25.3.12

imagem corporal e chocolate


sugestão: bolo de chocolate e cuppuccino
é Domingo. em Lx o tempo está primaveril: debaixo do Sol faz calor e apetece estar na rua.

diria que poderá ser um bom dia para uma sobremesa especial, misturar o prazer do relax com uma fatia de chocolate. é provável que ao lerem este último parágrafo, algumas pessoas tenham pensamentos relacionados com dieta, calorias e outros relacionados com a saúde e imagem corporal. e haverão pensamentos doces e deliciosos! enfim, uma mescla de pensamentos e tentações entre fazer a vontade ao desejo e não ingerir excesso de gordura e açucar.
hoje apeteceu-me desafiar as mentes alheias e deixar dois estímulos para diminuir o sentimento de culpa que possa existir quando se está perante a decisão de comer uma boa fatia de bolo de chocolate ou outra coisa igualmente deliciosa.
primeiro estímulo: "Segundo a pesquisa, publicada no "Journal of Personality and Social Psychology”, pessoas que gostam e consomem doces são mais propensas a ajudar outras em necessidade e a serem mais amáveis do que aquelas que não costumam comer guloseimas." bem, pensarão, isto é mesmo verdade? ver mais aqui.
segundo estímulo: existem pessoas no mundo que confecionam doces, comem-nos com satisfação, não são consideradas magras e têm sucesso. não só têm sucesso, como tiram proveito disso tudo. ocorre-me a cozinheira Nigella, conhecem? de acordo com o jornal inglês Daily Mail, Nigella tem uma fortuna de £110milhões. não sei se este video vos desperta os mesmos pensamentos, mas em mim desperta a admiração por esta mulher. os meus olhos vêm a mulher charmosa, sem as tradicionais formas físicas de uma apresentadora de tv famosa, que se entrega à arte da cozinha com grande dose de estilo próprio e consegue muito sucesso. enfim, um conjunto de bons motivos para acreditarmos que não é imprescindível ter "tudo no sitio" para ser uma mulher de sucesso.
serão estes dois estímulos verdadeiramente fortes para diminuir a pressão no momento de dar a uma bela dentada num bolo que sorri para nós?
p.s. já conheci algumas pessoas que não gostam de chocolate. e tanto chocolate que sobra para os que, como eu, não lhe resistem!

21.3.12

tal e qual assim

quando me beijas,
tamanha a nossa união,
fortemente leve,
bate o meu coração.

bate esse coração
e certos lábios nos meus,
inequívecos e bem juntos,
seguram-se bem aos teus.

os meus pelos teus,
e lá começa a soprar,
a brisa que me trascende,
e me deixa sempre a voar!

antes que páre de voar,
antes que te descoles de mim,
sente que quero só mais um,
mais um tal e qual assim. 

menino quer ser sereia

http://miasombra.blogspot.pt/2011/03/enquanto-o-espetaculo-nao-volta-em.html
são palavras guardadas,
tantas pessoas passadas.
histórias contadas,
em mensagens latentes escutadas.

o menino que quer ser sereia,
na praia brinca a pular,
e imagina no medo,
que alguém o obrigue a molhar!

um menino que repara,
no laço e na cor dos olhos,
tem vaidade nos caracóis,
e risos ansiosos aos molhos.

defesas são às mil,
todos os dias a aprender,
atrás do que ainda não sabe esconder,
pois no mundo há que sobreviver.

o menino quer ser sereia,
pinta ilhas e palmeiras,
cabelos grandes com muitas cores,
conchas e jóias nas areias!

terá ele já notado que os peixes são apanhados,
as pessoas nadam no mar,
as meninas jogam à bola,
e que os homens podem sonhar?

menino minha sereia,
sempre a cantar e encantar,
guardo o teu lugar neste abrigo,
uma praia livre para brincar.

8.3.12

mulher

escolhi esta foto de Doisneau "mantes la jolie" porque me identifico com o momento. adoro parar e desfrutar do Sol. ou da Lua: ontem passei 8 minutos a contemplar o nascer da Lua. lá estava ela, grande, branca e a elevar-se mesmo diante de mim. gosto de ser mulher, deve ser por isso que hoje tento compreender o que se diz no dia internacional da mulher. postam-se músicas, fotos, poemas, direitos, eu sei lá (!)
como esta foto, a vida é feita de momentos, de mulheres e homens. isso eu sei. e agradeço agora (mesmo) a luta que todas as pessoas à face da terra fizeram e às que continuam a fazer para que o género não seja factor discriminatório. grata por isso todos os dias. e esforço-me por não me esquecer disso. faço-o com dignidade e esperança para que esta seja a realidade da base do resto do mundo, pois que hoje ainda não o é. e tanto que há para "cavar" neste campo!

para que o mundo não sofra de amnésia recordo que, é impossível falar da mulher sem falar da vida. e falar da vida sem falar do homem. falar do homem sem falar da mulher. falar da mulher sem falar da vida. e...
a propósito, desconhecia a origem do Dia Internacional da Mulher: "8 de março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada do seu país na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917. Entretanto a ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito de voto." ver mais aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_da_Mulher


27.2.12

da entranha para estranha

dois familiares acabam de deixar a sua casa para viver num lar.
ontem foi Domingo e visitei um lar pela primeira vez. misto de sensações. más e estranhas. deixar quase tudo para trás e passar a viver num sitio não escolhido. como se faz?
assisti à hora do lanche (há hora para lanchar), wc partilhados e muitos objetos não pessoais que denotam um gosto que não enquadro. novos cheiros. novas luzes e gemidos. fase de adaptação. com apenas 50. aos 70, aos 80. depois de uma crise. após um acidente. quando já não é seguro viver desamparado, porque o equilíbrio não chega para ir com sucesso ao wc.
ali habita a consciência, a inconsciência e algo inexplicável. mundos e realidades muito diferentes dormem no mesmo tecto, usam o mesmo sofá, almofadas. em comum, a dependência. expostos. carentes. cansados. sem alento. e à espera. da visita, do passeio. da hora de dormir. da hora do sono sem acordar. porque no dia em que nascemos, sabemos que começamos a morrer. apenas não sabemos esse dia. para cada sombra humana há uma data certa. correlação macabra.
na volta uma certeza: uma parte de nós nem chegará a esta fase. outros chegarão conscientes e outros entre o hospital e um lar, também à mercê, andarão transportados. outra parte há que será saudável, lúcida e mais resistente à demanda. mas ainda assim, viverá para ser dependente.
nascemos carentes, despidos e vulneráveis. é muito provável que acabemos numa cama, expostos, mais sós, mais reais. voltamos a ser vulgares e despersonalizados.
"era doutora, funcionária pública." "foi um sr com muito dinheiro. a familia roubo-lhe tudo. um familiar avançou para o tribunal." "tem muito património, mas morreu o marido, deprimiu e ficou assim. tem apenas 52." "não recebe visitas. puseram-no aqui e nunca mais cá voltaram".
podia fazer aqui uma paródia, porque na velhice ri-se. e hei-de contar o que assisti, digno de partilha. mas o cru daquelas horas quero congelar agora. como saímos das entranhas e nos tornamos pessoa estranha?

