem ser mentirosos, mas os humanos somos nós. Também imagino muita gente disfarçada de cão, estaria garantida a denúncia anónima.

6.4.08

mocos ambulantes

entre espelhos vivemos nós. entre paredes alguns vivem sós.
o que se passa lá fora para além do meu eu? o que absorvo em mim e guardo meu?
sou a minha companhia, na tristeza e na alegria, todo o dia, na realidade e na alegoria.
mando no que digo e no que faço. tenho efeito em outro alguém. para além do EU o TU existe. e eu não vivo sem!
tenho raizes que questiono, posso mudar o presente, escolher a direcção da minha acção, posso fazer diferente.
no mar grande em que vivo, nas ondas em que passeio, ponho sentimento em cada grão que piso, existe tanto para além de mim, sei-o.
respirar para viver, viver para cuidar, estar para dar, receber para deixar partilhar.
e nas voltas que damos, encontramos mocos ambulantes, perdidos no seu corpo, valorizam as suas certezas como diamantes.
livres são-no de escolher, viver apenas o seu ser ou abrir os braços às sensações, vivem no quase viver, vivem quase as emoções.
e porque não se ouvem? porque não param um momento? porque partem logo para o tribunal, porque preferem sempre o julgamento?
usam os olhos para condenar, as mãos para mandar, antecipam quem ouvem cantar, não se importam se vão derrubar.
não querem saber os motivos, verdades como clarão, adivinham tudo antes de o ser, os erros dos outros não merecem perdão.
se se ouvissem, viam-no. se se vissem, sentiam-no.
não se mancam que por viver na escuridão se encontram cobertos por uma tremenda ilusão?
raramente são uma mais valia
largam frases com gozo ao vento sem o seu valor importar
e com as horas a passar, é fácil adivinhar
um dia embrulham as pedras de quem as recebeu e, com dor, as teve de calar.

30.3.08

Sorrir e acenar

está em cada um escolher o percurso
se do lado da inveja ou um lado menos urso.

se não te podes defender, então ajuda saber:
corjas têm dias contados, sem dar corda aos sapatos
corações despedaçados, ardem sózinhos, morrem queimados e desolados
serão sempre mal tratados.
não acreditam,
apodrecem e definitivamente secam.

que tal arranjar uma vida? sarna para coçar?
ah! e nos entretantos escavem o cérebro
há minhocas por desenterrar.
liberdade não a sabem viver? então ultrapassem os fantasmas
e ponham-se a andar
longe para não vos ver,
ninguém gosta de se arrepender
se um dia vos cobri de escamas
hoje, larga-vos ao mar

e a tudo o mais ao qual não conseguirão escapar!
e, sem naufragar,
sorrir e acenar.

24.3.08

na flor d'olhar


simples somos, difíceis nos tornamos
as flores dos caminhos mais fáceis, são espinhos que cegamente abraçamos
no simples acredito e do complicado me afasto, que o tempo não me apresse, com tacto, quero tudo o que é
olftacto, olhos nos olhos, pé ante pé
sou grão, mero ser, com princípio e fim, tanto há que ainda hei-de saber, nada começa e termina em mim
de mim não escondo: actos são factos, não posso negar o que vivi, tudo o que gravamos no chão
amigos, guardamos bem fundo no coração
, não se compra a compaixão, nem a união, nem uma mão


na flor d'olhar
,
ante atribulada aflição, onde se podia ver impossível levantar, nasce tremenda força em simples atenção, sem medo de se lançar, de suar, de se juntar ao que ainda é vivo, sem precisar ser criativo
ganha-se do nosso ajeitar, ganha-se por sermos iguais a nós mesmos, no aceitar e estar lá, sem importar se já crescemos

as minhas palavras não são notícia, nas ossadas, até pesadas, deixo-me apenas sentir
se revelasse tudo o que vejo já ninguém me queria ouvir
falta-me jeito para explicar
assim olho a fita a rolar e vejo... muitas pessoas sem maldade na sua natureza, fechadas na sua pequenes que teimam em favorecer o mau da sua essência, que se arrastam e escolhem jorrar risos da cor da azeda
sinto... deixo-me apenas sentir...porque se esquecem de si? até quando resistem a viver sem fingir? como podem aceitar que alguém sinta, se nem conseguem sonhar? porque há pessoas que só vêm perdas? não houve nada para ganhar? curem-se as pessoas que se julgam com destinos marcados e se viciam em vitimas que hoje já não são
pendurados, agarrados aos cabides, não é preciso ter varinha de condão, nem chegar a carvão

