28.1.07

Novo Nim

Parece que há algum tempo que cada dia dos meus dias é novo. Como se em cada dia começasse algo de novo. Que começasse quase tudo.
E o que é que começou ontem de novo?
O “novo” não é o do novamente. É o novo da novidade. E não é a novidade do geral, do para tudo e todos. É a novidade da descoberta.
Hoje (e é também, afinal o novamente!!!!) tornei a descobrir que na minha vida faço pouco do que quero, do que realmente quero.
Quero isto e vou, para mim, fazer isso. E proponho ao meu corpo o que quero.
É quando consigo dizer e deixo passar isso para o corpo que faço o que me faz sentir bem. Que faço o que tenho jeito. Que consigo o que sonho. Que me sinto realizada.
Quero tanto algumas coisas. E o que me impede? Fantasmas e monstros que criei na minha cabeça. Que crio no consciente e passam constantemente do “in” para o “con”.
Hoje fiquei triste, frustrada, zangada com as minhas forças. Onde andaram? Onde estiveram? Porquê tão inertes? Porquê tão longe? Porque não surgiram na hora certa?
Porquê? Porquê?!! Não adianta colocar tantos desses ao meu eu. Não vou encontrar a mesma quantidade de respostas para a mesma quantidade de perguntas. À velocidade em que surgem na cabeça não dá para lhes dar sempre a mesma importância. E, no final das contas, nem adianta. O tempo corre rápido na idade e lento nas respostas. O pensamento corre rápido, a “cabeça-órgão” trabalhará sempre ao mesmo ritmo. Não adianta. A cabeça quando criada o tempo já existia. Foi uma adaptação involuntária que hoje é incontornável e irrefutável.
Mas estou muito melhor. Já consigo pensar o mesmo, dar menos importância a cada porquê e agir mais. Foi um renascimento no meu poder interior porque lutei e estou, faseadamente, a conseguir aprender a dominá-lo, conquistá-lo. Aprendo-o a cada hora que passa. Porque cada hora marca o tempo. Porque cada hora é uma marca. E cada dia tem 24 dessas marcas!!! Por isso, cada dia é um dia novo. Cada marca é uma descoberta e sinto-me eu, Primavera quando o Inverno ainda faz das suas.
Hoje, hoje, hoje!!!
Estou na “Central da Baixa”. Estamos! Eu, mais um grupo de senhoras “minhas avós”, mais duas senhoras “minhas avós” (uma é uma avó com uma aparência jovem com chapéu, com pele esticada, pintada, para a modernice), mais “meus empregados”, mais “meus companheiros do café” que esfomeados procuram o mesmo querer. E eis que chega mais uma avó. Senta-se onde antes duas minhas outras avós falavam dos “diabretes”: “coma cenoura de manhã, em jejum e isso baixa. A minha Mãe tinha 300 e tal e baixou para 230. Claro, continuou a tomar os comprimidos do médico…”
Em tantas “minhas avós” encontro a minha avó. Vou querer um dia ser a avó de alguém. Ai vou vou! Há umas tão contentes. Tão risonhas. Oxalá um dia me sente a tomar chá e a comer torradas como elas, pois hoje sei que um dia vou querer ser a tua, a Vossa, a de alguém “minha avó”.
O Sr. Simpático “meu empregado” deve interrogar-se o porquê de uma jovem como eu não parar de escrever.
Já foi a meia de leite e a meia torrada. Olha o equilíbrio: “mente sã, em corpo são”. Acredito piamente no equilíbrio! O Sr., esse “meu empregado”, não deve querer o mesmo, mas hoje sei o que quero.
Ele quer sair, acabar o turno. Eu quero ser, estar, acreditar, encontrar os meus quereres, eu hoje sei que quero estar aqui, assim…
Vão-se fazendo horas. O tempo… a hora…
E uma nova marca se aproxima. Já bateram as 18h. Já estou numa nova marca. Estou e quero estar nela. E na outra e na outra e na outra.
Este meu turno só pára quando for dormir.
(08/04/2005)

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