noutra ponta da cidade, ainda nem passadas 24 horas, hormonas ao rubro pelos corredores de uma faculdade. grupos no café, uns ao Sol. os livros para estudar, a palmada nas costas, a sensualidade, o encantamento. o romance. a beleza. o tique, o jeito. a preocupação com o cabelo. o penteado. o padrão da roupa. ou a diferença pelo estilo. o perfume misturado com o suor. os olhares atentos. a conquista.
todo o esforço é para o futuro. não há tempo para chegar a horas à aula. o mundo das descobertas a nascer a cada instante.
o contraste da nossa vida. e a consciência de que um dia, numa provável correlação significativa, estamos no mesmo lar. no mesmo hospital. na mesma situação. na mesma montra. na mesma carência. na mesma dependência.
duvido que naquelas veias se vislumbre uma só célula com uma pequena visão que seja do caminhar para a realidade do passado.

certeza, nascemos e morremos sós.

horas depois, numa escola básica. paredes forradas a testemunhos de constantes produções: mãos pintadas e calcadas sobre telas, balões pendurados, desenhos da praia, da bola, da borboleta, da moto, do castelo, do passeio. onde mora a cor. brinca-se pelo chão, à bola, salta-se, as pernas dobram-se como borracha e os sorrisos soltam-se sem comando. debaixo de regras, mas acima da força de qualquer ruga ou expressão de zanga. sinfonia de gritaria da miudagem que brinca sem noção do tempo, porque se vive o presente. o presente do momento da brincadeira. amanhã há mais. amanhã brincamos, está bem?

25.2.12

suspiro de gemido

ouvidos de tísico
escutaram o pedido.
sem movimento algum,
único suspiro de gemido.

senti nascer aí longe
sorriso pequeno contido.
real no meu peito,
em meu íntimo refundido.

leve respirar.
baixo, baixinho...
aproxima-te mais.
devagar, devagarinho.

solta os lábios
dessa tensão maior,
cheira um pouco de carinho,
precisas d'um corpo melhor.

larga o peso
e aproveita a força dada pelo vento,
faz esse voo até mim,
para um abraço com alento.

22.2.12

home office IV

salpicos românticos. almofada de flores ou flores no tampo? e quando escolhemos o telefone, moderno ou antigo?
quando for grande gostava de ter um telefone daqueles da minha infância, com roda, em que cada cada vez que um número é marcado, a roda gira. gira a roda e marcamos um novo número. daqueles com um trimmmmmmmmmmm grande, que se ouve mesmo no banho. que nos faz correr para atender antes que toda a vizinhança acorde.
nada sofisticado. talvez simples e ousado. ai quando for grande...

21.2.12

ao fim e ao cabo...

... a vida são dois dias e o Carnaval está a chegar ao fim.
parece-me inevitável. não desisto de arrancar um sorriso, um olhar direito que seja. não pretendo saber a idade da alma. mas quero soltar. soltar esses "eus" deixados algures, que se esqueceram de si.
escutas esses ais que gemem aí dentro? como em mim e em outros, eles existem. não fujas desse grande pedaço que estará sempre do teu lado. porque vais precisar dessa força. e caso te afastes muito, um dia esbarras em ti mesmo. parece-me que os pequenos avanços na vida se fazem nesses momentos, quando estás só, quando acendes as luzes sobre os medos, ouves os fantasmas e dás o espaço que precisas. afastas um minuto do outro para enfim te teres, te veres, apareceres. afastas o espaço quando te aproximas de ti. e até ao fim desta festa, tu terás-te sempre a ti.

18.2.12

relax_amento com arte

ali mais uma. grátis. custou-me o tempo. conheci mais uma galeria de arte, num grupo de pessoas desconhecidas. contemplei um olhar de Paula Rego que trago agora na galeria interior.
ali a mudança. simples mudança. simples soma. zero subtração.
ali a olhar para dentro de mim. foco nos meus músculos e tensões. a viajar no meu mundo. estive comigo. perto da minha respiração, dos meus poros. prezo muito isso. sozinha e serena.
ali conduziram-me. ligou o som. organizou. fui recebida. por isto sou grata.
ali recebo. recebo-me. confirmo a certeza de que basta querer, dedicação, tempo e usar os recursos internos para me encontrar. troco tempo. vivo a oportunidade de poder relaxar. usando-a ou não.
ali relaxei. concentrada para enviar as preocupações para o espaço.
ali voltei. agora de olhos mais abertos. é o contexto da minha realidade e do mundo. um pouco tonta, fria, mas com os sentidos mais despertos, atentos a outros pormenores: às cores, texturas, espessuras, sensações, luz e intensidades.
ali volto à rua. em Lisboa, cidade onde me encontro sempre.

8.2.12

sem respiração possível


o sofrimento corta-nos literalmente o poder de mantermos uma respiração saudável. às vezes nota-se a tristeza pela voz sumida. outras nos ritmos mais acelerados com que as palavras são ditas.  os olhos não nos seguem. e no fim, há duas mensagens: aquela que nos tenta convencer, e a outra que não condiz com a primeira. tantas vezes nos enganamos a nós próprios que chegamos a acreditar que podemos sempre enganar os outros sobre a verdade do que sentimos. quando a tristeza invade a nossa noite e depois o dia, parece-me que é muito difícil enganar o mundo de que está tudo bem e de que a nossa respiração está diferente apenas porque estamos mais cansados ou apressados. experimentem parar um pouco e sentir as respirações à vossa volta. talvez consigam notar melhor as mensagens contraditórias e detetar sofrimento alheio.