desabafo só, não sei nada
não desespero, não me entrego, páro e se precisar espero, não aceito o papel envenenado
mas e apenas aquele a que sou fiel, contrário ao de condenado
o meu é meu, com o meu errar e as singelas loucuras
quero poder respirar, dormir a acreditar que os sonhos maus consigo transportar
e asseguro que dedico um lugar altivo às minhas doçuras.

22.3.08

Deixar ser ao outro

Pessoas e momentos para serem de valor costumam ser tidos como únicos.
Somos as mesmas pessoas perante pessoas e momentos diferentes, mas nunca conhecemos as nossas reacções a elas. Nunca sabemos totalmente quais são os nossos limites, porque uma parte do que fazemos não controlamos totalmente. Porque não somos totalmente racionais, lógicos e prevísíveis.
Há ocasiões que salientam em nós uma parte do que somos e outras há que despelotam outros EUs (tudo na mesma pessoa). Não sei se é por isso que, por umas temos mais empatia do que por outras, ou se é por isso que nos prendemos mais a umas pessoas do que a outras. Num mundo com tantas opções, alguns motivos hão-de ajudar a perceber a teoria da atracção, o que atrai umas pessoas a outras.
Uma coisa parece saber-se, é que há pessoas que permitem ao EU (que conhecemos) dar o seu melhor. Enquanto outras evidenciam os nossos traços que tentamos ocultar até de nós mesmos. Mas como temos poder sobre algumas coisas, as pessoas a quem dedicamos tempo podem ser uma escolha nossa.
Hoje passei aqui só porque me pareceu que muitas pessoas se esquecem de que têm opção.
Acabo de assistir ao filme Perfume de Mulher. Há pessoas no mundo com capacidade para nos fazerem sentir incrivelmente vivos!

21.3.08

"Hey you, come here. / Who, me?"

Gato Preto, Gato Branco, adoro este filme. Se querem rir, este faz-nos soltar belas gargalhadas. Só a banda sonora é um milagre, depois há toda uma cultura espelhada nestas cenas que é delirante. Ver para crer. Ou rever.


Maior certeza do que esta?

Já sentiram isto?
Mesmo que dê por mim perdida, que tente fugir de mim, assim do nada tropeço na minha vida e encontro-a sempre que é preciso!

teoria das palavras

sigo as lidas em muitos lábios, mas não me lembro da primeira
não sei quantas já usei, de quantas abusei?
nem por isso são de borla
algumas caras, outras desnecessárias e se se pudesse, algumas seriam apagadas
depois de proferidas jamais extintas
perduram nos versos, no que falamos e na distância
se tivessem tamanho real, onde caberia todo o legado?
todas as já ditas, as pensadas, as caladas, as espalhadas ao vento, as criadas ao ritmo das marés?
belisquem-me até à zona sub cutânea para ver se acordo da dimensão desta questão dura como velha côdea
oh brincalhões da troca, oh escritores e oradores! se as palavras se gastassem, que seria de nós, comuns pensadores?
compravamos, gravavamos, poupavamos, r-o-u-b-a-v-a-m-o-s
arquivavamos, ecoavamos as preferidas num túnel sem fim aparente
corremos o risco de as perder? de que se socorria nesse dia a nossa mente?
se perto de se esgotarem, alguém me ajudava nessa caçada?
eu enlouquecia pela falta só de privada de libertar a minha alma enevoada
cantem-se, calem-se, soltem-se, repitam-se, escrevam-se, risquem-se, corrijam-se
pintem-se, GRITEM-SE

não acabe o que se inventou para dar voz
à constante nascente que nos faz humanos,
que veste a ideia e a tudo o que sentimos em nós.

