16.6.07

Feli City


Acho que se existisse o Terminal da Vida, muitos iriam até ao balcão e fariam o seguinte pedido:
- Se faz favor, é um bilhete para Feli City!

Despedir-me de ti, "Adeus, um dia, voltarei a ser feliz”, cantam os Gift. Pega-se nesta frase, como se pode escolher outra. Oiço-a. Preenche-me a nostalgia. Haja espaço na vida para tudo, que a tristeza, desorientação, perda, desassossego, desespero, solidão e outros estados que causam vazio e nos confundem fazem parte da vida. Haja um lugar certo para eles. Ou incerto. Entenda-se que são parte da vida. O bom e o mau junta-se à vida.
A sociedade está montada em valores que parecem ter mais sentido quando a vida é partilhada. As fantasias criadas para fazer sonhar o homem de hoje, transmitem uma ideia de felicidade que me indigna.
Anda tanto mundo à procura da felicidade!

Cenários pintados de sorrisos, situações perfeitas, casos com soluções, vidas repletas de facilidades. Não faltará mostrar as alternativas deste mapa que é a vida? Se o caminho para a felicidade fosse a chapa 5, não seríamos todos pessoas equilibradas, gratas e contentes?
A mim, o prazer de viver parece ser trilhar o caminho de sabores próprios.
Não me parece ser um fim, como esse cenário que cobram à sociedade.
Não julgo perigoso acreditar que a partilha da vida tem um sabor diferente da escolhida por aqueles que decidem manter-se sem par. É diferente da escolha do isolamento. É bem diferente.
Viver isolados faz pouco sentido. Precisamos dos outros. Também isto parece ser diferente de acreditar que o amor só existe a 2. E que sem o par não se é feliz. Estar sem par não é condição para a solidão.
Desconfio que se incute pouco a importância de acreditar no lugar do amor próprio no pódium da vida. Parece que se procura a felicidade plena da vida no outro. Como se fosse a condição para a nossa paz, ter alguém que nos escolheu ou quem nós escolhemos para partilhar a vida connosco. Acho que é por isso, que para algumas pessoas o fim de um amor se associa ao fim do sorriso.
A queda existe. Cai-se e isso é inevitável. Haverá quem acredite que há “meio entregar”? Não sei viver com meio amar ou meio viver. Vive-se. Ama-se. Não sei viver com meio intenso. Entrega-se.
Antes de esperarmos que alguém nos ame, a vida mostra que é primordial que nos amemos a nós mesmos. Por isso, acho sempre estranho quando me confessam que alguém o / a completa. Mas quem completa o quê em alguém?
Amemo-nos a nós mesmos e não depositemos no par a esperança de sermos felizes --> parece-me mais sensato! Será por isso que alguns de nós relativizem a importância de: pequenas coisas pequenos gestos, flores, céu, olhos e sorrisos?

A propósito:
Não é a força, mas a constância dos bons sentimentos que conduz os homens à felicidade.
Friedrich Nietzsche

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