6.2.12

curriculum vitae I

"cv suficentemente sexy?" explico. fazer um curriculum vitae que venda dá algum trabalho porque esta é a peça através do qual o recrutador nos quer conhecer. tudo bem. deve ter estrutura e imagem apelativas, ser simples, claro, objectivo e aspeto "clean" (ou seja, limpo). e se tiver de ser "sexy"? vejamos: "Facilite o trabalho de quem vai ler o seu CV e demonstre que sabe como fazer chegar a sua mensagem. O seu CV deverá ser sexy o suficiente para gerar curiosidade no entrevistador em conhece-lo pessoalmente!"
ok, apelativo, charmoso, um "bom isco". hum, talvez não fosse bem isso que quisesse dizer. ou seria?
será que está relacionado com a qualidade da foto? bem, um documento com uma imagem é sempre mais apelativo. depende da foto, claro!
a importância das informações pessoais (ainda no mesmo site): "Além das informações relativas às qualificações, os empregadores também necessitam de saber informações mais pessoais do candidato, nomeadamente, estado civil, nacionalidade, hobbies e interesses e se tem ou não carta de condução e/ou carro." esta questão parece mais clara para o candidato. acerca disto digo-vos que, já estive num recrutamento de uma empresa textil portuguesa muito famosa e saí de lá escandalizada com certas questões, achei um abuso: "qual a profissão do namorado? a profissão do pai? a profissão da mãe?". então sou melhor candidata para a função se o meu namorado/a for artista de circo ou político? esta dúvida permanece.
estas dicas são de uma empresa portuguesa de recrutamento e acho que mereciam uma revisão.

p.s. já agora, se o atributo sexy do cv já tiver resultado com alguém, digam-me porque vou investigar melhor o tema.

3.2.12

slow reading e How to Talk About Books that You Haven’t Read

qual é o seu modo de leitura? lento? rápido? na diagonal?
parece existir uma nova tendência na comunidade científica "Keith Thomas, historiador em Oxford, afirma estar perplexo com seus colegas mais novos, que analisam fontes com um mecanismo de busca, em vez de lê-las em sua totalidade."
Nicholas Carr, autor do livro The Shallows, refere que "os hábitos online estão danificando as faculdades mentais necessárias para processar e entender informações textuais mais longas."
porquê? "Os feeds de notícias a toda hora mandam o leitor de um link para o outro – sem que ele, necessariamente, se aprofunde em algum conteúdo. A leitura é frequentemente interrompida com a chegada do último e-mail, e, agora, o internauta ainda absorve pequenas rajadas de palavras no Twitter e no Facebook."
assim, pode querer dizer que, embora "por conta da internet, nós tenhamos nos tornado bons em coletar uma ampla gama de petiscos, também estamos gradualmente esquecendo como sentar, contemplar e relatar fatos." e esta hein?!

cada pessoa terá o seu método de leitura. no entanto, nem todos temos as mesmas necessidades quando o fazemos. deve ler devagar quando pretende e.g., "uma experiência profunda com um livro" ou "internalizar isso, para misturar as ideias dos autores com as suas próprias e fazer disso uma experiência pessoal", quem o diz é, diz John Miedema, autor de Slow Reading."

já agora, parece que é possível falar apaixonadamente de um livro que na verdade não se leu: "O professor de Literaura Pierre Bayard escreveu um livro sobre como os leitores podem formar opiniões válidas sobre um texto que apenas folhearam: “É possível ter uma conversa apaixonada sobre um livro que não se leu”, disse ele em How to Talk About Books that You Haven’t Read, sugerindo que esse blefe está ainda “no coração do processo criativo”."

alguém chegou até aqui? boa! talvez seja adepto do movimento slow reading.
hum, que dirá o Professor Rebelo de Sousa acerca disto?

2.2.12

II - Quando os sonhos ganham forma - Entrevista a Sara Farinha

alguém comentou acerca do post anterior "tenho pena que não tenham abordado na entrevista essas questões que abordas: como criar o espaço para escrever numa vida sem espaço?"
imagino que seja complicado na azáfama do dia-a-dia dedicar tempo de qualidade ao que gostamos de fazer ou a um projecto que queremos realizar.
de qualquer forma, a Sara Farinha tem outra entrevista em que faz uma descrição das rotinas e, na minhha opinião, dá uma certa ideia de algumas coisas que é preciso fazer (em alguns casos, mudar) para dar um passo importante no alcance do futuro.

partilho um excerto:

"(...) 4 - Tens uma rotina ou horário de escrita ou deixas simplesmente a imaginação fluir?Tenho rotinas distintas, dependendo do projecto em que esteja a trabalhar no momento. Como mantenho um trabalho diário com um horário normal, as noites e os fins-de-semana são os tempos que tenho para me dedicar à escrita. Diariamente, procuro escrever(...)".

ver aqui http://milestrelasnocolo.blogspot.com/2011/12/entrevista-sara-farinha-autora-de.html
nota: a foto é daquelas que encontro na net e guardo quando gosto. foi de um blog, mas já não me recordo de qual, por isso não aparece identificada.

as minhas magic

hoje sim, é Inverno! um daqueles dias em que o frio atravessa a porta, a roupa, a pele, atinge os ossos e se formam mais estalactites nos narizes.
descanso às pernas para as voltas da manhã e mentalizada para começar a redigir a minha tese de mestrado. é hoje. parece-me o ideal para descongelar os neurónios e começar a estruturar aquele que é esperado ser para mim o trabalho mais importante de 2012.
já li muita coisa, assisti a defesas, já conversei e desconversei sobre o tema, já tentei começar a capa, mas o mais importante é que, já tenho as peças que me faltavam: umas luvas magic improvisadas por mim. e o que são luvas magic? julgo que é qualquer par de luvas elásticas. já umas "luvas-magic-improvisadas-por-mim" são outra coisa. conhecem as luvas sem pontas de dedos? faltava-me um par desse tipo para manter a função de quente e ainda "dar-para-trabalhar".
com a vantagem de só não terem terminais dedais apenas em cinco dedos: 3 na direita e 2 na esquerda. é o que basta para escrever este post! algumas friorentas e friorentos devem compreender-me. guerra ao frio!

p.s. bem, houve + uma motivação extra, é que encarecidamente já tenho o corrector ortográfico actualizado, i.e., com o novo acordo ortográfico. embora se confirme o meu diagnóstico "alérgica ao novo acordo ortográfico", um facto é que tenho de acompanhar as mudanças (porque não tenho opção para a escrita da tese) e, se o mal não tem remédio, remediado está, olé!