Páscoa

Páscoa Feliz : )

17.3.08

preenche a todos e a ninguém

se quisermos apenas acreditar naquilo que já sentimos
esbarramos em coisas estranhas, nunca as ouvimos e não as vimos
arrumamos o que não gostamos num quarto do mundo, seguimos mais fundo e de ombros encolhidos, de olhares desviados, andamos sempre fugidos e vestidos

fortalezas as nossas casas, tristezas as nossas carapaças
em cada pedra que mandamos fora, desperdiçamos energia, nem isso faz parar o relógio da vida, nem mesmo um único dia

se no meio de tanta gente não encontramos um espelho, será porque está tudo de costas ou refugiado em lugar alheio?
se nos dedicarmos a captar no olhar a verdade de cada mundo, de certo veremos muitas experiências sem precisar de ir muito profundo
não sei qual a melhor e a pior, nem sei se para estar vivo é preciso sabê-lo, sei que a solidão bate a muitas portas e o estado SÓ todos temem vivê-lo
também não sei se é preciso experimentar tão grande tristeza, a que preenche pessoas em todo o lado, mas em nenhum lado encontram mais do que essa cruel certeza
pelas praias, pelos autocarros, pelos centros de saúde (ou de encontro), anda tanta gente viva a sobreviver às pedras, sem sininho, no silêncio, no escuro, na velhice, na pena de quem viu antes um jovem, e agora apenas um corpo no caminho
a solidão é como a areia, cobre tudo!

chega aos mais infímos recantos, amarga, arrepia, derrama, e afasta os sonhos dos seus 1000 encantos
se basta a força do vento para mover moinhos, porque será que a vida humana não basta aos mais sózinhos?

mais um corpo que passa, mais uma vida que passou
a solidão preenche a todos, mas ainda ninguém a roubou

13.3.08

borboletas a voar

se fosse verdade
o desejo real
namorar esses dedos
cobertos de sal

vaguear pelos verdes
que iluminam a aventura
perguntar-te com atrevimento
doce ou travessura?

memoriza esses passos
no futuro irás precisar
mas agora que floresce
descontrai, há borboletas a voar

agora!
fecha os olhos
é o melhor
ficar no escuro
não digas nada
porque é agora que absorvemos o sabor

cruzámos muitas águas
até chegar a este porto
e se desta vez a corrente aumentar
sem medo,
o direito precisa do torto

mostra-me essas mãos
elas não mentem
deixa-me flutuar
quero ser nuvem...

mais que um cartão

pego em ti, simples cartão
um pouco amarrotado
poderias ter mais cor
mas aceito-te mesmo desgraçado

pego-te pelas orelhas
que corpo tem este pedaço
domino-te as dobras duras
e colo-te ao meu regaço

o calor que emanas
preciso em dias de Inverno
proteges-me do frio
e tudo o que me separa do inferno

se os raios forem fortes
segues-me até à sombra de uma arcada
sento-me em ti a beber os que passam
os seus corpos e a vida emporeirada

se o dia é de chuva... então és como a lágrima
por onde passa amolece
nem preciso de te rasgar
ficas encolhido e tudo te entristece!

pego em ti gentil cartão
dás-me que sobra quando estou comigo
enrolo-te mais um pouco
fumo-te e relaxo o mais que consigo

ora, fizeram-te belos recortes!
agora estás todo pimpão,
deram-te formas redondas
e és um postal em forma de coração!

9.3.08

Festival da Canção dos Coitadinhos

"Opá, pois concerteza fico chateada!" - estilo à Gato Fedorento. Nada tenho contra a bela da Vânia Fernandes, nem à Sra do Mar, a música também é bonita! Mas quando, pergunto outra vez QUANDO? Quando vamos abandonar as votações nos coitadinhos, quando vamos deixar de mandar os nossos representantes pelas votações dos amigos e das amigas, neste caso, de um arquipélago inteiro?
Sim, estou arreliada. Então e uma música alegre? Alguém tem visto os vencedores dos últimos festivais?! Porquê não optar pelo entusiasmo, alegria (!) ao invés do simples drama em que mergulham os portugueses?
Raios... não foi desta. Vou dormir com a convicção de que, mais uma vez, não se fará história na nossa adormecida participação no Festival da Canção.
Simone, canta lá a Desfolhada! Lembra-lhes lá a força. E os ABBA!!!!!!!!!!!!!!
PS: Mãezinha, dorme mais um pouco que não perdeste nem pitada. Já se sabia.

