21.8.12

isso que nunca me faltou

nos olhares e nos sorrisos que todos transportamos, podemos conhecer diferentes sentires. ao alimentar a atenção nas vozes e nos gestos, páro no tempo distraida a construir personagens em pequenas e soltas histórias. mergulhando nesses contos, viajo e percorro outros mundos que me permitem soltar do meu eu. e  por aí me conheço e aceito os outros.
escutar o entusiasmo, a paixão na arte, o brilho de quem fala com as mãos, e trazer isso na bagagem, essa esquecida disso mesmo! por vezes está tão perto o cruzamento para a nós voltar. é preciso deixar voltar, viajar para fora de nós e regressar. descentrar de nós e  ser contagiado por outros caminhos até escutar aquela frase, metáfora talvez, e abrir mais uma porta cá dentro.
são ações simples, contudo no dia-a-dia tornam-se escassas. as férias permitem fazer todas estas viagens sentada na areia, na água, na esplanada, na varanda, no banco, de carro e de bicicleta. e com menos fotografias perceber o valor da distração fantástica que é: poder fazer coisas tão simples que fazem sentir "coisas" tão grandes. e pelas revistas e livros se encontram outras vidas, contudo com menos espaço para viajar, com mais detalhes e menos liberdade para sonhar e imaginar. 
este Verão a criatividade foi de férias e chegou ainda mais rica. que bom é confirmar mais uma vez que o que nos pode estar a faltar às vezes é alimentar o que já conhecemos e temos. isso que nunca nos faltou.

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