1.2.12

Quando os sonhos ganham forma - Entrevista a Sara Farinha

imaginem que desejavam ser escritores, por onde começavam?
agora imaginem que trabalham 8 horas por dia, têm um vida perfeitamente "normal" (não tão normal, por favor) e perseguem o vosso sonho. esta é a entrevista de alguém que o fez. recomendo-a. cuidado é inspiradora!

sigam este link http://d311nh4.blogspot.com/2012/02/entrevista-sara-farinha.html#comment-form



p.s. "if opportunity doesn't knock, build a door."

31.1.12

home office III

"everything should be as simple as it can be, but not simpler".
Albert Einstein


as simples as possible, but not simpler.

o ser simples é um conceito engraçado, o que é ser simples?
é uma pessoa simples.
vivo uma vida simples.
a solução é simples.
design simples.
gesto simples.

hum...
simples e genial.
simples e importante.
simples, mas não banal.
simples, mas não é fácil.


home office II

ideias para um Home Office descontraído.
inspirem-se :-)

 
 home office na crista da onda

home office em cama de rede

29.1.12

Último dia - exposição gratuíta no CCB - Vik


Eu fui! E gostei como podem ver pelo post aqui http://machineeye.blogspot.com/2012/01/arte-inspiradora.html

Está no CCB (Belém , Lisboa), a data de fecho foi prolongada até hoje.

É gratuíta, free!
Aproveitem :-)

Home Office

Olá :-)
Alguém desse lado tem em casa um espaço para trabalhar?
Talvez uma secretária onde passe algumas horas a escrever, tratar de fotografias ou ocupado com emails, redes sociais, ou outra ocupação?
Como é esse espaço? Que cara tem?

Em casa temos um espaço desse género. Foi criado na sala para que possamos estar ocupados (seja com o que for) e juntos. Já foi num dos quartos e, para além de não ajudar à socialização, acabávamos por dar muito pouco uso à sala. Também tem outra vantagem: há sempre a tendência para ter alguma coisa nos computadores para partilhar com os amigos e familiares e por isso dá jeito estar mais à mão.
O nosso tem uma enorme secretária (podia ser mais pequena e estilosa...), dois computadores (ou mais!), tem papéis/folhetos/postais/apontamenos de ideias/fotos/marcações de consulta colados com fita cola na parede mesmo por cima, canetas e marcadores, água, uma pilha de livros (!), e outras coisas. Às vezes tem caneca, gato(s), carregador do telefone, apontamentos e... Bem, e também há dias em que está exemplar, clean e arejada!
É um sitio onde podem estar perfeitamente duas pessoas ocupadas e juntas.
Considero estes espaços sempre muito particulares, diferentes uns dos outros e talvez um pouco de cada um de nós.

Gosto de guardar fotos que pesquiso, contribui para inspirar e libertar o espírito. Aqui ficam 2. Depois venho cá por mais.

Sigo alguns blogues. Este aqui é um desses exemplos, uma artista que cria bonecas de papel e está em New Orleans. Recentemente, colocou fotos do seu atelier, um espaço cheio de "quase-obras" e cores. Deliciosas!

Hoje é Domingo e há SOL! Aqui é dia de dar um jeito na bagunça, arrumar ideias e ainda aproveitar o dia. Afinal não é todos os dias que é Domingo. Bom Domingo :-)

10.1.12

não são as regras...

não são as regras que me páram diante do objectivo. escrevo como quero, me apetece e surge na mente. escrevo o que cheiro e vejo, penso e reflicto. terei de me vergar e aceitar o novo acordo ortográfico, mas continuo resistente (a aceitaçao é das tarefas mais difíceis).
estudei que todos nós oferecemos "resistência à mudança". agora a questão é mudar as palavras [a-s-p-a-l-a-v-r-a-s]: "actos" por "atos", "factos" por "fatos", "objectivo" por "objetivo" e isto custa.
parar-para-pensar como escrevo. como não bastasse, quando leio soa a: "português do Brasil".
não resolve perguntar ao Mundo "porque é que tivémos de baixar as calcinhas?". já me fartei de justificar mais de metade das movimentações do mundo por causa da economia.
será que qualquer dia convencem o SOL a pôr-se mais tarde, assim só de vez em quando, para  que as pessoas trabalhem mais? ou para que as pessoas permaneçam mais tempo nas esplanadas e consumam mais? ou para andarem mais de carro e gastarem mais combustível?!
raios dos motivos económicos! não seria mais apropriado aplicar o dinheiro gasto no novo acordo ortográfico em aulas de mandarim? investimento na cultura e no futuro da economia.
raios, voltei à economia!!!!
ok. arroz xau xau.

29.12.11

2012 é par, grande e estrelado!

não tem preço o valor do meu Sol. tem sido constante no percurso que: acarinho e escolho, caminho e embrulho, cruzo e piso, abraço e traço, conspiro e respiro, escrevo e me atrevo! trago e rasgo, uso e abuso... vivo e revivo-o todos os dias.
todos os dias têm Sol só e apenas porque tenho pessoas realmente muito boas, diria mesmo, fantásticas, perto de mim. aos meus amigos, outros que não são e nem por isso lhes tenho menos consideração, desejo para o novo ano: sintam o Sol!

nos escolhos dos dias nem tudo está ao nosso alcance: não seguramos todas as pontas nem soltamos todos os nós.
e há dias que nem há alento para sussurrar ao nosso eu que o mundo está lá fora, quanto mais GRITAR e pedir-lhe que tenha força.
não escolhemos nascermos toldados a uma beleza singela. podemos talvez seleccionar a simplicidade e viver o BELO. parar e reparar. o belo estará em quase todas as formas de vida, mesmo as mais apagadas, pequenas e que, por isso mesmo, nos pode escapar aos sentidos.

as nossas crenças são terríveis. por tudo isto, cultive-se o SOL.
pode ser esse o caminho que fará dé todos nós mães e pais das estrelas!