8.3.08

fórmula do meu ser

podia aniquiliar a fórmula do meu ser
para te salvar do escuro e dessas penas que te cobrem
podia ter ficado e abraçar-te para sempre
mas alguns de nós descobrem a tempo que nada nem ninguém tem esse poder

dependeria de mim não chover naquele dia?
estaria ao meu alcance esperar por ti, para te veres?
faria sentido acordar só por ti e para ti se queres continuar a ter pena de ti?
para quê continuar a vida num contínuo desnecessário e penoso?

não preciso de saber o que pensas, não mais!
quero saber a que sabe a chuva de um qualquer dia
não quero saber como o Sol queima a tua pele
realmente prefiro ser fiel a mim mesma
manter o respeito por mim mesma a perseguir-te como a um sonho

e se lá longe te encontrar depois do adeus
não escolho odiar-te
ainda assim, com motivos para te apagar
sorrirei porque um dia te abracei

1laranja + 1laranja = amor


Referi-o aqui diversas vezes e não me canso de o defender: a vida não é banal.
Começo este post talvez pelo seu fim.
Vou ao Google e busco. Vou ao hi5 e pesquiso. Vou ao mar e pesco. Respiro e inspiro ar. Caio e encontro o chão. Salto e elevo o corpo. Falo de sentimentos e toco os motivos porque vivemos. Sinto e sou. Não procuro ser. Muitas vezes encontro-me! Dou-me e sinto. Não procuro dar-me.
Amo e estou na casa do amor. Não busco amor. O amor vive-se, experimenta-se, partilha-se, dá-se, recebe-se, cultiva-se, cresce, desgasta-se.
Aos 28 anos é ponto assente: o amor encontra-se, constrói-se, não se procura.
Crescemos e logo aumentam as nossas histórias, mudam as nossas referências, ganhamos defesas, desfazemos preconceitos e evoluímos. Não evoluímos todos no mesmo sentido (é como a economia: evolução positiva, negativa ou estagnação). Não temos os mesmos quereres, vontades, nem a mesma noção do sentido da vida, da importância de cada dia, do valor das pessoas, dos momentos, do valor único de cada um.
Não acho que existam diferentes formas de amar. Mas ao mudar o objecto que amamos (pai, companheiro, amigo), muda a forma como vivemos o amor, como este se traduz. Praticamos o amor na forma como o sentimos. Não sentimos atracção física por todas as pessoas que amamos.
O modo de sentir também evolui, não na intensidade, mas aquilo que lhe associamos: as expectativas, os valores positivos e negativos.
Posso já ter achado que faria sentido que a pessoa para a vida devesse ter o que eu não tenho, o que eu não sou, porque associava isso à plenitude, harmonia, à felicidade encontrada em partilhar o que sou com uma pessoa assim. Hoje rio-me disso! Olho à volta e procuro entender se isso faz sentido nas relações que tenho ou que tive. Hum... Não faz. Nas pessoas com quem me rio, não faz. Com quem passo os meus dias, também não! Então porque faria sentido entregar a alguém o lugar da minha metade? Para garantir o quê? Para receber o quê, a metade?
Somos o que somos. Alguém é o que é. E é por ser quem sou que alguém se interessa, se apaixona e pretende que a sua vida passe pela minha. Não porque sou lutadora e essa pessoa é menos do que eu. Ou porque eu gosto de fado e essa pessoa gosta de música disco. Ou porque sou romântica e a outra pessoa é mais terra-a-terra.
Isso seria entender que a nossa felicidade em comunhão com alguém dependeria única e exclusivamente de como a outra pessoa é e do que eu não sou. Bem, seria fácil, básico! O amor seria algo totalmente racional, previsível, controlado... TRETAS. E ignoramos o que sentimos? O poder que temos? O valor das nossas acções?
O amor faz-se a 2. Não se faz com duas metades. O amor não são 2 metades de uma laranja, mas 2 laranjas. Cada uma no seu todo, com as suas características intrínsecas, com os seus travos amargos e doces. Cabe-nos encontrar alguém com que nos sintamos bem, que nos respeite, mereça o nosso respeito, as nossas lutas diárias e nos aceite como e pelo que somos, que aprecie/valorize a nossa companhia e também tudo o mais que faz parte de nós, defeitos + virtudes. Que nos ache extraordinários e mesmo assim esteja ao nosso lado quando caímos, falhamos e deixamos de ter força para acreditar. Lá está, extraordinário o ser que decide estar ao lado de outro ser para o que der e vier e, nos momentos menos bons, recorde a outra pessoa da sua força e lhe mostre os motivos pelos quais vale a pena escolher viver uma vida que não é banal.
Já agora, o amor não se basta, o amor precisa de espaço, liberdade e um lugar importante: o do elo invisível que suporta a vida.
Jamais aceitar que as pessoas se juntam umas às outras porque a sociedade impele a que a vida seja vivida a dois, mas e somente pelo sentido que isso faz na vida de cada um.