28.12.11

segredos, seres que existem

todos temos cá dentro. de amor e ódio. de coisas que são só nossas. momentos e lembranças. e até poderíamos querer deitá-las fora, mas são nossas e fazem de nós os seres que existimos. deixamos que fiquem, quentes e escuros, guardados e enrolados. deixamos que permaneçam.
seres que existem através de nós, até sermos.
quem quiser traduzir por palavras vos digo que seria tempo de pouco proveito. chegarão as palavras para tal? bastarão essas tolas? mesmo aos amigos mais queridos, essas coisas quando ditas passariam a ser de outros como nós e, talvez ainda não tenham pensado nisso, mas provavelmente seriam de pouca compreensão. ofuscadas pela parte inflexível das palavras, pois mesmo o mínimo brilho que delas guardamos, incorre o risco de se esconder pelas letras tão padronizadas. mesmo assim, há quem se aventure na tentativa de trocá-las por palavras.
essas coisas que sentimos e mesquinhamente nos doem o pensamento e a alma são aqueles segredos!
os segredos existem enquanto somos.
aos que amamos e odiamos. as coisas que apenas a nós dizem respeito. são muitas e não pensem que escapam, não tenham nisso fé. quem vive inevitavelmente os criou. porque a vida é feita por uma parte que se vê, dá-se, traduz-se e outra dorida, sem cor e corpo e com m-u-i-t-a-a-l-m-a.
são nossos e sempre o serão.
e mesmo à alma que me conhece, a quem sou sincera, mesmo a essa, a quem sou tudo e quero todo o bem, não chegam 100 anos para tê-los, lê-los e compreendê-los.
podem ter voz. quando canto em tom de dor é apenas meu o som que trago em mim. tem dias que é som de alma, e outros com alma de outros. mas é minha a alma onde me guardo e onde cabem os meus segredos.
são pensamentos, ideias, amores e ódios. aquilo que sentimos.
segredos, seres que existem.

12.12.11

Ópera em Lisboa, na Gare do Oriente - pela DPOC



"Quando menos se esperava, 4 cantores líricos juntaram-se na Gare do Oriente e alto e bom som deram voz à DPOC. Uma acção que surpreendeu e marcou o dia mundial da DPOC, a 16 de Novembro. O momento, que durou alguns minutos, foi da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Pneumologia e da Fundação Portuguesa do Pulmão."

p.s. oxalá tivesse estado presente! em 2007 assisti a algo do género no Harrods em Londres e foi fantástico. Só visto!

6.12.11

vontade voraz

terá alguém já sentido a vontade de amar AS PESSOAS? amar por ser pessoa. cuidar. e cuidar.
aceitar aquela pessoa ali exposta. é ou não é tentador?
é intenso e chega a doer. emociona-me. como posso explicar...?!
preenche o ar. os olhos e a testa franzem-se pela força da minha vontade e desejo para que a pessoa SE VIVA. se viva a ela e os mais pequenos milagres das 24horas que todos os dias nos são dados.
este elástico que nunca estico ao limite, é um autêntico vapor vitaminado que me impulsiona e, ao mesmo tempo, me mantém focada em ver A PESSOA.
não o sinto todos os dias. mas há dias em que se os meus braços fossem pontes andaria esticada a ligar as margens pelo ar. e andaria nas nuvens!
ou abraçada. sempre entrelaçada e nas nuvens!
é realidade? é fantasia?
se sinto é. ponto final.

24.11.11

à porta da AR

Um homem ia a passar junto à Assembleia da República, e ouve lá de dentro:
"Ladrão.
Mentiroso. Corrupto. Sem Vergonha. Trafulha. Preguiçoso.
Vendido..."
Assustado, o homem pergunta ao policia, parado à porta:
- O que está a acontecer ali dentro?!
- Estão a começar a trabalhar.

- Mas e aqueles nomes?!
- Homem, é a chamada das presenças.

14.11.11

percorremos a vida

há dias mais fortes do que outros. costumam ser dias em que estamos mais próximos de algo grande como a vida. perante a vida, o que pode ser maior? talvez apenas outra vida. é por isso que nestes dias busco, sem querer, a palpitação da vida. pequenas coisas que me lembram de que o simples viver é uma graça que herdamos, da qual devemos estar gratos e fazer o melhor que pudermos com ela e por ela. tanta gente a morrer por doenças de tratamentos prolongados que chegamos a desejar que basta de sofrimento. os corajosos vivem-na até perderem a respiração, a força para suportar a dor, até à despedida. comecei a morrer há 32 anos e nunca sei o que me espera. gostava que ninguém sofresse por mim, mas isso seria desejar não ter amigos. e isso sim seria deprimir a minha vida e toda a minha saúde. cada dia vale pelo seu valor, mesmo nos dias mais fortes, aqueles que guardamos para sempre mesmo nunca tendo desejado a sua existência. por ser um dia forte dei por mim a viajar para encontrar belezas acessíveis a todos e que nunca deixam cair no esquecimento o valor de percorrermos um caminho.

10.11.11

um pouco melhor qualquer coisa

hoje foi dia de beber. beber de outros. outros falaram, exposeram, brincaram com palavras, imagens e ideias. e só tive de dispor de tempo, mente, ouvidos e atenção. houve momento para reflexão. reflexão no meio da multidão. há melhor do que, estar comigo mesma num auditório com tanta gente? deve haver :-) mas hoje foi assim e soube bem.

senti-me grande quando todos tivémos a liberdade de fechar os olhos e apenas pensar para dentro de nós, sobre nós, os nosso sonhos.

grata todos os dias por poder estar a viver este momento e em Portugal. e poder estar em contacto com tantas mentes fantásticas que partilham. eu, a louca. o "eu" que parece adormecido e que está sempre em criação.

boa noite mundo que avança em silêncio e que constantemente se auto-cria e recria, que todos os dias por fazer isso torna um pouco melhor qualquer coisa. e qualquer coisa és tu mundo, esse que é parte de cada um de nós, e do qual cada um de nós faz parte.

2.11.11

perfume de amor

frasco distraído com aroma e cor, possível contigo, agora que sei, o melhor odor.

não to pedi, não é roubado.
sentido e adocicado, intenso e cuidado, pelo nosso bater combinado.

afrutado, partilhado, entranhado e suado, pelo ritmo marcado.

nunca é demais cheirar-te, passa tudo.
libertar-te, deixar ser, conquistar-te. no melhor: viver-te!

inspiro e respiro, nosso e inteiro, sensação ímpar, este profundo cheiro.