2.3.08

Jardineiros Amadores

Foto:Jardineiro Amador:Samarra:Março2008

À primeira.
Se me pusesse aqui a falar das primeiras impressões, dava convosco voltas ao mundo e juntávamos milhares de opiniões! Não sendo as mais certeiras, são as que prevalecem.
Tantas vezes damos por nós a dizer "e eu que te julguei assim". Ou então "tens essa cara de anjo, mas depois...". Ou ainda: "quando te conheci não fui nada com a tua cara". As primeiras impressões enganam-nos e mesmo assim temos uma forte tendência para nos guiarmos por elas.
Na vida o que acontece certo à primeira? Tiramos a carta e engatamos bem o carro à primeira. Hum... conseguimos fazer bem um passo de dança à primeira. Pronunciamos bem uma palavra estrangeira à primeira. Sei lá, muitas coisas podem sair bem à primeira. Normalmente chamamos-lhe "sorte de principiante".
À segunda.
O amor à primeira vista é daquelas crenças que não tenho. Continuo irremediavelmente romântica. Isso está em mim, sou-o. Bem, então podia lá voltar uma segunda vez, podia ser que à segunda lá passasse e fosse amor. Mas nestas coisas a sorte não é predominante, não no amor.
Há dez anos, estava no Bairro Alto quando um adulto me revelou a seguinte crença "o amor é atenção". Claro, eu tinha 18 anos, ouvi, aceitei, mas pareceu-me assim um dado adquirido que eu não queria adquirir!
Anda tanta gente a falar de amor. Aqui, ai e ali. Na TV, na rádio, nas músicas, nos livros, no cinema, no teatro, nos cafés, nas revistas, na internet... Não passaram já tantos anos para se saber do que se trata então? Todos queremos saber. Humano complica, não é? Quem é que ainda não se perguntou: "será amor?"
Mudará com a época? De geração para geração? Tem cores diferentes?
O amor mais longo que conheço é o que vivo na minha casa. Tenho, dou, partilho amor há 28 anos. É diferente daquele amor que as músicas falam? Não chamo amorzinho, ou honey à minha mãe, nem lhe digo que é o meu Sol, mas lá por isso não deixa de sê-lo.
O que me faz amar as pessoas com que vivo durante estes anos? Entendimento, atenção, cuidado, carinho, comunicação, preocupação, admiração, respeito, amizade, agradecimento, e tantas coisas mais.
Dizem os brasileiros uma expressão engraçada "familia a gente não escolhe". Pois é, nascemos numa familia. Mas escolhemos com quem queremos juntar à nossa ou para construir a nossa-nossa família. É aqui que c-o-m-p-l-i-c-a-m-o-s.
Obviamente que não vou casar com eles. Faço apenas este aparte para entender o que faz com que as pessoas se amem pela vida, se desejem numa vida, sintam falta na ausência dos dias não partilhados lado-a-lado, dias que são tudo menos banais.
À terceira... diz o português que é de vez!
O amor não nasce num encontro, numa troca de olhares, nuns roçanços quentes, no encantamento por um decote, na atracção por um corpo esculpido, numas pernas musculadas, num perfume tcham, num sorriso encantador.
Acerca da paixão já acredito em algo diferente. A paixão nasce assim. A paixão é selvagem. Não precisa de ser semeada ou regada. À primeira, a paixão pega. Sustentada por uma luz forte e doce, uma água caida do céu e com cores sonhadas.
O amor precisa de ser naturalmente cuidado, naturalmente regado, luz natural q.b., ciclos, épocas como a Primavera e também o Inverno. Tem de ser naturalmente bem-vindo para resistir aos tufões, deve ser naturalmente genuíno. Não deve ser preso ou vedado, mas deve ser abraçado.
As flores campestres são as minhas preferidas. Posso tê-las em canteiros, mas não será a mesma coisa que vê-las num passeio pelo campo.
O amor precisa de ar, liberdade, admiração, amizade, música, chuva, Sol, Lua... de momentos partilhados, de zangas superadas, de discórdia e, consequentemente, de crescimento.
Diria por fim que, quem conhece e concebe o amor é um autêntico jardineiro amador! Amador porque não precisa de tirar um curso, de se formar em jardinagem. Precisa sim, de ser atento ao seu jardim, e cuidar, e fazer crescer, e cuidar, e suster, e cuidar, e acarinhar, e cuidar, e resmungar, e cuidar, e amparar, e cuidar, e admirar, e cuidar, e agradecer, e cuidar, e receber, e saber ter, e saber partilhar o que tem com outras pessoas, e cuidar : )
Amamos a quem damos atenção e/ou damos atenção a quem amamos, de quem cuidamos. Não poderei hoje deixar de aceitar algo tão simples (mesmo que incompleto): amor é atenção.