12.10.11

atrevo-me, sussuro-te baixinho

ténue e fino
esse limite
incolor
quase palpite

nenhures
quero estar
entregue
e dançar

é tão fino
chegas em som
delicado
e doce tom

amanhecer
assim
traz tudo
sem fim

que infinita
e estimulante mania
sempre a sonhar
de noite e de dia

gemido
contido
tremido
e perdido

trago algures
cheio de mel
caso me escales
sem toque de pele

chego quase perto
respiro fraquinho
asas batem devagarinho
miro-te a dormir sózinho

atrevo-me, sussuro-te baixinho

leves e soltas
gramas de pardal
é tão ténue e tão fino...
voar igual não tem mal.

28.9.11

criatividade: texto fantástico

o tema da criatividade interessa-me muito. porquê? hoje vivemos "contra natura"; desvalorizou-se o sermos criativos em prol de sermos eficientes (ponto final). pelo que sei, (e qualquer pessoa que pare para pensar sobre isto vai concluir o mesmo) quando dedicamos tempo a sermos criativos estamos a proporcionar bem-estar em nós mesmos. o bem-estar de cada um é um tema interessante, é ou não é?
Sim? Não? Talvez?
está mais que na hora de apostar/investir na nossa criatividade. naquilo que é nosso e inevitavelmente existe em cada um de nós. se cada um fizer isso provavelmente terá mais mecanismos para voltar a si quando precisa ou valorizar-se + rapidamente naqueles momentos em que o chão parece ter vida própria e quer fugir debaixo dos nossos pés.
sobre este tema, encontrei este texto (fantástico) para ler e reler sempre - guardar - "Pense como um sábio tolo." uma das estratégias para a criatividade é colocarmo-nos na forma de pensar de outro tipo de pessoas, pensar como um louco. Mas um louco com conhecimento.
ver aqui http://blog.creativethink.com/2011/08/think-like-a-wise-fool.html

7.9.11

através das pessoas

a ver para além das pessoas aprendi com crianças, são apenas crianças.
mesmo se alguém lhes lê outra alma. o azeite não se mistura com a água, flutua.
não é fácil ao início, porque nos ensinam a ver o óbvio. pedem-nos que sejamos objectivos, mas elas, as crianças, comunicam de todas as formas.

é apenas criança. ver para além das pessoas.
tive uma experiência de um mês e meio que me parece ficar para a vida. todos os dias que as deixava sentia que aprendia sobre mim.
foi então um mês e meio de auto-conhecimento, de auto-controlo e auto-limites.
"Professora, porque tem essas manchas debaixo dos braços?"
suei bastante. ouvi bastante. até que gritei. uma aluna pediu-me que gritasse. não gosto de gritar para manter a ordem. mas fui até um canto e experimentei: resultou. todos ouviram e a partir daquele momento foi diferente. ainda assim, não gosto de gritar.
todas aquelas crianças estão habituadas a gritos, a castigos desmedidos e apontarem o dedo uns aos outros. foi estranho. sempre que alguma coisa acontecia alguém facilmente dizia quem o tinha feito, quem tinha  gritado ou batido com a porta. como fazer crianças entender que até alguém perguntar não precisam  denunciar os colegas? e que cada um é responsável por si,... responde por si?

"Professora, cheira bem." as crianças reparam em nós. e quando nos desenham isso nota-se.

aquelas crianças são educadas no medo. e isso é medonho! quando me aproximava diminuiam de tamanho. repeti vezes sem conta: "aqui ninguém bate em ninguém. aqui conversamos."
às vezes não havia intervalo. às vezes tem de ser. são apenas crianlas.
como acredito que somos animais de hábitos, habituei-me a repetir muitas vezes a mesma coisa.
pedir desculpa, sim. não denunciar ninguém, não, por favor.
no início todos esticaram a corda. não os entendia bem e eles não tinham regras naquela aula.
escrever regras. lembrar regras. regras simples. já todos as lembravam uns aos outros.
aos mais irrequietos pedi-lhes que escrevessem uma carta aos pais. até deu dó. a carta era guardada e quando se portavam mal havia uma carta para entregar aos pais escrita por eles a explicar porque tinham tido um comportamento que dificultava a aula aos colegas.

foram crianças do início ao fim. ouviamos música juntos. experimentámos exercícios de respiração e finalmente, preparámos a festa de final de ano. mesmo os que tentaram por dinamite na preparação, no dia da festa, até esses foram anjos. foram crianças do início ao fim.
aprendi com crianças a ver através e para além das pessoas.

23.7.11

RIP Amy Winehouse

hoje confirma-se a morte de amy Winehouse e isso entristece-me.

a morte encerra em si um pano negro.
entristece-me sempre quando alguém morre e isso podia ter sido evitado. como quando alguém morre por fome. quando alguém morre muito novo. quando alguém com talento acaba por morrer com uma grande dor, angústia e sofrimento. quando alguém se mata e, em desespero, não encontra motivos para arriscar viver + 24h.
as pessoas são cruéis e esquecem-se de lembrar aos outros que nem tudo o que parece é, que é normal haver dias bons e menos bons. e aqueles mesmo maus acontecem a todos.

na minha pré-adolescência assisti a muitas perdas de pessoas. era frequente encontrar seringas, vestígios de um xuto ou cruzar-me com vizinhos que viviam diariamente o mundo da droga. támbém houve boas surpresas, pessoas que sairam da droga. eles existem. hoje a toxicodependência tem outros contornos. em Portugal a realidade alterou-se. houve um grande esforço das instituições, do Estado, da sociedade para tratar este problema que atinguiu muitas familias, essas que guardam as marcas, as histórias, as fotos e o luto.

qualquer um de nós entende que um toxicodependente não está bem, não vive em bem-estar na sua vertente física e mental e precisa de ajuda. precisa de aceitação. o próprio deixou de acreditar em si, às vezes não reconhece o seu problema como um problema e deposita pouco crédito nos motivos para fazer diferente. às vezes não é o único doente! pode ser o sintoma de um desiquilibrio maior, familiar.
na Psicologia é frequente dizer-se que a toxicodependência não é a verdadeira doença do paciente, normalmente, é o sintoma de que algo não está bem. como acontece com outras doenças.
esta apenas se vê muito bem e é impossível manter escondida durante muito tempo.

algumas memórias da Amy não são muito diferentes do desfecho da sua vida.
recordo o concerto dela em Portugal no Rock in Rio, no 1º dia e que já foi "histórico" pela actuação escandalosa da cantora.
o que fez dela uma artista guardo muito bem com toda a certeza: os álbuns, as músicas, a sua silhueta, aparência tão característica e a voz inconfundível. jamais esquecerei o olhar dela com os olhos pintados de uma forma única.
vale a pena lembrar que outras artistas como ela, grandes mesmo, tiveram este desfecho, morreram novas, e continuam a ser clássicas. as grandes, Elis Regina e Janis Joplin. seja ou não da droga, algo não estava nada bem na vida desta mulher que apenas com 27 anos marca a história da música.

pergunta: porque é que pessoas talentosas não usam TODAS as suas capacidades?

20.7.11

se eu quiser falar com Deus

Olá.
Serás tu alguém que já procurou falar com Deus?
"Se eu quiser falar com Deus", este som que a Elis canta à capela é intenso e refere o que podemos fazer nesse momento.
Existem pessoas que em algum momento da vida procuram Deus. De certo todos conhecemos alguém que o tenha feito ou o faça.
Na obra "Comer Orar e Amar", depois feito filme, há um momento em que a personagem principal, Liz, num momento de grande angústia, sofrimento, solidão está no wc e procura Deus. Esta passagem é fantástica porque responde a algumas questões que qualquer pessoa que tente falar com Deus encontra.
A Elis, sempre a grande voz, com uma dicção sem igual, canta-nos como pode ser esse momento.
Ouvido assim contina a ser um momento forte. Vale a pena escutar.
Dizem que nascemos e morremos sós. E tu, pensarás o mesmo?

29.6.11

distrai-me a vertigem

distrai-me o excesso de tudo
de tempo
de tarefas
de pessoas
de fins
de começos
de encontros
de promessas

descentro-me de mim
pago por isso
hoje, amanhã, ontem
e como sei que
hoje conta como tudo
agora é o momento

abafo o passado
desafio o futuro
e esbarro no presente
sobre o azul o ouro

o presente é que é
saco então o sufoco
prendo a força
e salto pelo soco

que seja por querer
pela vontade
sede de conhecimento
de ser apenas singularidade

longe da vertigem
da dúvida e do medo
perto de mim
sempre é cedo.

26.5.11

el critica

diz por aí que: tens de crescer para
... seres alguém
... seres independente
... teres uma profissão
... teres um bom trabalho
... teres uma familia

diz por aí que: eles não sabem
... nem sonham
... o espaço de sonhar
... muito de si
... muito do humano
... acreditar que é bom ter medo
... acreditar que é saudável ter coragem
... que a critividade é uma grande riqueza
... que nascemos com um músculo pouco conhecido, o cérebro
... que temos um coração que sente tudo
... que os infelizes são surdos de si mesmos
... que as maiores barreiras são os nossos limites

diz por ai que: quem sabe
... saberão
... alguém lhes pode lembrar
... já o sentiram
... vivem no medo
... escondem isso de si

diz por aí que: quanto mais auto critica
... menos se é espontâneo
... mais se vive oprimido
... mais se afasta de si
... menos se é criativo
... maior dificuldade em deixar fluir

diz por ai que: vivenciar
... traz memória
... é humano
... é estar certo
... às vezes
... é estar errado
... é viver
... é sentir a vida através da experiência
... é tentar
... é simplesmente deixar ser
... é permitir qualquer coisa a nós mesmos
... é confirmar que é posível
... é dizer ao meu ego que estou vivo
... é lembrar-me que posso

Boa noite mundo do "diz por aí que".
Dorme em todo o lado a criatividade e não mora em nenhuma parte certa.

29.4.11

gira o mundo

pensámos todos no outro dia sobre "o que move o mundo".
apareceram respostas como ambição, dinheiro, amor, sexo, inveja.
acho que foi isto.
passaram 2 dias e volto a recordar a Madonna que disse algo como "o sexo faz o mundo girar".
nem me recordo onde li isto, mas já foi há muito tempo. guardei porque era bem mais nova e fez-me pensar. guardei e aos 31 (quase 32) volto a pegar nela.
sinceramente, não é muito diferente do que penso hoje. o sexo, o amor. o amor e o sexo.
claro que a economia decide o mundo. resta saber o que move os homens e as mulheres que decidem a economia. só a ganância?
não consigo separar homem, querer e emoção. 24horas tudo separadinho?! como?

ganância tem emoção? claro.
mas o dinheiro não é apenas o poder sobre o mundo.
o dinheiro traz e faz o poder sobre pessoas.
e as pessoas exercem poder umas nas outras.
ajuda-me acreditar que mesmo assim, há sempre uma qualquer relação de emoção por trás de quase tudo.
e o "quase tudo" são roupas de religião, guerra, conflitos, pobreza e problemas graves.
todos mascarados.
não consigo dar todo esse poder à economia, porque a economia faz-se de homens e para homens. mesmo que de si para si. e o que move os homens?

move-me a admiração. e o sonho.
o dinheiro procuro-o para os sonhos. para os meus, claro. pequenos, talvez, são meus.

ajuda quem podes. resolve os teus problemas. e assim giro o mundo!

30.3.11

o poder do relógio da imaginação

“Todo mundo sabe que o tempo é a Morte, que a Morte se esconde em relógios. Contudo, impondo outro tempo, movido pelo Relógio da Imaginação, pode-se recusar essa lei (...) ”

Federico Fellini

20.3.11

erros

a maior parte dos meus erros, cometidos por me afastar dos meus quereres.
figueira, 2011

p.s. e são todos meus. que ninguém tente assumi-los.

7.3.11

é só a solidão

apanha-te e, antes que te apanhem, experimenta.
deverás assim ser simples e tentar. tenta.
ousado em ti na tua grande pequenez.

encostado a ti. na tua sempre brilhante solidão.
que nascemos sós e morremos antes da arte. não?
eternidade é para ela.

a solidão escolhida é para quem sente. crescida mente.
sem fantasmas que ela não morde, é assim simplesmente.
torna-te mais puro. aproxima-te de ti.