26.2.08

o silêncio não me incomoda

conto algumas situações
quando tudo parece voar
dou por mim meio perdida
longe a duvidar

se falo tudo é um abuso
se me guardo é monotonia
sei que nada sei
numa charmosa companhia

podia dizer logo o que penso
dizer se sinto o mundo assim ou assado
mas de que vale antecipar
uma visita ao meu passado?
depois sei que pareço indiferente
curta nas mensagens
concentrada nesses passos
distraida nas viagens

tenho de dizer o que sinto
o silêncio não me incomoda
ouve bem, que não minto
aprendo e aproveito para respirar
não é deconfortável
dá espaço à sintonia com o par

não é que me esconda
gosto do que sou
mas parece que ando esquecida
sem saber coisa alguma e ao que vou

como nem tudo o que parece é
volto a confirmar, apenas só sei que nada sei
nos mistérios de duas cadeiras
começo a ser natural
e pelo meu pé
descolo-me de caminhos onde andei
já me divirto nas brincadeiras
e a vencer com garra ao medo do mal

24.2.08

dançar apenas

entediada pelo ruído do dia
desejo ser silenciada
dançar apenas
uma música compassada

entusiasma-me ser surpreendida
por um fim de dia diferente
nem demais nem de menos,
nem frio, nem quente

tirar a capa
soltar o franzido da testa
fechar os olhos para ouvir
ajeitar o pé ao sabor da festa

num movimento suave
em instantes combinados
esquecer o mundo sério e...
deslizar sobre tacos envernizados

não importa se é perfeito
isso não é preocupação
aproveito o momento
ali é lugar para emoção

nem é preciso ser super
basta deixar levar
com jeitinho chegar a vibrar
nuns braços atentos a guiar

custa pouco para ser bem
tenta lá sentir
o dj também está ao nível
podes só descontrair?
hum... espero ser credível
a bailar ficamos bem melhor a sorrir

21.2.08

surdo charmoso

nos movimentos em que mostras belezas
são momentos replectos de delicadezas

ai! o som do pé ritmado
prende-me nesses dedos e solta-me o cabelo maniado

mas não me ouves?
não és o meu estilo
falo curdo?
se vês o futuro,
raios! não me leves à certa!
está bem, escrevemos um livro puro
prometes sigilo?
prometo ser mudo

nos jeitos desse corpo, nessa pele de belos trilhos
tens culpa nesse charme
ui, e nesses peculiares brilhos

levanta lá o teu queixo
esse olhar não é de timido!
nem tentes ser dissimulado
nem ocupar o lugar de desentendido
está bem, eu peço, não me deixes aterrar
prometo que se falhares, agarro-te e não deixo
vá...
empenha-te no meu lado bandido