21.2.11

na minha rua

descolorem o dia
apaguem o Sol
vistam o dia de noite
e a noite de dia
e as pequenas
permanecem
sempre
para quem
atento
vive.

pequenas
as mais pequenas
coisas
que vemos às vezes
tem dias
ou não
tem noites
talvez.

belezas não raras
não únicas
apenas pequenas
visíveis ou não
serpentes
ou não
pequenas ainda
que sejam
são belezas.

aqui, aí, ali
no céu ou no mar
na rua
na minha rua.

30.12.10

2011 - sonhos são sonhos, não importa o seu tamanho

costumo achar que sou uma pessoa com sorte, embora não acredite na sorte.
costumo dizer "i'm a lucky girl".
considero que a vida está sempre a dar-me coisas boas, a surpreender e a brindar-me.
parece que todos os dias são dias novos. pessoas novas. novidades novas. novos encontros.

sinto que já fiz algumas coisas que queria fazer na vida. claro, existe mais um monte de outras por fazer.
algumas fiz sem as desejar. nem sabia serem possíveis. mas aconteceram e proporcionaram-me muita alegria. sou muito grata por esta vida.

desejo que 2011 seja mais um ano de sonhos. podem ser pequenos, mas sonhos são sonhos, não importa o seu tamanho.
se puder ter alguma influência, peço que as pessoas lutem pela sua paz de espírito. e a conquistem.
e possam trazer às outras vidas isso mesmo. fazer a diferença.

sou grata por dormir descansada. faço por isso todos os dias.
nem sempre o que digo é bem entendido. ou nem sempre entendo bem os outros.
mas também acho que as pessoas muitas vezes entendem o que querem entender.
continuo descansada.

procuro lembrar-me todos os dias que o que vale na vida são as pequenas coisas, os momentos, às vezes, são coisas muito pequenas mesmo.
ainda assim, sei que são as pequenas coisas que tornam a vida uma grande aventura.
e eu quero continuar a vivê-la. a partilha-la. a colori-la. a compreende-la. acho que isso acontece na maior parte do meu tempo.

gasto muito tempo a pensar. gasto sim.
já me preocupei com isso. hoje aceito como uma forma de estar.
isso não me impede de viver a vida. e senti-la na sua plenitude.

também há contratempos. também há injustiças.
sim, não são novidades.
ainda assim, sou mesmo uma sortuda por estar neste momento em Portugal, a viver tudo o que está a contecer, com as pessoas que gosto e a admirar cada vez mais pessoas. e as pessoas.

também me desiludo. mas não me considero rancorosa. não há tempo para isso. nem acho que a vida mereça isso de mim.

desejo que 2011 brinde cada pessoa como a vida me tem brindado a mim. ou, se possível, mais ainda.

sei que amanhã passamos apenas uma marca no tempo. nada mais é do que isso.
mas ainda assim, é uma linha com importância para as pessoas. como se houvesse uma limpeza dos últimos dias e chegasse um belo balão de oxigénio com muitos dias novos para viver!
que a vida seja disfrutada mais intensamente, com essa sensação de que é possível repensar a vida, mudá-la, melhorá-la. todos temos esse poder.

Mundo, bom 2011!

16.12.10

resilientes expectativas

concorda em não virar costas às saídas
a magia reside nas misteriosas entradas
as resilientes expectativas
podem ser maltratadas, mas não abandonadas

que tropeços esses e julgados os outros
todos somos um céu aberto
aproveita e distribui flores
há 1000 maneiras de te manteres perto!

não saias de ti
nem te troques por nada
não te confundas com birras
se são loucas tempestades
agarra-te
vai viver, aproveita e sente a água
o vento e, depois,
em ti
lembra-te do Sol
e sente-te
tens todas estas liberdades!

5.12.10

dia de flash molhado

para os turistas de hoje,  Lisboa é um dia de flash molhado.
passei de carro por Belém e vi o que vento fazia: chapéus partidos, turistas a segurar as saias, uns debaixo dos impermeáveis transparentes, outros a tentar entrar nos Pastéis de Belém.
Lisboa não parecia a cidade com grande Luz. Ainda assim, estava bonita e arejou-me as ideias.
a marginal de Lisboa, é sempre aquela força maravilhosa. o mar está forte, hoje até galgou a estrada!
apeteceu-me ir comprar as prendas para as trocas deste Natal (algumas...), substituir os chinelos de casa, comprar um belo pão. ah! e agradecer as minhas mãos largas em ter gasto um dinheirão numas escovas novas para o carro, mas que de facto, fazem a diferença num dia de chuva como o de hoje.
agora, vou preparar umas tostas com tomate + óregãos + azeite + queijo e preparar-me para a nova semana.
já parece que é Natal!

27.10.10

lembrei-me (d)isto

é que
nenhum dia me posso esquecer
disto
de que
posso lembrar-te
disto
de cuidares de
ti
se puderes
bebe
isto
água
por ti
por mim
por nós por
isto
eu vou agora beber
glu glu gluuu! ah!
porquê? por
isto
porque deitamos tarde
ouvimos muito ruído
precisamos de pensar
de agir
lembra-te
disto
e água ajuda a revigorar
isto
os nossos
belos corpos.

4.10.10

“Instantes”, de Nadine Stair

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida.

Claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida: só de momentos – não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera a continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

Da escritora americana Nadine Stair, e falsamente, a algum tempo no Brasil, atribuído a Jorge Luis Borges, poeta Argentino

IF I HAD MY LIFE TO LIVE OVER
I'd dare to make more mistakes next time.
I'd relax, I would limber up.
I would be sillier than I have been this trip.
I would take fewer things seriously.
I would take more chances.

I would climb more mountains and swim more rivers.
I would eat more ice cream and less beans.
I would perhaps have more actual troubles,
but I'd have fewer imaginary ones.

You see, I'm one of those people who live
sensibly and sanely hour after hour,
day after day.

Oh, I've had my moments,
And if I had it to do over again,
I'd have more of them.
In fact, I'd try to have nothing else.
Just moments, one after another,
instead of living so many years ahead of each day.

I've been one of those people who never goes anywhere
without a thermometer, a hot water bottle, a raincoat
and a parachute.

If I had to do it again, I would travel lighter than I have.
If I had my life to live over,
I would start barefoot earlier in the spring
and stay that way later in the fall.
I would go to more dances.

I would ride more merry-go-rounds.
I would pick more daisies.

Nadine Stair,
85 years old.